Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Confiança: Quanto mais poder no topo, Menos Autonomia nas Pontas

Posted by marcelao em fevereiro 15, 2011


Pessoal,

tempos atrás, eu escrevi um post com 10 tendências a serem monitoradas por todo estrategista. Entre elas estava o fato que a confiança nas empresas estava decaindo e que inclusive apresentava uma pesquisa do MIT que apontava que 62% das pessoas pesquisadas em 20 países não confiavam nas empresas. Falta de confiança essa que aumentou mais ainda depois de escandâlos recentes como a quebra da Enron e a crise financeira de 2009, envolvendo bancos como Lehman Brothers, que foi resultado do excessivo  foco no atendimento das expectativas do acionista em detrimento do poder de mobilizar plenamente a energia humana, ou seja, as práticas de gestão empresarial não estavam voltadas a metas mais nobres, socialmente relevantes.

Essa perda de confiança ela não aconteceu de uma hora para outra, trata-se de um movimento silencioso que vem ocorrendo ao longo de muitos anos e de dificil percepção, mas que podem tornar-se supreendentes principalmente para aqueles que não estão prestando atenção. Anos de falta de confiança nos funcionários da sua empresa podem estourar como um verdadeiro terremoto, mas, por mais paradoxal que seja, de forma silenciosa através da falta de comprometimento e de engajamento das pessoas com a missão da empresa e seu papel dentro da sociedade.

A alta concentração de poder no topo da administração das empresas, e a consequente falta de autonomia dos funcionários que estão mais em contato com os clientes, pode ser um dos grandes entraves para o crescimento e a perenidade das empresas na nova economia, a economia da criatividade e do conhecimento. Afinal de contas, o nível de confiança da topo da administração das empresas é medido pelo nível de autonomia concedido aos funcionários que estão em contato direto com os clientes, ou seja, quanto mais concentrado o poder no topo, menor é o nível de autonomia na ponta das empresas e para aqueles que estão em contato direto com a razão de ser de qualquer organização que é o cliente.

Além disso, os funcionários das empresas cada vez menos acreditam em seus líderes, pois muitas promessas são feitas, mas não são acompanhadas de ação e quando o CEO de uma empresa promete e não cumpre, a confiança leva um direto no queixo e vai ao chão. Junte tudo isso a um desequilibrio de forças entre o interesses da corporação em detrimento dos interesses individuais dos funcionários, o que se agrava cada vez mais, uma vez que vivemos em um mundo cada vez mais individualista.

Todo esse desequilibrio em favor dos interesses organizacionais é demonstrado principalmente quando as empresas se vêem em um crise financeira e a primeira coisa que eles cortam são justamente aqueles que eram considerados “os ativos mais importantes da empresa”. Cabe a pergunta: Se eram os ativos mais importantes, porque corta-los em época de crise? Por quê a opção de manter os altos benefícios do topo da administração e dos acionistas?

São perguntas que precisam ser respondidas. Na minha opinião, tudo isso é resultado de um pensamento retrógado onde o financeiro é objetivo principal, sendo muito mais alcançado devido a engenharia financeira, ao invés de ser o resultado do papel que a empresa deveria desempenhar dentro da sociedade. Outra razão é a falta de visão de longo prazo dos principais dirigentes das empresas que, em um espaço-tempo de maior amplitude, estão vendendo o jantar para garantir o almoço, cortando, por exemplo, investimentos em treinamento para poder garantir o lucro do trimestre, pois focam no resultado da empresa enquanto estão no poder e não tem um compromisso com a perenidade da empresa. Estão mais preocupados com o urgente do que com o que é importante.

Para garantir esse resultado de curto prazo, a consequência é a centralização de poder no topo da pirâmide das empresas, justamente com aqueles que menos estão em contato com os clientes. À medida que o poder se transfere cada vez mais da periferia da empresa para o topo, a influência individual diminui e a realidade das empresas começa a se afastar cada vez mais de cada localidade onde a empresa está estabelecida tendo reflexo também e de forma imediata na confiança dos consumidores nas empresas, pois esses também não têm sua individualidade atendida.

Como já disse em algumas palestras, em algum momento esse cenário terá que ser revisto pelas grandes empresas, pois o que a economia da criatividade e do conhecimento traz grandes transformações, pois, uma vez que os consumidores estão cada vez mais informados e, consequentemente, com maior poder no processo econômico, vem ocorrendo uma verdadeira transferência de poder, do trabalhador considerado Mão de obra para o trabalhador e, principalmente, das empresas para os consumidores.

Está na hora das empresas começarem a repensar suas premissas organizacionais e de modelo de gestão e resgatar o valor fundamental da confiança. É preciso buscar conectar empresa, processos, funcionários e consumidores utilizando os cabos de rede da confiança.

Um abraço.

“Maybe I’m a dreamer, but i still believe”

Twitter: @blogdomarcelao

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