Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Posts Tagged ‘criatividade’

Transformação Digital: 4 Explosões Necessárias

Posted by Marcelão em agosto 27, 2019


Quando se trata de inovação, muito vem sendo comentado sobre a necessidade de realizar a transformação digital dentro das empresas e organizações. A transformação digital está presente em todos os aspectos da vida moderna. Seja no âmbito social, profissional ou familiar, está cada vez mais difícil fugir das consequências culturais e comportamentais trazidos pela tecnologia.

Afinal de contas, como diria Marshal Mcluhan, pensador das mídias, idealizador do conceito de “Aldeia Global”: “We shape our tools and then our tools shape us” que, traduzida de forma livre, seria “Nós moldamos nossas ferramentas e nossas ferramentas nos moldam” ou ainda adaptada como “Os homens criam as ferramentas, e as ferramentas recriam os homens”.

Mas para realmente iniciarmos uma transformação digital, algumas perguntas precisam ser feitas como, por exemplo:

– Será que estamos mesmo prontos para lidar com essa constante mudança e acompanhar sua velocidade?

– Como as empresas devem se posicionar para ganhar espaço nesse novo cenário?

O MIT possui um centro de pesquisas focado em sistemas de informação que coletou dados de mais de 800 organizações que estão passando por transformações digitais e descobriram que as organizações precisam pensar sobre transformação digital em duas dimensões: Eficiência operacional e experiência do cliente”.

Sobre experiência do cliente, eu, como um entusiasta e apaixonado por tecnologia e inovação, sempre tive comigo que o cliente deve ser colocado no centro e, por ser da área de tecnologia da informação, sempre vi isso como a maior dificuldade das áreas de TI das empresas, por isso sempre considerei o Design Thinking como um caminho para melhorar a interação das áreas de tecnologia e os seus clientes e já fui chamado de louco por fazer essa critica. Nesse sentido, sempre lembrava de uma frase do Walter Longo, ex-mentor de estratégia e inovação do grupo Newcom: “Todo mundo tem cliente, só traficante de drogas e analista de TI tem usuário”.

Mas, voltando ao estudo realizado pelo MIT, o estudo propõe que as organizações devem esperar encontrar uma ou mais “explosões organizacionais” que esse Centro de Estudos define como “mudanças significativas e perturbadoras que afetam a maioria dos clientes, funcionários e parceiros de uma empresa”.

Essas são explosões no sentido de que elas detonam estruturas e hierarquias tradicionais, abrindo espaço para novas que permitirão a uma empresa alcançar o melhor desempenho como um negócio digitalmente habilitado. 

Nesse sentido, eles citam 4 explosões que surgirão e que devem ser controladas para que elas não destruam sua organização, mas sim que elas ajudem a alcançar suas metas de transformação.

Eu, particularmente, considerando meus estudos sobre inovação, considero que essas explosões possuem forte alinhamento com os chamados “25 desafios da Gestão” definidos por Gary Hamel que é um defensor que a inovação deve começar por inovar nos modelos de gestão.

Abaixo, cito as 4 explosões apresentadas pelo estudo do MIT e farei uma conexão com os 25 desafios da gestão propostos por Gary Hamel:

Explosão 1: Democratizar Processos decisórios

A primeira explosão derruba velhas hierarquias de tomadores de decisão. Isso significa achatar a organização e levar as decisões a níveis mais baixos, e isso significa mudar as responsabilidades dos funcionários e os incentivos de desempenho. “As pessoas que tiveram muito poder ou que possuíam produtos ou orçamentos individuais terão que perder parte desse poder [para abrir caminho para] ofertas digitais integradas”, disse van der Meulen do centro de pesquisas do MIT.

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MiniMáxima da Semana

Posted by Marcelão em dezembro 3, 2018


“A confiança, assim como a arte, nunca tem todas as respostas, mas está aberta a todas as perguntas” Earl Gray Stevens – Educador

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MiniMáxima da Semana

Posted by Marcelão em dezembro 3, 2018


“Uma história sem mensagem é como um homem sem alma” Stan Lee

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MiniMáxima da Semana

Posted by Marcelão em novembro 26, 2018


“Mesmo que você esteja em minoria, a verdade ainda é a verdade” Mahatma Gandhi

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Liderança: 4 Dicas de Saúde

Posted by Marcelão em novembro 23, 2018


PessoALL,

tem quem diga que é impossível conciliar sucesso profissional com qualidade de vida. Não faço parte dessa corrente. Aliás, eu entendo que saúde/qualidade de vida deveria ser entendido como requisito essencial para o sucesso profissional. Portanto, essa discussão está acima de ser possível conciliar as duas coisas.

