Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

6 princípios para construir idéias

Posted by marcelao em janeiro 28, 2011


Pessoal,

estou atualmente lendo um livro chamado “Apresentação Zen” que me foi indicado pelo meu amigo Júlio Sérgio Cardozo. O livro aborda técnicas de comunicação para apresentações em públicos que vão além do uso de programas de computador que projetam slides. Nesse livro, o designer de apresentações em comunicação, Garr Reynolds compartilha sua experiência em um mix de iluminação, inspiração, educação e direcionamento.

Em um dos capítulos do livro, o autor compartilha conosco 6 princípios para construção de idéias para criar mensagens simples, mas poderosas para discursos, apresentações ou qualquer outra forma de comunicação:

Simplicidade: Se tudo é importante, então nada é importante. Se tudo é uma prioridade, então nada é uma prioridade. Você deve ser implacável nos esforços para simplificar – e não deixar mais estúpida – sua mensagem no seu ponto central. Nós não estamos falando de efeitos estúpidos de sons aqui. Toda idéia deve ser reduzida a um significado simples e essencial, se você trabalhar duro o suficiente. Qual é o ponto-chave para sua apresentação? Qual o âmago? Por quê (ou deveria) importa?

– Imprevisibilidade: Você pode conquistar o interesse das pessoas superando suas expectativas. Surpreenda as pessoas. A surpresa irá conquistar o interesse delas. Mas para sustentar o interesse delas, você tem que estimular a sua curiosidade. A melhor maneira de fazer isso é plantando questões ou abrindo buracos no conhecimento das pessoas e então ir preenchendo esses buracos. Mantenha a audiência a par do fato de que há uma abertura no conhecimento deles e então preencha essa abertura com as respostas do quebra-cabeça(ou guie-os para as respostas). Leve as pessoas em uma jornada;

– Concretude: Use um discurso natural e dê exemplos reais com coisas reais, não abstratas. Fale sobre imagens concretas, não sobre noções vagas. Provérbios são bons, dizem os irmãos Heath, em reduzir conceitos abstratos em linguagem concreta, simples, mas poderosa(e memorável). Por exemplo, a expressão “Matar dois coelhos com uma cajadada só” é mais fácil de compreender do que dizer “Vamos trabalhar em direção para maximizar nossa produtividade aumentando a eficiência entre os vários departamentos, etc …”. Frases como “Levar o homem a Lua e traze-lo de volta vivo” são simples, diretos e objetivas. Isso é concreto. Isso é possível de ser visualizado;

– Credibilidade: Se você é famoso no seu campo, deve ter uma credibilidade embutida. A maioria de nós, entretanto, não tem esse tipo de credibilidade, então nós apelamos para números e dados rigídos frios para dar suporte às nossas alegações como líderes do marketing e assim por diante. Estatísticas não são inerentemente úteis. Importante é o contexto e o significado. Coloque em termos que as pessoas consigam visualizar. “Cinco horas de duração de bateria” ou “Carga de bateria suficiente para assistir seus programa de TV favorito, ininterruptamente, no seu Ipod, durante o seu próximo vôo de São Francisco para Nova York”? Existem muitos modos de estabelecer credibilidade – uma citação de um cliente ou da imprensa pode ajudar, por exemplo. Mas uma tediosa explanação sobre a história da sua companhia irá somente aborrecer sua audiência;

– Emoções: As pessoas são seres emotivos. Não é suficiente fazer as pessoas  passarem por uma lista de supermercado de pontos verbalizados e informações nos seus slides – você deve fazê-los sentir alguma coisa. Existe um milhão de maneiras de ajudar as pessoas a sentir algo sobre o seu conteúdo. Imagens são uma maneira de ter audiências não apenas entendendo melhor o seu ponto, mas também de sentir e ter uma conexão mais visceral e emocional com sua idéia. Você poderia explicar a devastação do furacão Katrina e enchentes nos EUA, por exemplo, com dados e pontos orais, mas imagens de consequências e fotos do sofrimento humano ocorrido contam a história de uma maneira que palavras, texto e dados sozinhos nunca poderiam. Humanos fazem conexões emocionais com pessoas, não com coisas abstratas;

– Histórias: Nós contamos histórias o dia todo. É como os humanos sempre se comunicaram. Nós contamos histórias com nossas palavras e até mesmo com nossa arte e música. Nós nos expressamos por meio das histórias que compartilhamos. Nós ensinamos, aprendemos e crescemos por meio de histórias. No Japão, é um costume um trabalhador sênior ser mentor de um trabalhador mais jovem em vários assuntos sobre a história e cultura da empresa e sobre como fazer o trabalho. O trabalhador sênior faz muito do seu ensino informal contando histórias, embora ninguém chame assim. Uma vez que o trabalhador mais jovem ouve a história sobre o que aconteceu ao pobre rapaz que não usava capacete no térreo da fábrica, ele nunca esquece a lição( e nem de usar o seu capacete). Histórias chamam a nossa atenção e são mais fáceis de entender do que listas de regras. Grandes idéias e grandes apresentações têm um elemento de história nelas;

