Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Posts Tagged ‘Mudança de época’

Google – Modelo de inovação na gestão

Posted by marcelao em junho 19, 2008


Pessoal,

             como já havia comentado nos posts anteriores, vivemos em uma época em que serão necessárias novas formas de pensar, novas formas de agir e gerenciar nossas empresas. Esta é uma época caracterizada pelo acesso facilitado a informação, pelo dinanismo das mudanças e que requer maior agilidade das empresas na tomada de decisões, diferente da era passada (revolução industrial) em que as decisões podiam aguardar meses para serem tomadas.

              Essa exigência por maior agilidade nas decisões vai de encontro ao processo decisório dos modelos de gestão atualmente utilizados pela grande maioria das empresas. Nesses modelos, as decisões são tomadas com muita informação buscando diminuir o risco ao máximo possível. A pergunta é : se você tem todas as informações para tomar decisão, porque você precisa de gerentes?

              Como já havia colocado em post anterior, qualquer decisão, por melhor que ela seja, possui um alto nível de risco de estar errada até porque você nunca terá todas as informações disponíveis, até porque para te-las exigirá muito tempo e a um custo elavadissimo. Daí a necessidade de rever os modelos de gestão de forma a envolver mais todos os níveis da empresa nesse processo.

              Para isso, será necessária implantar uma cultura empreendedora na empresa que permita as pessoas a assumirem riscos e experimentar novas soluções. Quando tratamos de risco e experimentação estamos sujeitos ao surgimento de erros durante esse processo, erros esses que são alvo de punição nos modelos de gestão atuais, mas devem ser encarados como instrumento pedagógico nos modelos de gestão inovadores do século XXI.

               Os modelos de gestão inovadores do século XXI exigirão que seja criado um ambiente dentro das empresas que promova e incentive o uso da criatividade dos funcionários e estimulando-os a experimentar suas idéias. Estamos falando de clima e cultura organizacional e de motivação dos funcionários.

               Agora, a pergunta é : Como isso funciona no Google?

               O Google é uma empresa que foi fundada em 1996, ou seja, quando a Internet já estava sendo utilizada em larga escala. Seu negócio é publicidade com base em pesquisas. Para isso, ele oferece um serviço gratuito de pesquisa de termos na Internet e vincula os resultados das pesquisas a anúncios publicitários, os chamados links patrocinados. O resultado é que em três anos (2001-2004) sua receita passou de R$3,2 bilhões de dólares para 10,6 bilhões de dólares e seu valor de mercado saltou para 140 bilhões de dólares.

               Mas qual é a receita para manter esse sucesso e continuar crescendo e inovando?

               Os fundadores sabem que em um mundo de descontinuidade, o que mais importa não é a vantagem competitiva de uma empresa em um dado momento, mas sua vantagem ao longo do tempo. Para isso, era necessário criar um modelo de gestão que acompanhasse a evolução da própria WEB, ou seja, era necessário agilidade para adaptar-se as frequentes mudanças desse século.

               A primeira ação era transformar a empresa em um modelo de empresa que atraisse os talentos existentes no mundo para trabalhar nela. Um dos pilares desse modelo está na missão visionária dos fundadores em transformar o mundo em lugar melhor para viver organizando todas as informações existentes. As pessoas que trabalham no Google acreditam piamente nessa missão.

               Outro pilar desse modelo, era transformar o local de trabalho em um lugar onde as pessoas gostassem de passar a maior parte de seu tempo. O modelo de gestão do google é baseado pequenas unidades de trabalho autonomas (Intraempreendedores – Empresas dentro da empresa), grande número de experiências e feedback intenso entre os colegas. Dentro desse ambiente, um fracasso como o Gmail, em termos de resultado financeiro, é considerado como valioso devido ao aprendizado fortuito que ele rendeu, pois gerou a idéia de criação do AdSense.

