Blog do Marcelão

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Você sabia? Marvel e o Exterminador do Futuro

Posted by Marcelão em novembro 20, 2018


PessoALL,

estou criando esse seção onde vou apresentar pequenas curiosidades que poucas pessoas sabem.

A primeira curiosidade é: Você sabia que o primeiro filme da cinesérie “O Exterminador do Futuro” foi baseado em história em quadrinhos da Marvel?

Em 1984, o diretor de O Exterminador do Futuro, James Cameron, junto de William Wisher Jr. e Gale Anne Hurd, se inspirou em uma clássica história dos X-Men para criar o roteiro do seu filme sobre viagem no tempo e robôs assassinos. A história em quadrinhos “Dias de um Futuro Esquecido” foi lançada em 1981 com roteiro de Chris Claremont e arte de John Byrne, e contava a história de mutantes sobreviventes de um mundo onde robôs gigantes dominavam a humanidade e onde os mutantes eram mantidos em campos de concentração. Como última esperança, a mente de um dos X-men é enviada para o seu corpo no passado para tentar evitar eventos que causaram esse futuro catastrófico.

Por vários motivos, “Dias de um futuro esquecido” marcou época, tornando-se uma das HQs mais influentes dos X-Men. Eu mesmo, até aquele momento, não me interessava pelas histórias dos X-men. Na época, a revista que publicava as histórias dos X-men era “SuperAventuras Marvel” e eu a comprava por causa das histórias do Demolidor. No entanto, um dia eu decidi ler essa história e foi ai que comecei a gostar de X-Men.

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Excelsior, Stan Lee!

Posted by Marcelão em novembro 13, 2018


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PessoALL,

quem acompanha esse blog sabe o quanto sou fã das histórias em quadrinhos da Marvel, por isso, diante da morte do grande mestre Stan Lee, não poderia deixar de publicar um post sobre isso.

Comecei a ler quadrinhos da Marvel com a edição nº 8 de “Grandes Heróis Marvel” que trazia um combate entre dois dos maiores grupos de super-heróis da Marvel, os Vingadores e os Defensores.

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A partir dessa edição, eu comecei a colecionar todas as edições publicadas pela Abril que incluiam “Heróis da TV”, “SuperAventuras Marvel”, “Homem-Aranha”, “Capitão América” e “HulK”, além da citada “Grandes Heróis Marvel” que era uma edição trimestral que trazia a conclusão de uma saga ou uma história épica especial.

O que sempre gostei nas histórias da Marvel, e já escrevi sobre isso aqui no blog (Clique aqui para ler), é a aproximação do universo Marvel com a nossa vida cotidiana. Eram histórias que abordavam valores pessoais, responsabilidade, pré-conceito, combate ao uso de drogas e alcoolismo. Tudo isso é resultado da diretriz criada por Stan Lee de que o leitor de suas histórias deveria se identificar dentro de suas histórias e que devia sempre haver a preocupação com o primeiro leitor.

Stan Lee, com seus quadrinhos, criou diversas revoluções, a saber:

