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Livro : O Cérebro do Futuro – A revolução do Lado Direito do Cérebro

Posted by marcelao em janeiro 11, 2009


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Pessoal,

                  esse livro foi indicado a mim pelo meu professor de gestão empreendedora, Professor Adolfo. É de autoria de Daniel H. Pink. O autor considera que a era do “Lado esquerdo do Cérebro”, dominada por advogados – contadores e engenheiros de software, está ultrapassada. O futuro pertence a um tipo diferente de pessoa, com uma mente diferente : Designers, inventores, professores, contadores de história – pensadores criativos e empáticos que usam o “lado direito do cérebro” cujas capacidades determinam quem vai seguir adiante e quem vai ficar para trás.

                    Antes de mais nada, é bom esclarecer que o autor não faz uma condenação do “lado esquerdo do cérebro” em favor do “lado direito do cérebro”. Ele apenas coloca que as funções desempenhadas pelo lado direito do cérebro serão mais valorizadas nessa nova era do que as funções do lado esquerdo do cérebro. Antes de mais nada, o autor explica que “os dois hemisférios do cérebro não funcionam como interruptores de liga-desliga – em que um se desativaria no momento em que o outro entrasse em ação. Ambas as partes exercem alguma função em praticamente tudo o que fazemos. Podemos dizer que certas regiões do cérebro são mais ativas do que outras no que diz respeito a determinadas funções”. Isso é comprovado cientificamente pela medicina.

                    Esclarecido esse ponto, o autor relaciona as quatro diferenças principais :

                     – O hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo e o lado direito controla o lado esquerdo do corpo – > O cérebro é contralateral. É por isso que um derrame do lado direito do cérebro afeta os movimentos do lado esquerdo do corpo, e um derrame no lado esquerdo comprometerá o funcionamento do lado direito;

                      – O hemisfério esquerdo é sequencial, enquanto que o hemisfério direito é simultâneo – > O hemisfério esquerdo é especialmente eficiente no reconhecimento de eventos em série – eventos cujos elementos ocorrem um após o outro como a leitura de uma frase em que você lê palavra por palavra na sequência, enquanto que o hemisfério direito é especializado em ver muitas coisas de uma vez, em ver todas as partes de uma figura geométrica e aprender a sua forma, ou em observar todos os elementos de uma situação e aprender o seu significado. Resumindo, o hemisfério direito é a imagem, enquanto que o hemisfério esquerdo são as mil palavras para descreve-la;

                      – O hemisfério esquerdo é especializado em texto e o hemisfério direito é especializado em contexto – >  É nesse aspecto que fica mais clara a complementariedade dos dois hemisférios. Quando falamos, principalmente os latinos, não nos comunicamos apenas com a transmissão da mensagem feita pela voz, nós também gesticulamos, fazemos expressões com nossos rostos, damos enfase em algumas palavras subindo a entonação da nossa voz. Sem esses elementos, as conversas seriam parecidas com aquelas vozes sintetizadas por computador que escutamos em gravações telefônicas. Em suma, o hemisfério esquerdo trata DO QUE é dito, enquanto que o hemisfério direito se concentra em COMO é dito, além de ser o responsável pela nossa capacidade de entendermos metáforas;

                      – O hemisfério esquerdo analisa pormenores, enquanto o hemisfério direito sintetiza a visão do conjunto – > O hemisfério esquerdo participa da análise da informação, por reduzir um todo coerente a seus componentes fundamentais, enquanto que o hemisfério direito é especializado em fazer a síntese, em unir elementos isolados para obter uma visão de conjunto das coisas, em combinar seus componentes para formar um todo coerente. O esquerdo converge para uma resposta única e se concentra em categorias, enquanto que o direito faz uma visão mais holistica, em ter visão do conjunto, mais focado nas relações;

                      Toda essa mudança, que atribui uma maior valorização das funções desempenhadas pelo lado direito do cérebro, deve-se a três enormes forças sociais e ecônomicas :