               O modelo de pequenas equipes permite uma maior autonomia aos colaboradores da empresa, mesmo em projetos maiores que exigem 30 pessoas, as equipe são divididas em pequenos grupos de no máximo quatro participantes trabalhando no aperfeiçoamento de um serviço especifico. Essa diretriz facilita a agilidade do projeto, uma vez que são menos pessoas para convencer e menos interdependências para administrar. Isso faz com que as equipes pareçam com pequenas start-ups do que uma burocracia inchada.

               Outro pilar do modelo é o fluxo contínuo de informações dentro da empresa. O Google investiu pesado na formação de uma rede de comunicação horizontal que torna fácil para os funcionários trocarem idéias, fazer pesquisas de opinião entre os colegas, recrutar voluntários e formar grupos de mudança. É um sistema de comunicação que é muito mais eficiente do que qualquer sistema de e-mail. Para isso, eles utilizam quatro ferramentas :

                 – Misc-lists -> Mescla de idéias e comentários variados aberta a todos os membros de equipe que envolvem assuntos que vão desde a estratégia polêmica do Google na China até o cardárpio dos refeitórios da empresa.

                 – MOMA -> Linhas de discussão para cada um das várias centenas de projetos internos da empresa, facilitando para as equipes a comunicação de seu progresso, a obtenção de feedback e a solicitação de ajuda.

                 – Snippets -> É um site em que cada engenheiro do Google publica um resumo semanal de medidas e realizações pessoais, possibilitando a pesquisa de qualquer pessoa para localizar pessoas que estão trabalhando em projetos semelhantes, ou simplesmente para se manter em dia sobre os acontecimentos.

                 – TGIF – > Reunião semanal com todo o pessoal no café do GooglePlex, em que os fundadores apresentam novos contratados, resumem os eventos importantes da semana e comandam uma sessão de perguntas e respostas com a participação de todos.

                 É a transparência interna do Google e o feedback continuo entre colegas e não um quadro enorme de gerentes de nível médio, que mantém as iniciativas díspares da empresa no caminho certo. O Google sabe que a única maneira de “administrar” nesse contexto é aplicar o talento coletivo da organização às pequenas e grandes decisões – e isso exige franqueza, transparência e muita comunicação horizontal.

                  Mas, o que poderiamos aproveitar desse modelo e implementar em nossas empresas?

                   Na minha opinião, A primeira medida a ser tomada é valorizar as idéias mais do que as credenciais, ou seja, criar uma democracia de idéias permitindo a todos os colaboradores terem a liberdade de expressar seus pensamentos e opiniões, por mais político que fosse seu posicionamento tornando, por exemplo, o debate interno sobre estratégia e direcionamento em um processo aberto, dinâmico e sem censura da mesma forma que já ocorre na Web com as redes sociais como Orkut e os blogs.

                    A internet destruiu o poder das elites de determinar o que deve ser publicado ou conhecido e como resultado disso temos hoje uma explosão de opiniões, comentários, recomendações e descobertas on-line. Atualmente, 175 mil novos blogs são criados diariamente, e 1,6 milhão de novas postagens são feitas nos blogs existentes. Na Blogosfera, a autoridade não vem de cima, nem pode ser comprada. A única maneira de conseguir credibilidade é escrever o que muitas pessoas querem ler.

                  Nesse contexto, as empresas deveriam convidar seus funcionários a publicar blogs internos impactantes, ou fazer debates on-line, aberto a todos, sobre decisões importantes. Encoraja-los a escrever blogs críticos internos, além de incentivar a leitura e a fazer comentários. O blog pode ser um meio de diálogo que até então não existia dentro das empresas.

                 Os blogs podem ser ferramentas excelentes para criar dentro das empresas um sistema de inteligência coletiva através de aplicação dos principios da democracia na tomada de decisões estratégicas.

Um abraço.

