Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

5a Jornada de Tecnologia e Gestão do Banco do Brasil – Parte Final

Posted by marcelao em dezembro 19, 2010


Pessoal,

seguindo a programação, hoje publico a parte final do resumo das palestras do evento organizado pela Diretoria de Tecnologia do Banco do Brasil durante a semana de 22 a 26 de novembro que foi a “Jornada de Tecnologia e Gestão – Conectando as pessoas através do diálogo”.

Hoje teremos o resumo das palestras “Gestão e Inovação – Ontem, Hoje e Sempre” e “A Magia da Gestão”.

Palestra “Gestão e Inovação – Ontem, Hoje e Sempre”

O último dia da Jornada foi dedicado mais especificamente à gestão. O professor e diretor comercial do Grupo HSM, Sandro Magaldi, abriu o dia com a palestra “Gestão e Inovação – Ontem, Hoje e Sempre”. Ele explicou que, devido à velocidade das coisas, normalmente não temos tempo para análises e planejamentos complexos. Priorizamos, então, as atividades mais urgentes. Apesar da importância de ações focadas no curto prazo, ele destacou a necessidade de incrementar a capacidade de processamento no médio e no longo prazo.

Atualmente a necessidade de fugir da comoditização faz com que as organizações orientem seus esforços, de forma incondicional, rumo à diferenciação. E são as idéias a matéria prima básica dessa diferenciação.

Aliado ao imperativo da competitividade, temos uma sociedade que se caracteriza pela ascensão do conhecimento. É fato inconteste que o principal ativo de uma corporação é seu capital intelectual acumulado, representado pela inteligência de seus colaboradores. Ter acesso a cérebros que fazem diferença contribuindo ativamente e criando valor para a organização é mais importante do que ter acesso a máquinas e bens imobilizados. Temos aí a base da chamada Sociedade do Conhecimento.

Nessa sociedade, as idéias são um dos principais impulsionadores de seu crescimento pelo fato de serem as impulsionadoras da diferenciação.

Curioso observar que historicamente o ato de ter grandes idéias sempre foi uma exclusividade dos gênios de cada época. Cientistas, inventores e personalidades como Albert Einstein, Thomas Alva Edison, Benjamin Franklin, Alexander Graham Bell entre tantos outros, entraram para a história da humanidade por seus feitos históricos proveniente de grandes idéias.

No mundo corporativo observamos que essa mesma função ou responsabilidade sempre esteve circunscrita aos dirigentes da alta administração ou aos profissionais de áreas estritamente relacionadas ao uso intensivo da criatividade como os designers, profissionais de pesquisa e desenvolvimento (P&D), profissionais de criação em agências de publicidade e assim por diante. Era como se o ato de ter grandes ideias era privilégio – e exclusividade – da mentes brilhantes de alguns poucos iluminados.

Pois o mundo mudou (que bom)! Na sociedade atual é um diferencial competitivo de alta relevância ter colaboradores que, proativamente e consistentemente, oferecem contribuições com ideias e sugestões, independente de sua posição hierárquica. Uma organização com essas características está incrementando o seu ativo intangível mais relevante: seu capital intelectual.

Olhando para o futuro e analisando o interesse de colaboradores e clientes as empresas podem identificar e aproveitar os gaps de oportunidade, tornando-se inovadoras. No entanto, o caminho para a modernidade significa um retorno ao essencial. E o essencial, segundo ele, não muda: são as pessoas. Magaldi fechou sua apresentação com os dizeres de Cora Coralina: “O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada. Caminhando e semeando, no fim terás o que colher”.

Palestra “A Magia da Gestão”

A parte da tarde foi conduzida por Carlos Alberto Júlio, membro do Board Advisory da HSM, que conduziu o painel “A Magia da Gestão”. Uma questão interessante levantada por Júlio foi a resposta dada por crianças sobre as profissões que elas desejam quando crescerem. Você sabe quais são as três profissões mais respondidas: professor, bombeiros e lixeiro. Sabe por que? Porque as crianças não têm os preconceitos que temos. Ela vê o lixeiro como um profissional uniformizado e que tem um dia agitado. Com a maturidade, o ser humano alia vocação e interesse profissional.