Nesse sentido, a Dra. Tara Swart é uma neurocientista e coach de liderança que apresenta um angulo único de saúde cerebral do que é preciso para ser um líder melhor e alcançar sucesso.

Seus estudos têm como objetivo ensinar as pessoas porque o funcionamento ideal do cérebro é importante em um líder, explicando que isso fortalece sua tomada de decisão e melhora seu desempenho no trabalho. Ela acrescenta que melhorar a qualidade do seu estilo de vida pode ajudar lideres a melhorar suas habilidades de liderança e se destacar em seu campo.

“Sono pobre, falta de exercício, stress e má nutrição podem contribuir para a má função mental. Isso reduz a capacidade de desempenho no trabalho e a capacidade de apresentar boas qualidades de liderança”

Ela recomenda 5 dicas de hábitos saudáveis para melhorar nossas capacidades de liderança: Continue lendo »

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Liderança e Fotografia: O que tem a ver?

Posted by Marcelão em novembro 22, 2018


PessoALL,

já abordei esse assunto aqui antes sobre a relação entre a liderança e a arte quando comentei sobre um vídeo do TED do John Maeda (Clique aqui para ler). Sobre isso assisti um vídeo muito interesse para quem quer desenvolver suas competências de liderança através da arte.

Desenvolver seu lado artístico é um diferencial para quem deseja ampliar sua visão de mundo, a habilidade de enxergar com maior empatia e ter uma melhor analise de contexto.

Nesse vídeo que assisti e recomendo, Hal Gregersen, especialista em Big Think, demonstra um case de aprendizado e desenvolvimento de liderança com fotógrafos do National Geographic.

Ele argumenta que fotógrafos profissionais, muitas vezes, aguardam por várias horas pelo frame que vai mostrar algo realmente interessante resultando em uma fotografia que conta toda uma história, até mais do que um vídeo.

Esse tipo de aprendizado e desenvolvimento de habilidade artística ajudar a ampliar a maneira como líderes podem enxergar o mundo como ele realmente é.

 

Abaixo, algumas fotos históricas que demonstram o que escrevi acima:

Keep the Faith!

I believe in change!

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Você sabia? Marvel e o Exterminador do Futuro

Posted by Marcelão em novembro 20, 2018


PessoALL,

estou criando esse seção onde vou apresentar pequenas curiosidades que poucas pessoas sabem.

A primeira curiosidade é: Você sabia que o primeiro filme da cinesérie “O Exterminador do Futuro” foi baseado em história em quadrinhos da Marvel?

Em 1984, o diretor de O Exterminador do Futuro, James Cameron, junto de William Wisher Jr. e Gale Anne Hurd, se inspirou em uma clássica história dos X-Men para criar o roteiro do seu filme sobre viagem no tempo e robôs assassinos. A história em quadrinhos “Dias de um Futuro Esquecido” foi lançada em 1981 com roteiro de Chris Claremont e arte de John Byrne, e contava a história de mutantes sobreviventes de um mundo onde robôs gigantes dominavam a humanidade e onde os mutantes eram mantidos em campos de concentração. Como última esperança, a mente de um dos X-men é enviada para o seu corpo no passado para tentar evitar eventos que causaram esse futuro catastrófico.

Por vários motivos, “Dias de um futuro esquecido” marcou época, tornando-se uma das HQs mais influentes dos X-Men. Eu mesmo, até aquele momento, não me interessava pelas histórias dos X-men. Na época, a revista que publicava as histórias dos X-men era “SuperAventuras Marvel” e eu a comprava por causa das histórias do Demolidor. No entanto, um dia eu decidi ler essa história e foi ai que comecei a gostar de X-Men.

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4 Dicas de “Toró de Palpites”

Posted by Marcelão em novembro 14, 2018


PessoALL,

uma das técnicas muito utilizadas para geração de ideias é o famoso Brainstorming ou, como os mineiros gostam de chamar, “Toró de Palpites”.