Recomendo a leitura desse livro e seus ensinamentos, pois passei a aplica-los em minhas palestras e a melhora foi significativa, pois passei a gastar mais tempo na construção da história que iria contar e menos tempo com a apresentação em si e a qualidade das minhas apresentações, após adotar esses procedimentos, melhorou sensivelmente, provando que menos é mais e que simplificar é um ato que dá trabalho, mas que melhora em muito a qualidade dos nossos resultados.

Além disso, entendo que esses princípios podem ser aplicados também ao processo de criativo para construção de novos serviços e produtos nas nossas empresas e também, principalmente, na gestão e liderança das pessoas nas equipes.

Um abraço.

“Maybe I’m a dreamer, but i still believe”

Twitter: @blogdomarcelao

4 Respostas to “6 princípios para construir idéias”

  1. Grande Marcelão,

    Vou procurar o livro. É difícil encontrar referências para apresentação que fogem do tradicional. Me identifiquei muito com o tópico emoções. Talvez eu encaixaria em um desses tópicos a necessidade de questionarmos os ouvintes, principalmente baseado em perguntas “explosivas” nos slides.

    Grande abraço!

    • José Augusto said

      Marcelão (e Rafael), acho que concordo com todos os pontos, exceto um, aquele sobre emoções, pelo menos da forma como está descrito. É que não sei se temos o direito de “provocar” emoções em nossas platéias. Claro que não falo de causar risadas ou até mesmo alguma compaixão, mas “fotos do sofrimento humano” dito como no post me pareceu simples demais. Não sou dono da verdade nem estou tentando ler aquelas palavras “a seco”, “ao pé-da-letra”, mas estou tentando considerar a dica do ponto de vista dos “seres emocionais” que somos, inclusive considerando que vai depender da capacidade e interesse da platéia. Por exemplo, uma apresentação sobre acidentes com motociclistas para médicos residentes em ortopedia vai mostrar coisas que pode até não emocionar nenhum deles… já um de nós…
      Penso que que há uma questão ética discutível aqui, não digo certa ou errada, mas discutível em termos de podemos/devemos ou não fazer isso. Explicar a devastação do Katrina oferecendo uma “amostra grátis” do que se sofreu lá é questionável. Já ouvi caixas-pretas de aviões acidentados e vi fotos também – Acreditem, não é legal. Considerações outras à parte, a dica é boa… só é muito genérica para um assunto tão fundamental para nós humanos. Ao ler o comentário do Rafael me ocorreu que esse tópico talvez merecesse mais carinho, só isso.
      Um abraço.

      • marcelao said

        Zé,

        sempre que coloco um post do tipo lista como “6 principios” ou “10 dicas” é sempre bom compreender que não se trata de uma lista fechada, mas sim de acrescentar ferramentas para nossa reflexão e aprendizado.

        Entendo sua preocupação, mas mesmo seguindo listas como a desse post, existem principios que são básicos e que não podem ser deixados em segundo plano como bom senso e respeito a platéia. Talvez o exemplo não tenha passado contexto, mas entendo que o autor tentou passar que uma imagem é mais eloquente e mais comunicativa do que um simples número na tela. Eu mesmo na palestra que fiz na Campus Party (vídeo disponível em https://marcelao.wordpress.com/2011/01/23/minha-palestra-na-campus-party-2011-2/ ) usei essa técnica para mostrar as consequências do crescimento desordenado das cidades ao utilizar uma imagem da tragédia da região serrana no estado do Rio de Janeiro ao invés de falar no número de pessoas desabrigadas. No caso, eu utilizei uma imagem que apenas mostrava a devastação de uma parte da cidade e sem nenhuma imagem de pessoas.

        De qualquer forma, obrigado pela observação, eu poderia ter utilizado outro exemplo do que “Sofrimento humano”

        Um abraço.

      • José Augusto said

        Marcelão, sem querer insistir e já insistindo, seu blog deixou de ser um blog qualquer. Suas palavras possuem um peso muito grande para aqueles que as lêem com atenção e cuidado como tento fazer. Procuro me concentar nas idéias, claro, mas faço isso partindo das palavras, afinal, é um texto. Seu blog é acessado por um número enorme de pessoas, de diversos lugares, formações e culturas. Isso faz com que diferentes verdades brotem do mesmo, o que ressalta mais ainda o valor de cada palavra. Bom feriado.

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