Leia também os seguintes posts :

Livro : O futuro da administração – > Clique aqui para ler;

Livro : Desafios gerenciais do século XXI – > Clique aqui para ler;

Empreendedor corporativo – > Clique aqui para ler;

O que é liderar? – > Clique aqui para ler;

Competências dos lideres do futuro – > Clique aqui para ler;

A importância das pessoas para a inovação nas empresas – > Clique aqui para ler;

As sete leis da criatividade – > Clique aqui para ler;

Livro : Wikinomics – > Clique aqui para ler;

Para os rebeldes. Pense diferente – > Clique aqui para ler;

Revolução na sociedade – > Clique aqui para ler;

Mudança de época requer mudança de pensamento – > Clique aqui para ler;

Época de mudança ou mudança de época – > Clique aqui para ler;

Transformação da empresa deve vir de cima ou de baixo – > Clique aqui para ler;

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Mudança de época requer Mudança de Pensamento

Posted by marcelao em junho 19, 2008


Pessoal,

               como havia prometido no post anterior, farei uma análise do mudança de época que estamos vivendo e da necessidade de mudarmos alguns paradigmas. Esse post é mais uma etapa preparatória para o post onde abordarei o Google como modelo de inovação de gestão e quais as características poderiamos aprender com seu modelo de gestão e adaptar para nossas empresas.

               Como já havia argumentado em posts anteriores, os modelos de gestão refletem muito o momento histórico que a humanidade está passando. Na era da revolução industrial, o processo mecânico de produção acabou sendo o modelo mental para moldar vários processos da sociedade, desde os modelos de educação, muito mais voltados para criar certezas do que dúvidas, uma vez que as máquinas eram perfeitas, até os modelos de gestão das empresas levando as empresas a criarem vários níveis hierárquicos dentro da empresa como se funcionassem como uma linha de produção de um carro.

               Hoje, era da revolução do conhecimento, vivemos uma época onde há excesso de informação, onde lidar com a incerteza é uma das principais características que um lider deve desenvolver. Para isso, esse lider deve procurar desenvolver muito mais a habilidade de encontrar as perguntas a serem respondidas do que em encontrar as respostas para os seus problemas.

                Todo esse excesso de informação que temos hoje devemos uma importante ferramenta dessa era do conhecimento que é a Internet. A Internet passa a ser para a sociedade pós-industrial um modelo mental a ser perseguido assim como foram as máquinas para a sociedade que desenvolveu-se durante a era da revolução industrial.

                 Agora, Vejam o video abaixo :

               Destaco os seguintes pontos :

                – Mais de 50% dos jovens americanos com 21 anos tem gerado conteúdo na Web;

                – Ocorrem 2,7 bilhões de pesquisas no google por mês. A pergunta é : Para onde essas pesquisas eram direcionadas ANTES do Google?

                – Mais de 3.000 livros são publicados por dia;

                Como o video destacou : Vivemos tempos exponenciais.

                Esses tempos exponenciais exigirão uma nova forma de gerir as pessoas. Na verdade, exigirá uma postura e um ambiente na empresa que permita que as pessoas possam se auto-gerir buscando fazer parte de uma missão maior da empresa, procurando colaborar para a criação de uma sociedade mais justa e sustentável.

                Os modelos mentais da revolução industrial incentivaram a exploração sem compromisso com o futuro, o individualismo e a visão mecanicista da sociedade. A transição para essa nova época baseada no conhecimento exigirá postura que visem mais a sustentabilidade, a colaboração entre as pessoas visando a complementaridade das habilidades e conhecimentos e uma maior valorização do individuo como parte de uma coletividade,  de uma comunidade globalizada.

                É baseado nesses conceitos de viver em comunidade e de valorização da colaboração entre as pessoas ao redor do mundo é que abordaremos no próximo post sobre o modelo de gestão do Google.

Até lá e um abraço.

