Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Gestão 2.0: 10 Toxidades dos modelos de gestão atuais

Posted by marcelao em março 9, 2011


Pessoal,

quem acompanha esse blog há algum tempo sabe das minhas criticas aos modelos de gestão atuais. Aliás, é bom que não se confunda com criticas a gestão de pessoas das empresas, pois ela é apenas uma das perspectivas que precisam ser revisadas quando tratamos de inovação na gestão.

Também não se trata de dizer que tudo esteve sempre errado, pois, afinal de contas, se hoje temos ao nosso alcance certos objetos de consumo e tecnologias como celular, Internet e outras coisas mais, deve-se a isso ao modelo de gestão adotados pelas empresas desde o século XIX, que procurou diminuir o custo de transações e, consequentemente, diminuiu os custos de produção de objetos de consumo como os citados anteriormente.

A critica é que esse modelo se esgotou e está em colapso, ou seja, ele já não responde mais aos problemas apresentados atualmente pela sociedade. Sociedade hoje que avançou na criação e no compartilhamento do conhecimento utilizando as redes sociais, que tem maior ciência do seu poder como consumidor e que deseja ter maior participação no processo econômico. Some a isso, uma nova geração que nasceu com a Internet sendo o seu sistema operacional de vida, que valoriza as idéias muito mais que as “patentes militares” de um cargo dentro das empresas.

Nesse sentido, buscando práticas que visem inovar nos modelos de gestão das empresas, acompanho sempre o site “Management Innovation eXchange” administrado pelo professor Gary Hamel que coordena o “Management Lab”, laboratório criado pela London Business School que visa identificar novas práticas gestão, mais adaptados ao mundo atual.

Recentemente, acessei o site e li um artigo que apresenta 10 toxidades dos modelos de gestão adotados ainda pela maioria das empresas atualmente. Compartilho com vocês abaixo junto com meus comentários:

1 – O objetivo principal de uma empresa é ganhar dinheiro – > O objetivo deveria ser melhorar o bem estar humano de maneira economicamente eficiente. Empresas existem para atender uma demanda da sociedade. Lucro deveria ser a resposta que a sociedade reconnhece quanto ao desempenho desse papel;

2 – Os líderes corporativos só podem ser responsabilizados pelos efeitos imediatos de suas ações -> Visão essa que só reforça a visão de curto prazo da maiores dos administradores de empresas. Líderes deveriam trabalhar pela perenidade das empresas, procurando equilibrar objetivos de curto prazo com os objetivos de médio e longo prazo. O que ocorre é justamente o contrário, ainda mais sendo reforçado com os altíssimos bônus distribuídos antes da crise financeira de 2009 aos CEOs das grandes corporações;

3 – Os executivos devem ser avaliados e compensados com base em ganhos de curto prazo -> Tal premissa incentiva o lucro utilizando mecanismos de engenharia financeira em detrimento de um maior equilibrio entre o financeiro, o social e o ecológico;

4 – A forma de estabelecer credenciais sociais de uma empresa é através de declarações de missão de mente elevada, produtos pintados de verde e com um orçamento de RSE generoso -> Puro marketing e sem compromisso verdadeiro com a mudança que é cada vez mais necessária, pois tal atitude envolve sacrifícios que muitos não estão dispostos a cumprir;

5 – A principal justificativa para “fazer o bem” é que ele ajuda uma empresa a “fazer bem” – > Isso significa que a empresa deve fazer o bem quando há um lado positivo e um pouco menos quando não há. Isso me faz lembrar de uma frase sobre valores humanos que diz: “Valores são aquilo que você pratica mesmo quando não há ninguém olhando”. Se tiver que fazer, faça porque é certo, não porque os outros acham que é certo;

6 – Os clientes se preocupam muito mais com o valor do preço do que sobre os valores intangíveis que foram envolvidos na fabricação e venda de um produto -> Os clientes de hoje tem muito mais acesso a informação do que no período em que essa premissa foi adotada. Os clientes de hoje se preocupam muito mais com a responsabilidade social corporativa na fabricação dos produtos e serviços que eles consomem atualmente;

7 – Uma empresa de “clientes” envolve apenas as pessoas que compram seus serviços -> Empresas tem responsabilidades para com as comunidades que cercam suas sedes, principalmente, quando essa responsabilidade envolve questões ambientais;

8 – É legítimo que uma empresa de ganhe dinheiro explorando a ignorância do cliente, exagerano os benefícios do produto e restringindo a escolha do cliente -> Os clientes de hoje tem muito mais acesso a informação do que no século passado. Apenas 14% das pessoas acreditam em propagandas veiculadas na midia tradicional(TV, jornais, rádios, …). Os outros 86% consultam os blogs em busca de opinião de pessoas fisicas como elas em busca de opinião sobre os produtos e serviços que desejam consumir;

9 – O poder de mercado e influência política são formas aceitáveis de se combater uma tecnologia disruptiva ou frustrar um concorrente não convencionais -> A Tecnologia mudou tudo na economia, pois ela potencializa as redes sociais que sempre existiram na sociedade. Além disso, a história relata inúmeros casos de indústrias que menosprezaram o poder disruptivo da tecnologia e pagaram um preço muito alto por isso;

10 – O negócio é sobre a vantagem, foco, diferenciação, superioridade e excelência -> Negócios tem a ver com cumprir com o papel social que as empresas devem desempenhar na sociedade. Não há problemas em buscar lucros cada vez maiores, mas é preciso ter responsabilidade e entender os custos intangíveis que a sociedade vem pagando por atitudes irresponsáveis.

A crise financeira de 2009 foi na verdade a vingança da nova economia para cima da velha economia.Velha economia que concentrou poder demais no topo da pirâmide organizacional das empresas, e dessa forma afastando-se do contato com a verdadeira razão da existência de qualquer empresa que são os clientes, e que levou a um maior descrédito das pessoas quanto ao papel exercido pelas empresas na sociedade.

É preciso rever os modelos de gestão atuais, que nos enxergue como mais do que meros “consumidores” ou peças de uma engrenagem, que procure equilibrar melhor a distribuição de poder e autonomia dentro das empresas procurando favorecer mais àqueles que estão na ponta das empresas e, consequentemente, estão mais próximos dos clientes. É preciso buscar facilitar o fluxo interno de informações dentro das empresas, incentivando a troca de conhecimentos e compartilhando o significado da estratégia adotada pela empresa.

É preciso melhorar a conexão entre funcionários, clientes e os processos empresariais. Nesse sentido, é preciso buscar um maior reconhecimento dos funcionários das empresas. Nesse sentido, vai aqui um conselho do professor Silvio Meira, que ele apresentou na última jornada de tecnologia do Banco do Brasil:

“Colocar o cliente em primeiro lugar, é coloca-lo em segundo lugar. Em primeiro lugar, estão seus funcionários.”

Um abraço.

“Maybe I’m a dreamer, but i still believe”

twitter: @blogdomarcelao

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