Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Tendências da tecnologia da informação

Posted by marcelao em julho 19, 2008


Pessoal,

              como vocês sabem, eu trabalho na área financeira mais precisamente no Banco do Brasil e, como vocês devem perceber no seu dia-dia, nenhum banco consegue sobreviver nos tempos atuais sem utilizar fortemente tecnologia da informação, tornando-os fortemente dependentes da TI para realização de negócios. Diante disso e da velocidade com que TI evolui, vem a minha pergunta : Qual é a tendência da Tecnologia da Informação para os próximos anos?

              Em 2003, o ex-editor da revista Harvard Business Review, Nicholas G. Carr, escreveu um artigo polêmico à época de que TI já não importa, não seria mais uma vantagem competitiva para as empresas. A base de seu argumento é que o que torna ferramentas como a TI como um recurso realmente estratégico – o que o capacita a servir de base para uma vantagem competitiva sustentada – não é a sua ubiqüidade, mas sim sua escassez. A vantagem competitiva está em possuir algo que os seus concorrentes não tem.

             Segundo Nicholas G. Carr, as funções básicas de TI – armazenamento, processamento e transporte de dados – estão disponíveis a todos, ou seja, já não oferecem diferenciação em relação ao seu concorrente. Já havia escrito isso em outro post, o mainframe de última geração que sua empresa adquiriu também pode ser adquirido pelo seu concorrente, afinal de contas, trata-se do mesmo fornecedor.

             Para embasar sua tese, o autor faz comparações com outros setores da economia ao considerar TI como a mais recente de uma série de tecnologias amplamente adotadas que remodelaram a indústria ao longo dos últimos dois séculos – da locomotiva e da ferrovia ao telégrafo e ao telefone, passando pelo gerador elétrico e pelo motor de combustão interna.

             O argumento do autor é que tecnologias infra-estruturais como TI geram muito mais valor quando compartilhadas do que quando usadas exclusivamente. Para reforçar esse argumento, o autor faz um resgate da história do desenvolvimento das ferrovias levantando a hipótese de uma determinada indústria detivesse os direitos de toda a tecnologia exigida para criar uma ferrovia. Se quisesse, essa empresa poderia erguer apenas linha proprietárias entre seus fornecedores, suas fábricas e seus distribuidores e rodar suas próprias locomotivas e vagões nos trilhos. Mas, para a economia de maneira geral, o valor produzido por tal atitude seria pequeno se comparado ao que seria gerado pelo desenvolvimento de uma malha ferroviária aberta que conectasse várias empresas, fornecedores e clientes.

             Se o exemplo acima não ficou claro para você, podemos usar como exemplo também o uso de energia elétrica no seus primórdios em que as empresas, para obter vantagem competitiva, instalavam-se perto de usinas geradoras ou, se retrocedermos mais ainda no tempo, no fim do século XIX, as empresas dependiam da pressão da água ou do vapor para operar seu maquinário. Com o avançar do tempo, a disponibilidade de energia cresceu, o seu custo diminui e o acesso a rede elétrica tornou-se maior e menos custoso. A partir disso, recursos como as ferrovias e a energia elétrica deixaram de serem vantagens competitivas.

             A partir dessa constatação, voltamos ao cerne da questão levantada por Nicholas G. Carr sobre a tecnologia tornar uma comoditie. A pergunta é : Ele tem razão? Se tem razão, que sinais podem ser identificados que podem confirmar a sua tese? A resposta pode estar em dois conceitos : cloud computing e SAAS.