Leia também os seguintes posts :

Livro : O futuro da administração – > Clique aqui para ler;

Liderança do Futuro – Lider 2.0 – > Clique aqui para ler;

Motivação – O que é isso? – > Clique aqui para ler;

O que é liderar? – > Clique aqui para ler;

Importância das pessoas para a inovação – > Clique aqui para ler;

Transferência de poder e nova postura do profissional – > Clique aqui para ler;

 Livro : Desafios gerenciais do século XXI – > Clique aqui para ler;

Como transformar sua empresa em uma empresa adaptável aos novos tempos? – > Clique aqui para ler;

Época de mudança ou mudança de época? – > Clique aqui para ler;

Livro : O lider do futuro – > Clique aqui para ler;

Competências dos lideres do futuro – > Clique aqui para ler;

Competências dos lideres do futuro II – > Clique aqui para ler;

A sua empresa é do século XXI? – > Clique aqui para ler;

Medo – barreira para inovação – > Clique aqui para ler;

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Prosumer – Caso Prático

Posted by marcelao em junho 10, 2008


Pessoal,

              um dos primeiro posts que escrevi foi o resumo do livro Wikinomics. No livro é abordado a necessidade que as empresas tem de inovar com seus clientes, tarefa essa facilitada pela existência de grandes redes sociais como o Orkut e o Facebook. Daí surge o conceito de PROSUMER, ou seja, consumidores atuando também como colaboradores para empresas no processo de criação de novos produtos ou de idéias que serão consumidos por esses mesmo consumidores. Outro termo utilizado para caracterizar esses consumidores é “Consumidor 2.0”.

              Se fizermos um resgate histórico das três ondas de toffler, na primeira onda (revolução agricola), o fazendeiro era responsável por todo o processo, desde a plantação dos alimentos, passando pela manutenção e irrigação da terra, até o processo de venda. No ato da venda, esse mesmo fazendeiro tinha o feedback do cliente quanto a qualidade do seu produto seja por sugestões ou reclamações do cliente, seja pela baixa venda. Esse feedback realimentava o processo do fazendeiro fazendo com que ele melhorasse cada vez mais a qualidade do seu produto, ou seja, o estímulo a melhoria era gerado pelos seus clientes.

               Com o tempo, essa estrutura de fazendas teve que crescer porque já não atendia a demanda do mercado, foi onde houve o investimento nas grandes máquinas e a criação das indústrias (revolução industrial). Para que fosse possível controlar o processo produtivo com mais qualidade, as indústrias começaram a criar mais níveis hierárquicos, o que começou a afastar o nível de decisório, que na revolução agricola era de responsabilidade do fazendeiro, do contato com o cliente final, porque para essa informação (feedback do cliente) chegasse ao presidente da empresa, era necessário passar por vários níveis, o que acabava por distorcer a mensagem inicial.

               Hoje em dia (Revolução do conhecimento), com as redes sociais como o Orkut e o Facebook, o contato com o cliente final ficou mais facilitado. E um exemplo prático disso, você pode constatar acessando o link http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=16659751&tid=5209865359523411841&start=1 que é um tópico criado na comunidade “Aprendiz 5 # O sócio” no orkut. Nesse tópico, a primeira vencedora do aprendiz, Vivianne Ventura, participará como entrevistadora oficial da comunidade entrevistando os demitidos do programa logo após o programa. Além disso, alguns representantes da comunidade estarão na platéia do auditório no programa final do Aprendiz.

               Trata-se de um exemplo prático de uso das redes de relacionamento pelas empresas na busca da inovação dos seus produtos, pois além desse tópico, existem outros tópicos com diversas sugestões dos participantes para melhoria do programa.

Um abraço.