O Brainstorming é uma técnica de discussão em grupo que se vale da contribuição espontânea de ideias por parte de todos os participantes, o intuito de resolver um problema ou de conceber um trabalho criativo.

Mas o brainstoming traz consigo alguns problemas que muitas das vezes não geram um resultado satisfatório e alguns artigos tem apontado na direção de aprimorá-lo.

Um dos preceitos originais do brainstorming é que não deve haver julgamento das ideias que as pessoas apresentam para que elas não se sintam inibidas em apresentá-las mantendo um nível de cordialidade entre os participantes. Isso pode funcionar para situações simples, mas em situações onde procuramos criatividade e inovação, esse preceito não funciona, ainda mais se levarmos em consideração que o conflito é faísca para a inovação.

Conectando pessoas

Quando se estimula a cordialidade e se evita o julgamento em uma reunião na qual a criatividade deveria ser o objetivo principal, o resultado que, na maioria das vezes, alcançamos é chegar a um acordo rápido, normalmente em torno de uma ideia medíocre, no sentido de ser uma ideia mediana, em um perigoso processo de groupthinking (pensamento de grupo).

Nesse sentido, li um artigo bem interessante no MIT sobre 4 dicas para obter resultados mais criativos em sessões de brainstoming:

  • Mantenha o grupo pequeno – O brainstorming eficaz não acontece quando muitas pessoas têm as mãos no pote. O especialista em Big Think Bill Burnett , um especialista em design e comportamento de produtos que atua como diretor executivo do programa de design da Universidade de Stanford, compara idéias de brainstorming a um conjunto de jazz de sucesso: ele precisa ser pequeno para ser eficaz.Em “Brainstorming: Sua mente é selvagem o suficiente para fazer um salto conceitual?” Burnett diz:

    “Talvez você possa ter um trio ou um quarteto. Um quinteto, talvez. Passado isso, você não pode tocar jazz. É muito complicado, muitas pessoas … O brainstorming funciona muito bem com muitas ideias e ideias muito diversas, especialmente se você tem uma equipe de jazz realmente boa que pode se desempenhar mutuamente. ”

Nesse caso, não basta ser pequeno, mas sim ter uma diversidade de visões e campos de conhecimento. Nesse sentido, cresce em importância a figura do orquestrador dessa sessão que precisará ter um perfil de um conector de ideias;

  • Abordar o processo a partir de uma perspectiva centrada no ser humano: Basicamente aplicar os conceitos do Design Thinking. O especialista em Big Think e o presidente e CEO da IDEO, Tim Brown, afirma que as pessoas precisam se concentrar na identificação e definição de soluções de maneira a focar no usuário. O que eles querem ou precisam?

Em seu vídeo “Use Design Thinking: Uma Abordagem Alternativa para Resolver os Maiores Problemas do Mundo”, Brown diz que essa abordagem centrada no ser humano ajuda você a identificar e resolver os desafios que as pessoas enfrentam em vez de criar novas soluções e tentar descobrir aplicações.

  • Tente uma abordagem diferente: Ao invés de respostas, procure as perguntas: Já abordei isso em vários posts aqui do blog: Pergunta é inovação, Resposta é manutenção.

 

Enquanto o brainstorming tradicionalmente aborda o processo de ideação como uma solução, outra maneira de abordar isso é tentar gerar perguntas em vez de respostas. Hal Gregersen , especialista em Big Think e diretor executivo do Centro de Liderança do MIT, diz que essa abordagem pode ajudá-lo a se tornar um inovador disruptivo.

Em um artigo recente da Harvard Business Review , Gregersen diz:

“Fazer um brainstorming para perguntas em vez de respostas torna mais fácil empurrar preconceitos cognitivos passados ​​e aventurar-se em territórios inexplorados… A metodologia que desenvolvi é essencialmente um processo para reformular problemas de novas formas valiosas. Ajuda as pessoas a adotarem um hábito mais criativo de pensar e, quando estão procurando avanços, lhes dá uma sensação de controle. Na verdade, há algo que eles podem fazer além de sentar e esperar por um raio do nada. ”

Concentrar-se em perguntas, em vez de respostas, fornece uma lente nova e menos familiar para explorar as questões, disse ele. Com limitações em fornecer respostas e contexto, os participantes são despojados de suas âncoras normais de especialização.

“Para a maioria dos líderes, eles são pagos para responder a perguntas. Eles têm uma resposta automática sobre a resposta, e é dolorosamente doloroso para eles não responderem às perguntas durante este processo de quatro minutos ”, disse Gregersen.