                      – A abundância – > Durante a maior parte da história, a vida se caracterizava pela escassez. Hoje o traço marcante da vida social, econômica e cultural em grande parte do mundo é a abundância caracterizada por verdadeiros templos de consumo localizados nos shopings centers. Ocorre que toda essa abundância não possui muita diferenciação entre os produtos, tornando-os verdadeiros comodities. Para o consumidor, já não basta que o produto seja útil, ele precisa ser bonito, ter personalidade e incorporar um significado caracterizado por uma verdadeira obsessão da classe média pelo design e pelas grifes, caracteristicas mais ligado ao lado direito do cérebro. As pessoas deixaram de se concentrar no texto cotidiano de suas vidas para se concentrar no contexto;

                           – Ásia – > Afeta principalmente o mercado de TI. Nos últimos anos, poucos assuntos têm suscitado mais controvérsia ou provocado mais queixas que a terceirização e a tendência é que esse movimento tome os rumos a caminho da Ásia, principalmente, India. Um engenheiro de software americano ou europeu tem renda de mais de US$70 mil por ano. Ocorre que essa mesma atividade é exercida por indianos de 25 anos – com igual qualidade, quando não superior; com igual rapidez, quando não mais rápido – por um salário de US$12.500 anuais, irrisório para os padrões ocidentais, mas 25 vezes superior à do indiano médio, o que lhes garante um nível de vida de classe média alta, incluindo férias e casa própria. E esse fato torna-se ainda mais atraente a medida que o custo de comunicação cai a praticamente zer. Se você não acredita nisso, assista a próxima novela das 21:00 da Globo, “Caminhos da India”;

                           – Automação – Essa força é ilustrada resgatando a derrota no jogo de xadrez de Gary Kasparov, talvez o maior jogador de todos os tempos, para o supercomputador criado pela IBM com quase uma tonelada e meia de peso, chamado DEEP BLUE. O jogo de xadrez, sob muitos aspectos, é uma atividade do lado esquerdo do cérebro por excelência, com pouco espaço para emoções, e tudo depende intensamente da mente racional e de uma absurda capacidade de cálculo, duas das coisas que computadores fazem muito melhor do que ninguém. Além disso, computadores não tem dor de cabeça, não desabam sob pressão nem se aborrecem com as derrotas e também não se distraem. O que podemos deduzir disso é que, como afirma Tom Peters, qualquer atividade que dependa de uma rotina, que possa ser reduzida a um conjunto de regras ou subdividido em uma série de etapas a serem seguidas (lembra-se da interpretação em sequência do lado esquerdo) corre o risco de ser assumida por um computador;

                           Apresentadas essas 3 forças, o autor faz um resgate histórico das grandes transformações anteriores (revolução agricola, industrial e da informação) que a sociedade atravessou e apresenta a nova era, que ele chamou de Era Conceitual. Deixamos de ser uma sociedade de agricultores, formamos uma sociedade de operários de fábrica e passamos a ser uma sociedade de trabalhadores do conhecimento. A era conceitual é mais um passo que nos transformará em uma sociedade de pessoas criativas e empáticas, leitoras de padrões e produtoras de sentido, onde os principais personagens serão a figura do criador e do empático, cuja aptidão peculiar é o domínio da atividade cerebrar do lado direito do cérebro.

                            Para isso, o autor apresenta dois conceitos :

                             –  High Concept – > Capacidade de criar beleza artistica e emocional, de perceber padrões e oportunidades, de conceber narrativas interessantes e de combinar idéias aparentemente desconexas para criar algo novo;

                             – High Touch – > Capacidade de criar laços de empatia, de compreender as sutilezas das interações humanas, de encontrar alegria interior e suscitá-la nos outros e de enxergar além da superfície na busca de propósito e de sentido;

                              Para entrar nessa nova era, é preciso desenvolver seis aptidões simbolizados por seis sentidos :

                              – Design – > Já não basta mais ser funcional, é preciso que produtos, serviços, experiências ou estilos de vida sejam pessoalmente gratificantes e que despertem emoções especiais;

                              – História – > Vivemos em um mundo com excesso de informações o que dificulta nossa capacidade de compreender o que está a nossa volta. Diante disso, é preciso desenvolver a capacidade de compor e apresentar uma história que seja capaz de seduzir para facilitar a compreensão das pessoas quanto a mensagem que você deseja transmitir;