Leiam também os seguintes posts :

Livro : Wikinomics – > Clique aqui para acessar;

Transferência de poder e nova postura do profissional – > Clique aqui para acessar;

Palestra realizada na Aiec – > Clique aqui para acessar;

Revolução na sociedade – > Clique aqui para acessar;

Quanto vale uma empresa da nova economia? – > Clique aqui para acessar;

A sua empresa é do século XXI? – > Clique aqui para acessar;

Livro : Desafios gerenciais do século XXI – > Clique aqui para acessar;

Como transformar sua empresa em uma empresa adaptável aos novos tempos? – > Clique aqui para acessar;

Época de mudança ou mudança de época? – > Clique aqui para acessar;

Livro : O lider do futuro – > Clique aqui;

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Modelos de Gestão – Necessidade de evolução

Posted by marcelao em junho 4, 2008


Pessoal,

             como já comentei em outros posts, estamos passando por uma transformação silenciosa que muitos consideram como uma época de mudança, mas que na verdade trata-se de uma mudança de época. Uma época em que as relações entre capital e trabalho, empresa e funcionários também sofrem mudanças, principalmente se levarmos em consideração fatores como a globalização e a maior facilidade de acesso as informações, o que aumenta o nível de competitividade no mercado mundial.

             Na palestra que realizei na AIEC (acesse o post aqui e baixe a apresentação), discursei sobre as três formas de exercício de poder que são através da violência, riqueza e informação. Podemos relacionar essas três formas de poder as três ondas de Toffler que envolvem a revolução agrícola, revolução industrial e a revolução da informação. Antes da revolução agricola, o poder era exercido através da violência. Na revolução agricola e industrial, o poder passa a ser exercido pelo acumulo de riquezas como posse de terras, ou pela posição hierárquica dentro do organograma da empresa caracterizados pelos altos salários.

             Nessas duas revoluções, a quantidade de cursos níveis superiores e de pessoas que possuiam os titulos referentes a esses cursos era um número pequeno e, na sua grande maioria, disponíveis no continente europeu, ou seja, a graduação somente era viável economicamente aos filhos dos grandes fazendeiros ou grandes industriais, principalmente nos países mais pobres.

             Com o aumento do número de faculdades e com o acesso a informação cada vez mais facilitado, principalmente com o advento da internet, o trabalhador começou a possuir mais informação e, consequentemente, a formar mais conhecimento. Apenas, para exemplificar, há dez anos atrás era possível que a maioria das pessoas em uma empresa de tecnologia não possuissem nível superior, realidade completamente diferente dos tempos atuais onde as pessoas possuem, no minimo, um curso de nível superior.

             Agora, prestem atença a figura abaixo :

 

            Eu pergunto a vocês : Existe alguma diferença entre esses objetos? Se analisarmos conceitualmente, não houve nenhuma mudança, todos eles são, em essência, jogos ou brinquedos para entretenimento. O que mudou foi a forma de oferecer esse entretenimento, a tecnologia ofereceu novas possibilidades permitindo que o joguinho de basquete do aquaplay pudesse ser jogado com maior interatividade, com maior proximidade de um ambiente de um jogo de basquete e com imagens mais precisas.

            Utilizando esse último parágrafo como analogia, eu pergunto o que mudou nos modelos de gestão das empresas? Será que eles se adaptaram aos novos tempos onde os trabalhadores possuem acesso mais fácil a informação e possuem um nível de escolaridade maior que os trabalhadores do século passado incluindo faculdades, MBAs e em alguns casos até mestrado e doutorado?

            Na minha opinião, a resposta é não. Os modelos de gestão ainda estão baseados no exercício do poder através da hierarquia, da posição superior no organograma da empresa, no comando e controle das atividades pelo supervisionamento. Não há nenhum erro nesses modelos, afinal de contas, eles nos trouxeram até os dias de hoje e são responsáveis por muitas das facilidades que a nossa vida atual possui. O que ocorre é que eles não evoluiram, não se adaptarem aos novos tempos, tempos de maior instabildade em que o conhecimento passa a ser o bem mais valioso de uma empresa, onde o talento humano é escasso e valioso.

