Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Posts Tagged ‘Wikinomics’

Inovação – O poder da colaboração

Posted by Marcelão em junho 15, 2008


Pessoal,

              nos últimos meses, tenho reparado que muitas revistas ligadas ao mundo corporativo tem apresentado algumas reportagens considerando a capacidade de colaboração como um dos fatores mais criticos na busca da inovação, principalmente em reportagens ligadas ao Google e ao site Innocentive.

              O Google todo mundo conhece, mas o Innocentive é um portal independente que reune mais de 30 grandes empresas americanas(Boeing, Procter&Gamble, IBM, …)  e um grupo de 1400 pesquisadores em 175 países. Nesse portal, as empresas lançam desafios que elas não conseguiram resolver internamente e recompensam em dinheiro as pessoas que apresentarem as soluções. É o conceito de Inovação aberta utilizando as redes sociais onde você busca o conhecimento onde ele estiver, independente se ele está dentro ou fora da sua empresa.

               Vamos a relação das publicações que abordaram esses dois exemplos de colaboração :

               Google :

                           – Revista Exame – > Edição 915 de 09/04/2008;

                           – Revista Harward Business Review – > Edição de abril/2008;

                           – Revista Hsm Management – > Edição de maio/junho de 2008;

               InnoCentive :

                            – Revista Exame : Edição 920 de 18/06/2008;

                            – Revista Business Week de Junho/2008;

                            – HSM Management de set/outubro de 2002;

               Na literatura, relacionado ao Google tivemos o livro “O Futuro da Administração” de Gary Hammel(leia o resumo do livro clicando aqui) e ao InnoCentive tivemos o livro “Wikinomics” de Don Tapscott (Leia o resumo do livro clicando aqui).

               Esses dois exemplos evidenciam cada vez mais a necessidade de mudança dos modelos de gestão das empresas se quiserem sobreviver no século XXI, era da revolução do conhecimento. Os modelos de gestão atuais das empresas ainda estão na era da revolução industrial em que a criatividade e o poder da inovação ficavam restritos aos altos escalões da empresa e mantidas a sete chaves como segredos industriais.

                  Ocorre que vivemos em uma nova era na qual as pessoas participam da economia como nunca antes devido as profundas mudanças na demografia, nos negócios, no mundo e, principalmente, na tecnologia que permite que as pessoas se conectam cada vez mais livremente em redes de colaboração para produzir bens e serviços de uma maneira muito tangível contínua, uma vez que uma quantidade excessiva de pessoas era excluída da circulação de conhecimento, poder e capital e, portanto, participava das margens da economia.

 

               No slide acima, disponibilizado no site do Clemente Nóbrega (www.clementenobrega.com.br), vocês podem perceber que os ciclos da economia(crescimento, recessão, depressão e retomada) estão cada vez mais menores. Diante desses ciclos cada vez menores, as empresas são forçadas a diminuir cada vez mais os ciclos de inovação, mas encontram-se diante do dilema da inovação que é a questão do risco de se inovar, pois a inovação depende muito da aceitação dos clientes, uma vez que os produtores inovadores precisarão também de clientes inovadores.

               Esse risco pode ser mitigado de duas formas :

               – Inovando com seus clientes : Criando redes de colaboração com seus clientes e tornando-os cada vez mais produtores do produtos e serviços que eles mesmos consumirão mais tarde, ou seja, criando uma comunidade de prosumers. Milhões de pessoas já unem forças em colaborações auto-organizadas que produzem novos bens e serviços dinâmicos;

               – Inovando com seus fornecedores : Um dos benefícios de inovar com fornecedores é que você compartilha os riscos e os custos do processo como um todo;

               Empresas como o Google e o InnoCentive são modelos de empresas já ambientadas na era conhecimento e na era da Internet. Nesse sentido, a Internet é a ferramenta ideal para disseminar esses modelos de gestão baseados em colaboração para outras empresas visando a colaboração massiva entre empresas, funcionários, clientes e fornecedores. Essa colaboração em massa traz muitas oportunidades de negócios para as empresas através de redes sociais como o Orkut e os blogs. Os blog representam cada vez mais o “Poder do nós”, cujas informações podem se disseminar com grandes rapidez e ferir companhias, mas que também podem ser encarados como oportunidades de um relacionamento mais próximos com funcionários e clientes.

               A Internet tem essa capacidade suprema de formar grupos. Diante disso, os modelos de gestão do século XXI devem se aproximar cada vez mais do modelo da Internet onde todos têm o direito de opinar, as idéias concorrem em pé de igualdade, a capacidade conta mais que cargos e credenciais, o acesso a informação é livre e as decisões são tomadas entre os usuários. 

Um abraço.

