Blog do Marcelão

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Steven Johnson: De onde as idéias vêm?

Posted by marcelao em dezembro 28, 2010


Pessoal,

hoje reservei um tempo para assistir a algumas palestras do TED e pude finalmente assistir toda a palestra do escritor americano Steven Johnson – especializado em divulgar estudos sobre a sociedade, a ciência e as idéias – que faz uma proposta reveladora em seu mais recente livro, Where good Ideas come from (De onde vêm as boas idéias – a história natural da inovação). Segundo ele, a genialidade é uma idéia romântica e momentos de iluminação individual seriam raríssimos.

Para Steven Johnson, a inovação é muito mais resultado da conexão de idéias e essa conexão só ocorre  em ambientes que favoreçam a interação entre as pessoas como em uma rede neural do cérebro. Momentos “Eureka” são na verdade resultado de uma cadeia de outras decobertas, menores, às quais não damos valor.

Concordo com Steven Johnson, afinal de contas, se fizermos um levantamento de todas as invenções realizadas ao longo da história, veremos que muitos dos inventores são anônimos, sendo provável que muitas das invenções básicas, como a primeira roda ou sobre quem fundiu o primeiro cobre, tenham sido feitas independetemente, em diferentes épocas e em diferentes lugares. Mesmo nos tempos atuais, ocorre de inventores rivais registrarem patentes um do outro, em um prazo de dias ou mesmo de horas. A idéia,  em sentido metafórico, estava no ar, pronta para ser agarrada.

Johnson propõe um caminho para desenvolver um ambiente propício para surgimento da cultura de inovação nas empresas utilizando alguns princípios que relaciono abaixo junto com meus comentários:

– A gestação de idéias demora: Uma impressão ou uma intuição precisam de tempo, pesquisa e observação para virar uma idéia. No filme “Avatar” o personagem Jake Sully é orientado a registrar toda a experiência que ele teve ao usar seu avatar porque, segundo os cientistas que o acompanhavam, “Boa ciência é boa observação”. Isaac Newton não descobriu a lei da gravidade quando a maçã caiu em sua cabeça. Essa descoberta foi resultado de um processo que envolveu observações, citações, idéias improvisadas e desenhos descartados. Com certeza, ele releu suas anotações, combinou conceitos e questionou alguns pressupostos. Se você quer um exemplo desse processo, assista ao seriado “House” que passa no Universal Channel;

– A idéia tem várias mães: Uma pessoa inovadora é aquela que consegue combinar e recombinar idéias anteriores. Daí a importância de um espaço livre pra idéias: mesmo as mais loucas podem um dia servir. Aliás, alguns dos princípios da cultura de inovação do Google estão alinhados com esse princípio de Steven Johnson como “Inovação, não perfeição instantânea”, “Ideáis surgem de todos os lados” e “Não mate projetos, tranforme-os”. Há casos em que uma idéia pode não emplacar, mas isso não significa que deva ser descartada, pois outra pessoa em outro contexto pode se interessar por ela;

– O Grupo Inova mais: Segundo Johnson, “A idéia não é uma coisa só. Está mais para um enxame.” Quando a informação circula, criamos uma rede fluida, inteligente, receptiva a novidades. Uma idéia, uma nova idéia, é uma nova rede de neurônios estabelecendo uma sincronia um com o outro dentro do seu cérebro. Nas empresas é preciso criar espaços para conversas informais que são mais eficientes do que reuniões de brainstorm. Podemos facilmente identificar espaços que favorecem esse tipo de interação quando lemos reportagens sobre o Google ou o Facebook. Nessas reportagens podemos identificar facilmente locais para tomar café, salas inteiras cobertas com quadro branco para anotação, salão de jogos, …  A aposta deve ser feita na colaboração, onde pessoas desconhecidas, mas com objetivos em comum, se reunirão por um determinado momento e resolverão um determinado problema. Logo após resolvido o problema, elas se dissiparão. Maior exemplo disso é o funcionamento das comunidades que atualizam o sistema operacional Linux;