            Toda a empresa é construído sobre três pilares : Processos, Ferramentas e Pessoas. Processos para definir o que deve ser desenvolvido e como deve ser desenvolvido, ferramentas como os computadores para otimizar a execução dos processos com maior agilidade, precisão e segurança. Mas o que faz a diferença nesse mundo cada vez mais globalizado são as pessoas. Pessoas com talento, com vontade de empreender, de assumir riscos. Pessoas dispostas a se adaptarem com rapidez as mudanças do ambiente competitivo, capazes de criar e inovar, de trabalhar em equipe e com ética.

            Então, vocês podem perguntar : Mas processos e ferramentas não são importantes também? Claro que são, mas estão disponíveis para todas as empresas, tornaram-se comodities. O servidor de última geração que você adquire para sua empresa, também pode ser comprado pelo seu concorrente. Implantar um processo de gestão de projetos pode ser feito por qualquer empresa, mas o que vai tornar a sua empresa diferente do seu concorrente é o nível de talento que as pessoas da sua empresa apresentam.A pessoa de talento é diferenciada, não é todo mundo que tem e não são todas as empresas que estão dispostas a pagar por essas pessoas talentosas que fazem a diferença.

             Para trabalhar com essas pessoas de talento ou fazer com que as pessoas da sua empresa produzem cada vez mais e melhor e venham a se tornar novos talentos, será necessário evoluir os modelos de gestão das empresas. Será necessário evoluir de um modelo calcado no controle e policiamento para um modelo que vise a facilitar e possibilitar o trabalho de pessoas talentosas.

             Será necessário desenvolver líderes que atuem como comunicadores da visão estratégica da empresa permitindo que as pessoas possam se autogerir sem a necessidade de supervisão.  Exigirá a diminuição dos níveis hierarquicos das empresas para que as decisões sejam tomadas com maior velocidade e qualidade, deixando-as mais a cargo de quem executa as tarefas e não de pessoas que estão longe do processo produtivo e não vivenciam a realidade do dia-a-dia.

            O ambiente competitivo mudou. Hoje o poder das empresas está sendo transferido para o trabalhador do conhecimento. Diante disso, há uma necessidade urgente de se evoluir os modelos de gestão das empresas.

 

Um abraço.

Leia também os seguintes posts :

Época de mudança ou mudança de época? – Clique aqui para ler;

Revolução na sociedade – > Clique aqui para ler;

Livro : Wikinomics – > Clique aqui para ler;

Quanto vale uma empresa da nova economia? – > Clique aqui para ler;

Transferência de poder e nova postura do profissional – > Clique aqui para ler;

Competências dos lideres do futuro – II – > Clique aqui para ler;

A sua empresa é do século XXI? – > Clique aqui para ler;

Miopia gerencial – > Clique aqui para ler;

Livro : O futuro da administração – > Clique aqui para ler;

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Palestra Realizada na AIEC

Posted by marcelao em maio 18, 2008


Pessoal,

            hoje estive na AIEC – Faculdade de administração de Brasília, onde realizei uma palestra para os alunos com o título “Época de mudança ou mudança de época?”.

            Na palestra procurei apresentar o cenário atual em que as empresas estão competindo atualmente, apresentando um resgate histórico do que poderíamos chamar de primeiras empresas na era da revolução agricola, passando pela revolução industrial e chegando ao nosso momento atual que é a era do conhecimento.

            Apresentei o que essas mudanças representavam para cada um de nós como individuos membros de uma sociedade que está em transformação, da exigência de uma nova atitude frente aos tempos atuais de muita complexidade e de comoditização dos processos e das ferramentas, onde as empresas têm que buscar diferencial competitivo através das pessoas.

            Pessoas com talento, pessoas que criam e que inovam, que estão dispostas a assumir riscos e ter uma atitude positiva frente aos desafios dessa nova era. Pessoas que não aceitam a mesmice e procuram sempre o novo e a melhoria contínua através do aprendizado contínuo.

            Procurei fazer uma relação entre o empreendedorismo, a inovação e a gestão de projetos no que diz respeito a gerar novos produtos, em assumir riscos e como vantagem competitiva.