                              – Sinfonia – >Na era industrial e da informação havia uma exigência por foco e especialização, mas a era conceitual exigirá o oposto, exigirá que você saiba juntar as partes para compor uma sinfonia, sendo que a grande demanda não será por análise e sim pela síntese, ou seja, pela capacidade de ver o conjunto e a combinação de partes desconexas num todo inovador;

                              – Empatia – > Em um mundo dominado pela automação, fará diferença o individuo que saberá compreender o comportamento de seus semelhantes, de estabelecer relacionamentos e de se preocupar com as pessoas;

                              – Lúdico – > Há momentos em que precisamos ser sérios, mas temos que saber praticar o bom-humor devido aos benefícios que o riso e as brincadeiras trazem para a saúde das pessoas;

                              – Sentido – > Em um mundo de abundância, estamos mais livres para procurar satisfazer nossos desejos mais significativos : sentido, transcendência e realização espiritual;

                              O autor deixa claro que esses seis sentidos sempre compreenderam parte do que significa ser um humano, mas após algumas gerações, esses músculos atrofiaram. Diante disso, no final de cada capítulo sobre cada um desses sentidos, o autor disponibiliza um conjunto de seis a oito ferramentas, exercícios e leituras complementares para ajudar você a despertar e desenvolver cada sentido.

                                Em resumo, o livro aborda questões do futuro que afetarão nossas carreiras em vários sentidos. E quando o assunto é carreira, o livro pede que estejamos sempre respondendo três perguntas :

                                 – Alguém no exterior pode fazer mais barato?

                                 – Um computador pode fazer mais rápido?

                                 – Existe demanda para o que estou oferecendo nessa era de abundância?

                                 Essas questões guardam muita relação com vários posts que escrevi aqui no blog. Afinal de contas, como disse meu amigo, Gil Giardelli : “são precisos novos mapas para percorrer novos mundos”.  Na minha opinião, esses novos mapas podem estar no lado direito do seu cérebro.

Um abraço.

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20 Respostas to “Livro : O Cérebro do Futuro – A revolução do Lado Direito do Cérebro”

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  5. Marcia Matos said

    Oi Marcelo,

    Adorei seu blog, que encontrei por acaso fazendo pesquisa no google.
    Vou frequentar para ler seus resumos e idéias, porém mais que isso, temos amigos comuns: Adolfo e Gil.
    Visite marciamatos.wordpress.com e semdistancia.wordpress.com

    um abraço

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  12. [...] que eu tive durante a ginástica com o livro do Daniel Pink, “O cérebro do futuro” (leia uma resenha aqui) e o artigo do professor Mintzberg(Primeiro pense, Primeiro veja, Primeiro Faça), [...]

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  18. [...] 2 – Exercitar criatividade sistematicamente: Não é mágica e pode ser desenvolvida. Há cinco fases bem definidas e aceitas do pensamento criativo: uma visão em primeiro lugar, a saturação, a incubação, iluminação e a verificação. Nem sempre elas se desdobram de forma previsível, mas elas nos fornecem um roteiro para mapear todo o cérebro, indo e voltando entre pensamento analitico, raciocínio dedutivo do hemisfério esquerdo, e mais os padrões de busca, do grande retrato e o pensamento do hemisfério direito. Aqui segue a dica do livro do Daniel H. Pink: “O Cérebro do Futuro – A Revolução do Lado Direito do Cérebro” (leia resumo aqui); [...]

  19. [...] 2 – Exercitar criatividade sistematicamente: Não é mágica e pode ser desenvolvida. Há cinco fases bem definidas e aceitas do pensamento criativo: uma visão em primeiro lugar, a saturação, a incubação, iluminação e a verificação. Nem sempre elas se desdobram de forma previsível, mas elas nos fornecem um roteiro para mapear todo o cérebro, indo e voltando entre pensamento analitico, raciocínio dedutivo do hemisfério esquerdo, e mais os padrões de busca, do grande retrato e o pensamento do hemisfério direito. Aqui segue a dica do livro do Daniel H. Pink: “O Cérebro do Futuro – A Revolução do Lado Direito do Cérebro” (leia resumo aqui); [...]

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