  • Não basta ir embora: Burnett diz que um erro comum que muitos grupos cometem é que eles param o processo de brainstorming quando acabam de gerar ideias. Quando as ideias estão em notas adesivas em uma parede ou quadro branco, elas tiram fotos das anotações e todos voltam ao trabalho. No entanto, a realidade é que eles são apenas parte do caminho durante o processo, quando eles acham que chegaram ao fim.

Em vez disso, diz Burnett, é nesse momento que os grupos devem avaliar as ideias e descobrir o que fazer com as ideias: trata-se de avaliar e organizar as ideias em clusters conceituais, pegar esses clusters e colocá-los em blocos de estrutura e ver o que é viável na realidade.

No vídeo mencionado anteriormente, Burnett diz:

“No final dos meus brainstorms, se você perguntar a alguém o que aconteceu, eles dirão que tivemos 150 ideias. Acontece que eles estavam em cerca de seis categorias diferentes e depois classificamos as principais ideias em cada categoria e temos sete ideias que gostaríamos de construir um protótipo porque achamos que essas sete ideias fazem as perguntas mais interessantes sobre o problema ou as espaço que estamos fazendo … Esse é um brainstorming acionável. ”

Uma ferramenta de Design Thinking que gosto de muito de usar para isso é o diagrama de afinidades que é usada para atribuir sentido a grandes quantidades de informações formando grupos de afinidades, os citados cluesters acima, que ajudam a equipe na compreensão do contexto analisado. Isso ajuda a encontrar sentido dentre os insights coletados e contribuem na definição de diretrizes estratégicas para o projeto.

Melhorar e aprimora os processos de brainstorming dentro das empresas é um requisito essencial para identificação e construção de soluções inovadoras, caso contrário, se não houver a aplicação de técnicas como as descritas acima, vai ser só mais uma caixinha de sugestões dentro da sua empresa.

Mas tenha em mente o seguinte: Em termos de inovação, a pergunta é mais importante do que a resposta.

Keep the Faith!

I believe in change!

 

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Excelsior, Stan Lee!

Posted by Marcelão em novembro 13, 2018


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PessoALL,

quem acompanha esse blog sabe o quanto sou fã das histórias em quadrinhos da Marvel, por isso, diante da morte do grande mestre Stan Lee, não poderia deixar de publicar um post sobre isso.

Comecei a ler quadrinhos da Marvel com a edição nº 8 de “Grandes Heróis Marvel” que trazia um combate entre dois dos maiores grupos de super-heróis da Marvel, os Vingadores e os Defensores.

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A partir dessa edição, eu comecei a colecionar todas as edições publicadas pela Abril que incluiam “Heróis da TV”, “SuperAventuras Marvel”, “Homem-Aranha”, “Capitão América” e “HulK”, além da citada “Grandes Heróis Marvel” que era uma edição trimestral que trazia a conclusão de uma saga ou uma história épica especial.

O que sempre gostei nas histórias da Marvel, e já escrevi sobre isso aqui no blog (Clique aqui para ler), é a aproximação do universo Marvel com a nossa vida cotidiana. Eram histórias que abordavam valores pessoais, responsabilidade, pré-conceito, combate ao uso de drogas e alcoolismo. Tudo isso é resultado da diretriz criada por Stan Lee de que o leitor de suas histórias deveria se identificar dentro de suas histórias e que devia sempre haver a preocupação com o primeiro leitor.

Stan Lee, com seus quadrinhos, criou diversas revoluções, a saber:

  • Em 1971, Stan Lee combateu e saiu vencedor contra um dos maiores vilões das revistas em quadrinhos, o código dos quadrinhos. O ministério da saúde norte-americano encomendou para o autor uma história sobre os males causados pelas drogas. Lee não hesitou em criar uma trama em três partes, que envolvia seu personagem mais conhecido, o Homem-Aranha, que vê seu melhor amigo se tornar um viciado. Como qualquer abordagem sobre drogas era proibida pelas rigidas regras do Código, a publicação foi recusada. Stan Lançou a revista mesmo sem a autorização e sem nenhum receio, pois contava com o apoio do governo e com o desejo dos próprios leitores, que já estavam cansados das restrições impostas aos quadrinhos. As revistas venderam muito bem e foram aclamadas pela sociedade em virtude da conscientização que propunham. Com isso, o código teve de ser revisto e passou a permitir o tema “drogas”, desde que tratado de maneira negativa.
  • Criou o X-Men com a mensagem “Heróis que são odiados pela humanidade que juraram defender”. Eram os anos 60 e, nesse período, os Estados Unidos eram marcados pela emergência dos movimentos pelos direitos civis. Os afrodescendentes sofriam uma situação social de marginalidade que era institucionalizada e gerou uma reação ainda na década anterior. Ao confrontar a sociedade “padrão” dos brancos, os negros sofreram grande resistência e reagiram. Para se ter uma ideia, o ambiente dos EUA na passagem da década de 1950 para a seguinte não era tão diferente do Apartheid da África do Sul nos anos 1980, por exemplo. Nos EUA, os negros do Sul não podiam sentar nos assentos dos ônibus ou, se pudessem, tinham que ceder lugar para um branco caso ele estivesse em pé. As escolas eram segregadas e os espaços públicos também. Por isso, surgiram vários movimentos de resistência, alguns bem radicais. Havia uma ala mais “moderada” que pregava a convivência pacífica entre brancos e negros, liderada pelo pastor Martin Luther King Jr., que organizou a famosa Marcha pelos Direitos Civis em Washington, DC, em 1964; e, por outro lado, existia uma facção que pregava a violência e a supremacia dos negros perante os brancos, liderada por Malcoln X. Nenhum dos dois sobreviveu aos anos 1960, pois ambos foram assassinados. Antes disso, porém, esse conflito de ideias influenciou os quadrinistas Stan Lee e Jack Kirby a escreverem sobre isso. Ambos vinham de famílias judias e entendiam de segregação. Como o tema era muito inflamado e os quadrinhos sofriam rigorosa fiscalização moral, a dupla criadora do Universo Marvel decidiu disfarçar um pouco a questão e criou o conceito de mutantes: seres humanos que nascem com habilidades especiais (superpoderes) que os diferem dos outros, normais. Assim, o Professor Charles Xavier encarna o ideal de convivência pacífica de Martin Luther King, e funda os X-Men para proteger a humanidade e os mutantes (inclusive deles próprios); por outro lado, há o terrorista conhecido como Magneto, que reúne a Irmandade de Mutantes, encarnando o ideal violento de supremacia de Malcoln X.
    Lee e Kirby delinearam esse contexto complexo e de fundo político desde o primeiro número de The Uncanny X-Men 01, lançada em setembro de 1963.

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  • Nenhum herói é perfeito: Se a ideia dominante do herói é o modelo de conduta, a figura inabalável, a pessoa que sempre faz o bem pensando nos outros antes de si, os heróis de Lee eram marcados por falhas, deficiências ou conflitos morais. Não eram só as origens de Homem de Ferro e Doutor Estranho que partiam de momentos de egoísmo, ou o Quarteto Fantástico que brigava como qualquer família – o mundo real de medo, preconceito, drogas e morte fazia Homem-Aranha, X-Men, Surfista Prateado e outros questionarem até se valia a pena ser herói. Como não lembrar da clássica história do Homem de Ferro: “O Demônio na Garrafa”

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  • Nenhum vilão nasce vilão: Se os heróis tinham alguns tons de cinza, é lógico que os vilões também teriam. Dr. Destino e companhia não eram figuras obstinadas a atingir seus fins pelos meios que fossem, mas também homens que retinham alguma honra, que podiam se questionar. São vários os casos de vilões que viraram heróis como, por exemplo, Feiticeira Escarlate e Mercúrio, que faziam parte da primeira irmandande de mutantes criada por Magneto, mas que, posteriormente se associaram aos Vingadores, junto com outro caso de vilão que vira herói que foi o Gavião Arqueiro.
  • Reconhecimento de sua equipe: Muitos acusavam Stan Lee de se auto-promover como o único criador dos personagens, mas uma de suas marcas era destacar não só seu nome, e sim o de todos colegas que trabalhavam nos quadrinhos Marvel, demonstrando que arte dos quadrinhos é essencialmente colaborativa. Numa época em que os créditos nos gibis não eram regra, Lee pedia um espaço considerável para nomear desenhista, arte-finalista, letreirista, colorista, inventava apelidos aliterativos para cada um – Jack “King” Kirby“Jazzy” John Romita“Mirthful” Marie Severin – e contava causos (alguns fictícios) da redação, o Marvel Bullpen, nas páginas editoriais. Ele, inclusive, costumava colocar adjetivos antes dos nomes dos responsáveis, como “ternamente desenhada por Jack Kirby, para que o público criasse mais empatia com os criadores.
  • Método Marvel: Ao longo da década de 60, Lee foi o escritor e editor da grande maioria das HQs da Marvel. Era humanamente impossível escrever todas as publicações com antecedência, então ele surgiu com uma solução: ele entregaria uma sinopse simples aos desenhistas e, assim que os desenhos estivessem prontos, ele completaria com diálogos. Como ao seu lado estavam lendas como Jack KirbyJohn Romita Sr. Steve Ditko, o processo deu certo e mudou a história das HQs. O processo tornou-se completamente colaborativo e, por isso, muitos acusam Lee de não dar o devido crédito aos desenhistas no Universo Marvel.