            No final abordamos um pouco sobre a necessidade de evolução dos modelos de gestão utilizados atualmente nas empresas. Modelos esses que precisam dar um salto e se aproximar do modelo da Internet, onde todos têm o direito de opinar, a capacidade conta mais que cargos, o comprometimento é voluntário e as idéias competem em igualdade.

            Segue abaixo o arquivo com os slides da palestra. Você pode visualiza-los aqui mesmo no blog ou no site do slideshare onde é possível fazer o download, basta clicar no icone do slideshare no canto inferior direto.

           Espero que todos os alunos da AIEC tenham gostado, uma vez que ao final muitos vieram agradecer pela palestra.

Um abraço.

Veja também os posts utilizados na palestra :

Liderança – Existe espaço para arrogância no mundo de Hoje? – > Clique aqui para ler ;

Transferência de poder e nova postura do profissional – > Clique aqui para ler;

Medo – barreira para inovação – > Clique aqui para ler;

Empreendedor corporativo – > Clique aqui para ler;

Processo decisório – > Clique aqui para ler;

Época de mudança ou mudança de época – > Clique aqui para ler;

Motivação – O que é isso? – > Clique aqui para ler;

Empreendedorismo, inovação e projetos – > Clique aqui para ler;

Livros utizados na palestra :

Acesse a página de livros recomendados : Clique aqui para acessá-la.

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As sete leis da criatividade

Posted by marcelao em maio 15, 2008


Pessoal,

              como já foi colocado em outros posts nesse blog, vivemos uma mudança de época em que a competição entre as empresas está cada vez mais acirrada, e para sobreviver nesse ambiente de competividade, elas precisam inovar para sobreviver e obter vantagem competitiva.

               Diante disso, reproduzo abaixo as sete leis da criatividade apresentadas por Rodrigo Lóssio no artigo “Um passo para a inovação”. No artigo, Rodrigo argumenta que não é mais possível admitir que, em pleno século XXI, uma empresa que almeja o sucesso não tenha como lema a inovação, mas que é preciso combinar esse principio com o principio do processo criativo e, só assim, as organizações continuarão a existir nas próximas décadas e, junto com outras ações estruturantes, manterem-se competitivas.

               Esse ambiente exigirá que as empresas procurem trabalhadores com perfil mais empreendedor disposto a pertubar a ordem econômica com um novo produto ou serviço, tendo como base o processo criativo.

                As sete leis da criatividade são :

  1. Domine a auto-critica – A primeira e talvez mais simples providência que você pode empreender para melhorar a sua criatividade é entrar em contato com o seu senso de auto-avaliação;
  2. Seja um entusiasta da mudança – A ligação entre criatividade e mudança é óbvia, pois é esse processo que permite a implementação das idéias criativas, às vezes em detrimento do já existente.
  3. Busque o diferente – Não fique no usual : Leia assuntos diferentes, coma pratos exóticos, percorra caminhos alternativos, fale com pessoas de experiências diversas.
  4. Persista – Chover no molhado é preciso. Faz parte da natureza o principio da seleção, quer seja de espécies, quer seja de idéias.
  5. Aumente o seu conhecimento – Fator imprescindível a criatividade : o conhecimento formal e teórico ou o conhecimento tácito e prático de como fazer algo.
  6. Distribua a sua criatividade – Faça com que pelo menos uma parte de seus esforços criativos beneficie outras pessoas além de você.
  7. Sonhe com o impossível – Imaginar o futuro, por mais impossível, fantástico, ou aparentemente irrealizável que pareça, além de ser sedutor, é a marca registrada dos grandes inventores, e de alguns dos grandes gênios.

               Avalie cada uma das leis e analise em quais você se encaixa. Depois estabeleça um plano para cumprir as demais. Lembre-se que inovar é o passo final de um longo caminho. Nas empresas trata-se de um processo longo, dificil e doloroso de mudança da cultura organizacional e que exige disciplina e determinação por parte de todos os níveis das empresas.