Leia também os seguintes posts :

Livro : Wikinomics – > Clique aqui para ler;

Livro : O futuro da Administração – > Clique aqui para ler;

Inovação é só em produto> – > Clique aqui para ler;

Como transformar sua empresa em uma empresa do século XXI – > Clique aqui para ler;

A sua empresa é do século XXI? – > Clique aqui para ler;

Transferência de poder e nova postura do profissional – > Clique aqui para ler;

Quanto vale uma empresa da nova economia – > Clique aqui para ler;

Época de mudança ou mudança de época – > Clique aqui para ler;

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Prosumer – Caso Prático

Posted by Marcelão em junho 10, 2008


Pessoal,

              um dos primeiro posts que escrevi foi o resumo do livro Wikinomics. No livro é abordado a necessidade que as empresas tem de inovar com seus clientes, tarefa essa facilitada pela existência de grandes redes sociais como o Orkut e o Facebook. Daí surge o conceito de PROSUMER, ou seja, consumidores atuando também como colaboradores para empresas no processo de criação de novos produtos ou de idéias que serão consumidos por esses mesmo consumidores. Outro termo utilizado para caracterizar esses consumidores é “Consumidor 2.0”.

              Se fizermos um resgate histórico das três ondas de toffler, na primeira onda (revolução agricola), o fazendeiro era responsável por todo o processo, desde a plantação dos alimentos, passando pela manutenção e irrigação da terra, até o processo de venda. No ato da venda, esse mesmo fazendeiro tinha o feedback do cliente quanto a qualidade do seu produto seja por sugestões ou reclamações do cliente, seja pela baixa venda. Esse feedback realimentava o processo do fazendeiro fazendo com que ele melhorasse cada vez mais a qualidade do seu produto, ou seja, o estímulo a melhoria era gerado pelos seus clientes.

               Com o tempo, essa estrutura de fazendas teve que crescer porque já não atendia a demanda do mercado, foi onde houve o investimento nas grandes máquinas e a criação das indústrias (revolução industrial). Para que fosse possível controlar o processo produtivo com mais qualidade, as indústrias começaram a criar mais níveis hierárquicos, o que começou a afastar o nível de decisório, que na revolução agricola era de responsabilidade do fazendeiro, do contato com o cliente final, porque para essa informação (feedback do cliente) chegasse ao presidente da empresa, era necessário passar por vários níveis, o que acabava por distorcer a mensagem inicial.

               Hoje em dia (Revolução do conhecimento), com as redes sociais como o Orkut e o Facebook, o contato com o cliente final ficou mais facilitado. E um exemplo prático disso, você pode constatar acessando o link http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=16659751&tid=5209865359523411841&start=1 que é um tópico criado na comunidade “Aprendiz 5 # O sócio” no orkut. Nesse tópico, a primeira vencedora do aprendiz, Vivianne Ventura, participará como entrevistadora oficial da comunidade entrevistando os demitidos do programa logo após o programa. Além disso, alguns representantes da comunidade estarão na platéia do auditório no programa final do Aprendiz.

               Trata-se de um exemplo prático de uso das redes de relacionamento pelas empresas na busca da inovação dos seus produtos, pois além desse tópico, existem outros tópicos com diversas sugestões dos participantes para melhoria do programa.

Um abraço.

Leiam também os seguintes posts :

Livro : Wikinomics – > Clique aqui para acessar;

Transferência de poder e nova postura do profissional – > Clique aqui para acessar;

Palestra realizada na Aiec – > Clique aqui para acessar;

Revolução na sociedade – > Clique aqui para acessar;

Quanto vale uma empresa da nova economia? – > Clique aqui para acessar;

A sua empresa é do século XXI? – > Clique aqui para acessar;

Livro : Desafios gerenciais do século XXI – > Clique aqui para acessar;

Como transformar sua empresa em uma empresa adaptável aos novos tempos? – > Clique aqui para acessar;

Época de mudança ou mudança de época? – > Clique aqui para acessar;

Livro : O lider do futuro – > Clique aqui;

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Livro : Wikinomics

Posted by Marcelão em março 1, 2008


           Livro elaborado pelo consultor em estratégias Don Tapscott que aborda temas relacionados a mudança que a colaboração vem trazendo e que revoluciona os relacionamentos entre empresas com os vários públicos interessados (stakeholders) como, por exemplo, seus clientes, colaboradores e fornecedores. Temas como redes e sociais, inovação com clientes e relacionamentos com comunidades pelo mundo são abordados com muita profundidade e com apresentação de vários cases que comprovam as teorias apresentadas pelo autor. São apresentados casos de colaboração como o Linux, Wikipedia, youtube, Second Life e o projeto Genoma Humano.

           O livro aborda casos de muitas empresas inteligentes que, ao invés de combater, estão estimulando o crescimento vertiginoso de enormes comunidades on-line levando até mesmo concorrentes ferrenhos colaborarem em parceria em iniciativas cientificas revolucionarias que aceleram a descoberta em seus campos de atuação. O motivo para construção dessas parcerias vem da consciência que as empresas precisam inovar para continuar existindo, sendo que para inovar é preciso investir em pesquisas que envolvem riscos altos e quando há parceria, esses riscos são compartilhados e no caso de haver prejuízos devido a inovações que não deram certo, os prejuízos também são divididos. Além disso, a colaboração em massa traz outros benefícios como redução de custos, inovação com mais rapidez, parcerias com clientes e sócios, além de colocar a empresa no ambiente empresarial do século XXI.