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Stan Lee também tinha uma visão de negócios muito boa. Em 1996, após uma série de decisões equivocadas, a Marvel chegou a entrar com pedido de falência com contas vencidas na casa dos 600 milhões de dólares. Mas Stan Lee dizia que não era possível a Marvel estar quebrada, pois somente o Homem-Aranha valia mais de 1 bilhão de dólares. Esse pensamento refletia o que vale realmente na nova economia onde o capital intangível tinha muito mais valor do que o capital tangível. Tudo era apenas uma questão de como transformar o intangível em tangível.

Atolada em dívidas, a Marvel foi obrigada a vender os direitos cinematográficos dos principais personagens, como o Homem-Aranha, que foi parar nas mãos da Sony por 10 milhões de dólares, e os X-Men e o Quarteto Fantástico, repassados para a Fox.

O que era para ser o fundo do poço transformou-se em recomeço, pois acabou se transformando em um divisor de águas para a indústria do entretenimento. X-Men, o filme da Fox, arrecadou 300 milhões de dólares em bilheteria em 2000. Dois anos depois, o Homem-Aranha do diretor Sam Raimi conseguiu impressionantes 850 milhões de dólares.

Mas com a venda dos direitos de seus medalhões, vale lembrar, a Marvel não tinha mais seus personagens principais para fazer produções próprias, sem interferências criativas e sem ter que dividir lucros com outros estúdios. O jeito era vasculhar os arquivos de Stan Lee e Jack Kirby, uma biblioteca de quase mil heróis e vilões, para tentar abocanhar um quinhão desse mercado.

Homem de Ferro, personagem do segundo escalão criado em 1963 e inspirado No excêntrico milionário Howard Hughes, foi o escolhido. E tal qual nos quadrinhos, a fórmula Marvel foi posta mais uma vez pra funcionar, com as mesmas palavras-chave: realismo e continuidade. “A Marvel foi perfeita ao criar um universo também no cinema, linkando pistas e situações que só seriam exploradas em outros filmes”, diz Sidney Gusman, um dos maiores especialistas em quadrinhos no Brasil e responsável pela área de planejamento editorial da Mauricio de Sousa Produções. “As produções foram pensadas para atrair não só o público nerd, mas todo mundo. E assim, conseguiram criar uma teia de filmes e produtos que é impressionante.”

Lançado em 2008, Homem de Ferro arrecadou meio bilhão de dólares, teve duas indicações no Oscar e fez ressurgir a carreira do ator Robert Downey Jr. O resto da história é tudo consequência desse filme como já escrevi em outros posts (clique aqui para ler)

A mais famosa frase criada por Stan Lee,  frase deixada pelo Tio Ben para Peter Parker,  “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, serviu como um norteador das atitudes de diversos fãs ao redor do mundo, incluindo o autor desse blog., pois todos somos responsáveis por fazer o bem. Quanto maior nosso poder, porém, maior a responsabilidade de ser uma pessoa boa.

Se você cumpre estas responsabilidades, e assume isso como um valor de vida, você é um herói. Se você não reconhece suas responsabilidades, você é um vilão.

EXCELSIOR!

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MiniMáxima da Semana

Posted by Marcelão em novembro 12, 2018


“Liderança é aceitar a responsabilidade de permitir que outros atinjam objetivos compartilhados sob condições de incerteza” John Maeda – Designer

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