– Preste um pouco de desatenção: Muitas vezes, esquecer o problema ajuda a achar a solução. As idéias se beneficiam de uma dose de dispersão. Isso ocorre porque ao relaxarmos meio que desligamos o lado esquerdo do cérebro, responsável em grande parte pela racionalidade do pensamento, e o lado direito do cérebro, responsável pelo pensamento criativo, passa a imperar. Já aconteceu comigo e deve acontecer com você de encontrar soluções para algum problema quando está tomando banho ou ao sonhar ou mesmo em uma caminhada. Nesse caso, é preciso resgatar o conceito de”Reflexão”. Reflexão significa perguntar, sondar, analisar, sintetizar, conectar – ou seja, ponderar cuidadosa e persistentemente o significado de uma experiência. Em Latim, refletir significa mudar de direção(retroceder, recuar) sugerindo que a atenção é direcionada ao interior para que depois seja voltada para o exterior, permitindo que vejamos um objeto familiar de modo diferente.;

– O vizinho pode emprestar: Algumas das melhores idéias já existem – só precisam de alguma adaptação. Para identifica-las é preciso exercitar nosso poder de observação e de combinação de idéias e campos de conhecimento diferentes. Steven Johnson conta o caso do obstetra Francês Stephane Tarnier que, em na Paris de 1870, em que um em cada 5 bebês morria poucos dias depois de nascer, ao passear pelo zoológico, notou que os pintinhos eram mantidos em recipientes aquecidos. Se o princípio era bom para os pintinhos, por quê não para os humanos? Ele criou então a primeira incubadora, colocando recipientes com água quente embaixo das caixas de madeira que serviam de berços;

– A ajuda dos erros: Inovação envolve riscos, riscos envolve erros. Uma idéia inicialmente promissora pode chegar a um resultado ruim. Isso se chama erro e é bastante útil para um dos processos mais importantes da era do conhecimento: o processo de aprendizado. Erro deve ser utilizado como instrumento pedagógico e não como punição. Um ambiente inovador tolera erros, estuda os resultados indesejados e os transforma em aprendizado, em benefício das idéias seguintes;

– A obsessão por notas: A jornada da inovação depende da profusão de informações – uma espécie de bagunça organizada.É por essa razão que criei esse blog, para registrar minhas idéias e coloca-las sempre disponíveis para consulta e combinação de conceitos. Além disso, carrego sempre comigo meu Ipad para registro de observações e idéias. Idéias não surgem de processos lineares, mas sim de forma não linear. Idéias não possuem cronograma ou hora marcada para surgirem.

O que podemos concluir é que, embora o gênio criativo e imaginativo do indivíduo seja a mola mestra da invenção, neste momento estamos rumando para um novo período de anonimato, pois muito do progresso tecnológico agora se originará do trabalho em equipes. Isso se deve muito ao aumento da complexidade que a tecnologia moderna nos trouxe. Mas, para que isso ocorre, será necessário rever modelos de gestão das empresas procurando substituir a cultura de competição interna por uma cultura que valorize a colaboração e facilite o fluxo de informações internas tornando a informação o mais democrática possível dentro das organizações. Temos um longo caminha a percorrer, pois a maioria das empresas ainda estão organizadas em silos de poder e de conhecimento, dividindo as pessoas – engenheiros aqui, financeiro ali. Para realmente criar uma cultura de inovação, as empresas precisam entender que o pensamento inovador frequentemente vem quando as idéias cruzam as fronteiras.

É preciso inovar nos modelos de gestão para que a sorte beneficie as mentes conectadas. Vencerá quem tiver as melhores conexões.

Um abraço.

“Keep the Faith”

Twitter: @blogdomarcelao

2 Respostas to “Steven Johnson: De onde as idéias vêm?”

  1. Muito bom o seu resumo e considerações. Tb assiti a palestra dele e você conseguiu elencar os pontos de maneira bem objetiva.

    Complemento com o video de divulgação do livro, que resume em 4 minutos o conteúdo de maneira muito legal: http://www.youtube.com/watch?v=NugRZGDbPFU

  2. “Ja dirigi equipes, porém nem sempre as pessoas entendem a diferença entre “grupos” e “equipes”, entre envolvimento, participacidade e apenas misturar-se, estar presente distante e ausente junto…e assim segue, bom artigo, pensar é bom,
    “refletir é degustar idéias” Elanklever

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