  • Em 1971, Stan Lee combateu e saiu vencedor contra um dos maiores vilões das revistas em quadrinhos, o código dos quadrinhos. O ministério da saúde norte-americano encomendou para o autor uma história sobre os males causados pelas drogas. Lee não hesitou em criar uma trama em três partes, que envolvia seu personagem mais conhecido, o Homem-Aranha, que vê seu melhor amigo se tornar um viciado. Como qualquer abordagem sobre drogas era proibida pelas rigidas regras do Código, a publicação foi recusada. Stan Lançou a revista mesmo sem a autorização e sem nenhum receio, pois contava com o apoio do governo e com o desejo dos próprios leitores, que já estavam cansados das restrições impostas aos quadrinhos. As revistas venderam muito bem e foram aclamadas pela sociedade em virtude da conscientização que propunham. Com isso, o código teve de ser revisto e passou a permitir o tema “drogas”, desde que tratado de maneira negativa.
  • Criou o X-Men com a mensagem “Heróis que são odiados pela humanidade que juraram defender”. Eram os anos 60 e, nesse período, os Estados Unidos eram marcados pela emergência dos movimentos pelos direitos civis. Os afrodescendentes sofriam uma situação social de marginalidade que era institucionalizada e gerou uma reação ainda na década anterior. Ao confrontar a sociedade “padrão” dos brancos, os negros sofreram grande resistência e reagiram. Para se ter uma ideia, o ambiente dos EUA na passagem da década de 1950 para a seguinte não era tão diferente do Apartheid da África do Sul nos anos 1980, por exemplo. Nos EUA, os negros do Sul não podiam sentar nos assentos dos ônibus ou, se pudessem, tinham que ceder lugar para um branco caso ele estivesse em pé. As escolas eram segregadas e os espaços públicos também. Por isso, surgiram vários movimentos de resistência, alguns bem radicais. Havia uma ala mais “moderada” que pregava a convivência pacífica entre brancos e negros, liderada pelo pastor Martin Luther King Jr., que organizou a famosa Marcha pelos Direitos Civis em Washington, DC, em 1964; e, por outro lado, existia uma facção que pregava a violência e a supremacia dos negros perante os brancos, liderada por Malcoln X. Nenhum dos dois sobreviveu aos anos 1960, pois ambos foram assassinados. Antes disso, porém, esse conflito de ideias influenciou os quadrinistas Stan Lee e Jack Kirby a escreverem sobre isso. Ambos vinham de famílias judias e entendiam de segregação. Como o tema era muito inflamado e os quadrinhos sofriam rigorosa fiscalização moral, a dupla criadora do Universo Marvel decidiu disfarçar um pouco a questão e criou o conceito de mutantes: seres humanos que nascem com habilidades especiais (superpoderes) que os diferem dos outros, normais. Assim, o Professor Charles Xavier encarna o ideal de convivência pacífica de Martin Luther King, e funda os X-Men para proteger a humanidade e os mutantes (inclusive deles próprios); por outro lado, há o terrorista conhecido como Magneto, que reúne a Irmandade de Mutantes, encarnando o ideal violento de supremacia de Malcoln X.
    Lee e Kirby delinearam esse contexto complexo e de fundo político desde o primeiro número de The Uncanny X-Men 01, lançada em setembro de 1963.

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  • Nenhum herói é perfeito: Se a ideia dominante do herói é o modelo de conduta, a figura inabalável, a pessoa que sempre faz o bem pensando nos outros antes de si, os heróis de Lee eram marcados por falhas, deficiências ou conflitos morais. Não eram só as origens de Homem de Ferro e Doutor Estranho que partiam de momentos de egoísmo, ou o Quarteto Fantástico que brigava como qualquer família – o mundo real de medo, preconceito, drogas e morte fazia Homem-Aranha, X-Men, Surfista Prateado e outros questionarem até se valia a pena ser herói. Como não lembrar da clássica história do Homem de Ferro: “O Demônio na Garrafa”

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  • Nenhum vilão nasce vilão: Se os heróis tinham alguns tons de cinza, é lógico que os vilões também teriam. Dr. Destino e companhia não eram figuras obstinadas a atingir seus fins pelos meios que fossem, mas também homens que retinham alguma honra, que podiam se questionar. São vários os casos de vilões que viraram heróis como, por exemplo, Feiticeira Escarlate e Mercúrio, que faziam parte da primeira irmandande de mutantes criada por Magneto, mas que, posteriormente se associaram aos Vingadores, junto com outro caso de vilão que vira herói que foi o Gavião Arqueiro.
  • Reconhecimento de sua equipe: Muitos acusavam Stan Lee de se auto-promover como o único criador dos personagens, mas uma de suas marcas era destacar não só seu nome, e sim o de todos colegas que trabalhavam nos quadrinhos Marvel, demonstrando que arte dos quadrinhos é essencialmente colaborativa. Numa época em que os créditos nos gibis não eram regra, Lee pedia um espaço considerável para nomear desenhista, arte-finalista, letreirista, colorista, inventava apelidos aliterativos para cada um – Jack “King” Kirby“Jazzy” John Romita“Mirthful” Marie Severin – e contava causos (alguns fictícios) da redação, o Marvel Bullpen, nas páginas editoriais. Ele, inclusive, costumava colocar adjetivos antes dos nomes dos responsáveis, como “ternamente desenhada por Jack Kirby, para que o público criasse mais empatia com os criadores.
  • Método Marvel: Ao longo da década de 60, Lee foi o escritor e editor da grande maioria das HQs da Marvel. Era humanamente impossível escrever todas as publicações com antecedência, então ele surgiu com uma solução: ele entregaria uma sinopse simples aos desenhistas e, assim que os desenhos estivessem prontos, ele completaria com diálogos. Como ao seu lado estavam lendas como Jack KirbyJohn Romita Sr. Steve Ditko, o processo deu certo e mudou a história das HQs. O processo tornou-se completamente colaborativo e, por isso, muitos acusam Lee de não dar o devido crédito aos desenhistas no Universo Marvel.