             O conceito de Cloud Computing(Computação em Nuvem) refere-se a um ambiente de computação baseado em uma rede massiva de servidores, sejam estes virtuais ou físicos (cloud). Cloud computing pode ser visto como o estágio mais evoluído do conceito de virtualização. Esse conceito já é utilizado em larga escala por empresas como o Google e Yahoo, ou seja, cada consulta utilizando o Google pode ser providenciada por um servidor diferente localizados até mesmo em países diferentes. O que vai definir qual o servidor que atenderá o serviço solicitado por você é o nível de utilização de processamento que é definido por ferramentas que controlam o balanceamento de processamento entre os servidores. Para se ter idéia do poder de processamento dessa nuvem, segundo dados fornecidos no site da IBM (http://www.ibm.com/developerworks/blogs/page/ctaurion?entry=cloud_computing), que as cinco maiores empresas de busca na Internet tenham ao todo um parque computacional de cerca de 2 milhões de servidores.

             Segundo o site da IBM, o principal benefício é  uma melhor utilização dos recursos computacionais, potencializando os conceitos de consolidação e virtualização. Além disso, reduz sensivelmente o time-to-market para aplicações e-business e Web 2.0, que demandam conceitos do modelo computacional on-demand (alocar recursos à medida que for necessário, de forma dinâmica).

             Como exemplo de cloud computing sendo utilizada por nós usuários da internet é o serviço de armazenamento de fotos Picasa(www.picasaweb.com) oferecido pelo Google.

            Cloud computing tem muito a ver com outro conceito importante que é o conceito de SaaS (Software as a Service). SaaS funciona como um cloud computing, a diferença é que ao invés de oferecer infra-estrutura de armazenamento e processamento, SaaS disponibiliza softwares utilizados via browser para milhares de clientes como se uma mesma instância de um software sendo disponibilizado para múltiplos clientes ao mesmo tempo, ou seja, são aplicações web dispobilizados como serviço.

            O modelo de negócios de aplicações baseados em SaaS não utiliza o conceito de licenças de software em que você paga por cada licença, mas sim pela utilização do software. Essa características tornam o SaaS extremamente atrativo para as empresas devido ao baixo custo de manutenção, a diminuição da dependências dos departamentos de TI internos e o seu uso descentralizado.

            A comparação que podemos fazer para tornar mais claro para você leitor são os pacotes de aplicativos de escritório como processadores de texto e planilhas de cálculo. O modelo da Microsoft é baseado na venda de licenças do pacote Office, enquanto o Google oferece pela Web os serviços do GoogleDocs. Outra diferença entre esses dois modelos é que, quando você compra a licença de um aplicativo como WORD e você utiliza nem 10% de todas as funcionalidades, no GoogleDocs, que por enquanto é gratuito, você pagará apenas pelas funções que mais utiliza.

           Podemos perceber que o elemento comum entre esses dois conceitos é a Internet. Tudo isso só é possível de se imaginar hoje devido ao nascimento da Internet pela sua característica de canal perfeito para transporte de dados, informações e aplicações genéricas, sendo que essas tendências ganharam aceleração com o advento da WEB 2.0.

           Esse movimento de disponibilização da TI como serviço para satisfazer as necessidades das empresas, já vem sendo liderado por empresas como a IBM, Google e Microsoft oferecendo seus serviços pagos cobrando tarifas, da mesma forma que o modelo utilizado por empresas de energia elétrica ou de telecomunicações.

            Com base nesses dois conceitos, cloud computing e SaaS, na minha opinião, pode-se concluir que a tese apresentada por Nicholas G. Carr está correta e está muito próxima de se tornar realidade. Vale lembrar que o sonho de qualquer administrador é sempre trabalhar com custos variados, pois dessa forma o aumento ou redução do custo acompanhará de forma diretamente proporcional o nível de demandas por serviços. Os dois conceitos apresentados, por serem baseados em pagamento sob demanda, podem viabilizar cada vez mais esse sonho dos administradores.

            A pergunta que deixo para reflexão é : Qual o impacto que esses conceitos trarão para os departamentos de TI das grandes empresas? Isso será assunto do próximo post cujo titulo será “O FIM DO ANALISTA DE TI”.

Um abraço.