               No passado, a colaboração era de pequena escala, pois uma quantidade excessiva de pessoas era excluída da circulação de conhecimento, poder e capital, e portanto, participava das margens da economia. Ela ficava restrita em pequenos territórios como comunidades, locais de trabalho e acontecia apenas entre amigos, parentes e sócios nesses locais. Com o advento da Internet e da WEB 2.0 tudo mudou, pois torna o acesso dessas pessoas a apenas um click no mouse o que coloca todas essas pessoas para participarem da inovação e da criação de riqueza em cada setor da economia. 

            Um dos exemplos apresentados no livro é de uma pequena firma de mineração de ouro com sede em Toronto chamada Goldcorp que estava lutando para sobreviver, sitiada por greves, dividas prolongadas e um custo de produção excessivamente alto, o que havia provocado a interrupção das operações de mineração. Para completar o cenário, o mercado estava em recessão e não havia indicios de novos depósitos significativos de ouro. Tudo isso levava a crer que a GoldCorp iria a falência.

            A salvação veio após os geólogos da empresa encontrarem outra propriedade onde foi feita uma descoberta importante : perfurações de teste sugeriam novas e grandes jazidas de ouro, com uma quantidade trinta vezes superior à que a GoldCorp estava extraindo até aquele momento, mas após anos de explorações, os geólogos tinham dificuldade em fornecer uma estimativa precisa do valor e da localização exata do ouro.

             Com o futuro ainda incerto, o presidente da empresa, Rob McEwen,  tirou uma licença para desenvolvimento pessoal quando esteve em uma conferência sobre Linux onde ouviu atentamente a história de como Linus Torvalds e uma turma de voluntários de programadores de software haviam montado, através da Internet, um sistema operacional de primeira classe com a ajuda e contribuição de milhares de programadores anônimos ao redor do mundo.

           McEwen ponderou sobre esse fenômeno e teve um insight. Se os funcionários da GoldCorp não conseguiam achar o ouro, talvez outra pessoas pudesse conseguir e a chave para achar essas pessoas seria abrir o processo de exploração da mesma maneira que Torvalds “abriu o código” do Linux. Tal idéia representava uma quebra de paradigma para a empresa, uma vez que a indústria da mineração é muito fechada e os dados geológicos são os recursos mais preciosos e bem guardados.

           Em março de 2000 foi lançado o “Desafio GoldCorp” com um prêmio de U$575.000,00 para os participantes que tivessem os melhores métodos e estimativas. As notícias do concurso se espalharam rapidamente pela Internet à medida que mais de mil prospectores virtuais se ocupavam em analisar os dados. Vieram contribuições de várias fontes, entre elas alunos de pós-graduação, consultores, matemáticos e oficiais militares, todos querendo uma parte do prêmio. No final, foram identificados 110 alvos de exploração, dos quais 50% não haviam sido identificados previamente pela empresa e mais de 80% dos novos alvos produziram quantidades significativas de ouro. Resultado de tudo isso, a empresa saltou de um faturamento de U$100 milhões para U$ 9 bilhões e suas ações saltaram de cem dólares em 1993 para mais de U$ 3 mil hoje.

             Esse é um exemplo de busca de novos talentos fora do limite da organização e da exploração da genialidade  e de competências coletivas através do compartilhamento de propriedade intelectual. Um exemplo de que a colaboração em massa pode transformar todas as instituições em sociedades.

           Como já havia colocado em posts anteriores (Você pode acessar aqui, aqui e aqui), essas tranformações apresentadas pelo autor exigirão uma nova postura dos lideres empresariais, uma nova maneira de pensar sobre competitividade em virtude das mudanças profundas que estão ocorrendo na economia do século XXI que modificam as estruturas e modus operandi das empresas, mudanças baseadas em abertura, transparência, relação de confiança, compartilhamento e ação global. Toda essa mudança só foi possível com a expansão cada vez mais frequente da internet e o avanço da WEB 2.0, pois com isso bilhões de individuos conectados podem agora participar ativamente da inovação, da criação de riqueza e do desenvolvimento social de uma maneira que antes era apenas um sonho. Esse é um mundo sem volta, onde as pessoas participam da economia como nunca antes.

            Essas mudanças fazem com que as corporações tranformem-se em instituições sociais – como comunidades. Passando a funcionar melhor quando seres humanos comprometidos trabalham em relações cooperativas, sob condições de respeito e confiança. Se essa transformação não ocorrer, a instituição empresarial como um todo poderá entrar em colapso. Diante disso, Os presidentes das empresas devem adotar uma nova postura, uma postura que estimule o trabalho em equipe e a saúde corporativa a longo prazo, e que passando a enxergar os seres humanos como sendo os “maiores ativos” das empresas.

              Só quando entendermos que as empresas trabalham como comunidades para chegar a grandeza, e que as sociedades combinam necessidades sociais e econômicas para atingir o equilíbrio, é que as empresas entrarão, realmente, no ambiente empresarial do século XXI.

Um abraço

P.S : Leia o resumo de outros livros que recomendo nesse link.

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