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Stan Lee também tinha uma visão de negócios muito boa. Em 1996, após uma série de decisões equivocadas, a Marvel chegou a entrar com pedido de falência com contas vencidas na casa dos 600 milhões de dólares. Mas Stan Lee dizia que não era possível a Marvel estar quebrada, pois somente o Homem-Aranha valia mais de 1 bilhão de dólares. Esse pensamento refletia o que vale realmente na nova economia onde o capital intangível tinha muito mais valor do que o capital tangível. Tudo era apenas uma questão de como transformar o intangível em tangível.

Atolada em dívidas, a Marvel foi obrigada a vender os direitos cinematográficos dos principais personagens, como o Homem-Aranha, que foi parar nas mãos da Sony por 10 milhões de dólares, e os X-Men e o Quarteto Fantástico, repassados para a Fox.

O que era para ser o fundo do poço transformou-se em recomeço, pois acabou se transformando em um divisor de águas para a indústria do entretenimento. X-Men, o filme da Fox, arrecadou 300 milhões de dólares em bilheteria em 2000. Dois anos depois, o Homem-Aranha do diretor Sam Raimi conseguiu impressionantes 850 milhões de dólares.

Mas com a venda dos direitos de seus medalhões, vale lembrar, a Marvel não tinha mais seus personagens principais para fazer produções próprias, sem interferências criativas e sem ter que dividir lucros com outros estúdios. O jeito era vasculhar os arquivos de Stan Lee e Jack Kirby, uma biblioteca de quase mil heróis e vilões, para tentar abocanhar um quinhão desse mercado.

Homem de Ferro, personagem do segundo escalão criado em 1963 e inspirado No excêntrico milionário Howard Hughes, foi o escolhido. E tal qual nos quadrinhos, a fórmula Marvel foi posta mais uma vez pra funcionar, com as mesmas palavras-chave: realismo e continuidade. “A Marvel foi perfeita ao criar um universo também no cinema, linkando pistas e situações que só seriam exploradas em outros filmes”, diz Sidney Gusman, um dos maiores especialistas em quadrinhos no Brasil e responsável pela área de planejamento editorial da Mauricio de Sousa Produções. “As produções foram pensadas para atrair não só o público nerd, mas todo mundo. E assim, conseguiram criar uma teia de filmes e produtos que é impressionante.”

Lançado em 2008, Homem de Ferro arrecadou meio bilhão de dólares, teve duas indicações no Oscar e fez ressurgir a carreira do ator Robert Downey Jr. O resto da história é tudo consequência desse filme como já escrevi em outros posts (clique aqui para ler)

A mais famosa frase criada por Stan Lee,  frase deixada pelo Tio Ben para Peter Parker,  “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”, serviu como um norteador das atitudes de diversos fãs ao redor do mundo, incluindo o autor desse blog., pois todos somos responsáveis por fazer o bem. Quanto maior nosso poder, porém, maior a responsabilidade de ser uma pessoa boa.

Se você cumpre estas responsabilidades, e assume isso como um valor de vida, você é um herói. Se você não reconhece suas responsabilidades, você é um vilão.

EXCELSIOR!

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