Leia também os seguintes posts :

Google – Modelo de Inovação na Gestão – > Clique aqui para ler;

Inovação – o poder da colaboração – > Clique aqui para ler;

Modelos de gestão – necessidade de evolução – > Clique aqui para ler;

Empreendedor corporativo – > Clique aqui para ler;

Empreendedorismo corporativo e o gerente de projetos – > Clique aqui para ler;

Livro : Wikinomics – > Clique aqui para ler;

Transferência de poder e nova postura do profissional – > Clique aqui para ler;

Nova economia exige um novo perfil de profissional – > Clique aqui para ler

Mudança de época requer mudança de pensamento – > Clique aqui para ler

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32 Respostas to “Tendências da tecnologia da informação”

  1. montmello said

    Grande Marcelão,

    parabéns por mais este excelente post. Acredito que o futuro de fato aponte para a TI sendo oferecida com um serviço, porém isto fica mais fácil de se visualizar quando pensamos em sistemas novos e mais consolidados. O grande desafio, na minha opinião, reside no imenso parque de sistemas legados que hoje suportam as grandes organizações. Como adaptar estes sistemas de forma a prover suas funcionalidades na forma de serviços? Como integrá-los às novas e modernas estruturas e arquiteturas sem que seja necessário reconstruí-los? Entendo que são estes os desafios dos profissionais de TI de hoje.

    Grande abraço,

    Marcelo Mello

  2. […] Muda…É o fim do analista… em Nova economia exige um novo pe…montmello em Tendências da tecnologia da…montmello em Recomendação de programa de…Tendências da tecno… em Google – Modelo de […]

  3. Olá,

    Conheci o seu bolg em uma das viagens no mundo virtual e gostei bastante dos posts e por isso o adicionei em meu reader.
    Esse post ficou muito bom e causa reflexão.A Era do conhecimento está criando uma nova demanda de profissionais da mesma forma que a revolução industrial a criou. Analista de T.I? Analista de negócio? Analista de T.I. e Marketing? Multidisciplinares e focados.
    Parabéns pelo blog,

  4. marcelao said

    Daniel,

    obrigado pela confiança e pelas palavras. Continue acessando e volte sempre aqui para comentar os posts, OK?

    Um abraço.

  5. […]                Eu, particularmente, já venho escrevendo sobre isso em vários posts aqui no blog sobre a importância do capital intangível nas empresas nessa era do conhecimento. Na era industrial (Revolução industrial), a empresa era constituída de 85% de capital tangível (recursos financeiros, máquinas, patrimônio) e 15% de capital intangível (valor da marca, capacidade de inovação, talento humano). Na atual era do conhecimento (revolução do conhecimento), essa proporção inverteu-se, pois, com a globalização, a oferta de recursos financeiros e maquinários tornou-se mais abundante, já o talento humano verdadeiro é um recurso escasso e o que torna a posse de um recurso uma vantagem competitiva é a sua escassez e não a sua abundância, como escreveu Nicholas Carr a respeito da TI nas empresas (clique aqui para ler o post sobre esse comentário). […]

  6. […] Tendências da Tecnologia da Informação – > Clique aqui para ler; […]

  7. […] post “Tendências da Tecnologia da Informação” comentei sobre o conceito de computação em nuvem (Cloud Computing) que se trata de um ambiente […]

  8. Olá, Marcelo!

    Como sempre, ótimos assuntos para ler no seu blog. O Cloud Computing promete ser uma forte tendência nos próximos anos. O Google principalmente tem investido pesado em uma equipe especializada.

    Abs,

    Luisa Gontijo

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  28. […] – Tendências da Tecnologia da Informação – > Clique aqui para ler; […]

  29. […] uma nova postura e uma nova formação do profissional de TI para os próximos anos. Já havia comentado aqui sobre as mudanças para as áreas de TI das empresas, mas quero agora discutir a mudança no perfil […]

  30. […] – Tendências da Tecnologia da Informação – > Clique aqui para ler; […]

  31. […] – Tendências da Tecnologia da Informação – > Clique aqui para ler; […]

  32. […] https://marcelao.wordpress.com/2008/07/19/tendencias-da-tecnologia-da-informacao/ […]

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