Um abraço.

Leia também :

Empreendedor corporativo – > Clique aqui;

Medo – Barreira para inovação – > Clique aqui;

Empreendedorismo, Inovação e projetos – > Clique aqui;

Resumo Palestra Jack Welch – > Clique aqui;

Empreendedorismo Corporativo e o gerente de projetos – > Clique aqui;

 Livro : O futuro da administração – > Clique aqui;

Transformação da empresa deve vir de cima ou de baixo? – > Clique aqui;

Inovação é só em produto? – > Clique aqui;

A importância das pessoas para inovação nas empresas – > Clique aqui;

A sua empresa é do século XXI? – > Clique aqui;

Um abraço.

 

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Época de mudança ou Mudança de Época?

Posted by marcelao em abril 21, 2008


Pessoal,

              muito tem se falado que vivemos uma época de mudança constante, mas faço a seguinte pergunta : Estamos vivendo uma época de mudança ou uma mudança de época?

              A quantidade de informações que temos acesso hoje e principalmente a facilidade de acesso a essas informações estão trazendo mudanças na sociedade como o aumento do poder do consumidor, cidadãos mais conscientes dos seus direitos e deveres, crescimento exponencial dos blogs,informação disponível ONDE e QUANDO você quiser, …

              Será que a nossa geração e as gerações futuras estão preparadas para acompanhar essa época de transição?

              Abaixo, segue um vídeo que vai ajudar a você a encontrar as respostas ou mais questionamentos :

              Destaco alguns pontos ;

              – De acordo com o secretário de Educação norte-americano Richard Riley, os 10 empregos que serão mais demandados em 2010 ainda não existiam em 2004, ou seja, nós estamos preparando estudantes para trabalhos que ainda não existem, para usar tecnologias que ainda não foram inventadas e a resolver problemas que nós ainda ainda não sabemos quais são;

             – Em 2006 – armazenamento de DVD = 4.7 GB, em 2010 será 750 GB;

             – Nós vivemos tempos exponenciais;

             – São feitas 2,7 bilhões de pesquisas no google por mês, a pergunta é : antes do Google, para onde essas perguntas eram endereçadas?;

             – O número de mensagens de texto enviadas e recebidas todos os dias supera a população do planeta.

             – Mais de 1.442 novos livros são publicados diariamente;

             – Estima-se que 1.5 EXABYTES de informações novas serão geradas ao redor do mundo este ano. Isto é mais do que nos últimos 5.000 anos. Isto significa que para um estudante que inicia uma graduação de quatro anos, metade do que ele aprenderá no primeiro ano estará desatualizado no terceiro ano de estudo.

            – Previsões são de que em 2013, um supercomputador será construído e ele irá superar a capacidade de raciocínio do cerébro humano;

            – Os jovens precisam urgentemente de novas habilidades para ter sucesso na economia Global. Precisamos enfatizar a necessidade de que os estudantes aprendam com outros ao redor do mundo e ressaltar que 3 habilidades serão necessárias para ensinar nossas crianças :

                     – Lidar cargas massivas de informação;
                     – Ensinar a se comunicar globalmente;
                     – Ensiná-los a se auto-gerenciar e o auto-aprendizado;

            As perguntas são :

                     – Nossos alunos sabem lidar com cargas massivas de informação?
                     – Nós temos mudado nossos métodos de ensino para acompanhar essas novas tecnologias?
                     – Nossos alunos sabem comunicar-se globalmente?
                     – Nossos alunos sabem se auto-gerenciar e sabem aprender sozinhos?

Fecho com a frase de Albert Einstein :

“Nós não podemos resolver os problemas atuais usando o mesmo modelo mental e de pensamento que os criou.”

VIVEMOS TEMPOS EXPONENCIAIS.

Um abraço e “KEEP THE FAITH”

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