Júlio também fez questão de frisar da importância de se pensar antes de tomar uma decisão, mas isso não quer dizer que se deve gastar mais tempo pensando do que executando. “Em média, as grandes corporações gastam 5% do tempo pensando e 95% do tempo fazendo. “As que quebram passam 100% do tempo fazendo e por isso não dão certo”, explicou.  Nesse caso é preciso entender que, para que essas empresas gastem apenas 5% com planejamento, antes é preciso fazer o dever de casa que é ter um planejamento estratégico que tenha a participação da grande maioria dos funcionários da empresa e, principalmente, que essa estratégia esteja disseminada por todos os níveis da empresa facilitando e agilizando o processo decisório no cotidiano.

É preciso entender que gestão é a combinação em equilíbrio de arte, ciência e experiência. Equilíbrio esse que deve ser dinâmico e não estável. É preciso oscilar entre o reino do Caos, favoráveis ao surgimento da criatividade principalmente em tempos de mudança, e o domínio do Caos e a busca da ordem e estabilidade. A ordem demais deixa o trabalho rigido e distante, enquanto que a ordem de menos impede que as pessoas funcionem.

Liderar é manter a organizacão no caminho certo e reorienta-la quando se desvia, melhorando e abrindo caminhos novos quando necessário. Isso envolve um trabalho constante de reajuste do comportamento em resposta a um mundo em constante mudança, ao mesmo tempo que se busca a estabilidade. Envolve o equilíbrio entre a mudança constante do mundo exterior a organização e a busca de uma certa continuidade no mundo interior da organização.

A gestão é uma tapeçaria tecida a partir dos fios da reflexão, análise, visão de mundo, colaboração e proatividade, todos unidos pelo fio da integridade social.

Conclusão

Se eu pudesse resumir todas as palestras, que assisti no auditório principal, eu diria que há um consenso de todos que palestraram que é preciso reconstruir uma nova visão do mundo e também na forma como convivemos em comunidade. É preciso que todos nós – pessoas, empresas e governos – entendam que é importante perceber que somos todos interdependentes um dos outros. É importante percebermos isso se quisermos realmente exercer sustentabilidade em nossas vidas. Está mais do que claro que é preciso rever vários modelos: o econômico, o social, o ambiental e os de gestão nas empresas.

Compartilhar “significado” também é o desafio e a força que exige mudança nos modelos de gestão das empresas.  Estamos entrando em uma nova era econômica, a era da criatividade, da sensibilidade e da conectividade. O alerta é que faltam aos modelos de gestão das empresas as qualidades para navegar nessa nova era. A gestão precisará acompanhar essa evolução, queira ou não, e se aproximar do que é ser-humano.

Qualquer inovação na maneira de conectar os seres-humanos é uma conquista. O problema é que os modelos de gestão atuais não geram conexões entre as pessoas, os processos e os sistemas existentes dentro das empresas.

Tudo isso é uma questão de continuar vencendo no futuro, buscando novas maneiras de energizar as pessoas, para que não apliquem no trabalho apenas as suas capacidades técnicas, mas também sua paixão e iniciativas. Como? Garantindo sentido as coisas, garantindo significado e sentimento de conexão emocional a algo maior do que simplesmente interesses individuais, permitindo maior autonomia e alcançando o desejo de pertencer a comunidades onde exista confiança. Para isso, as empresas devem estar comprometidas com um propósito maior e valioso, ou seja, sai o lucro e entra a causa, a missão. As empresas, mesmo sendo pessoas jurídicas, devem fazer perguntas de pessoas físicas se quiserem criar essas conexões.

Gestão é a tecnologia que trata de criar as condições e as estruturas necessárias para que as pessoas se realizem nas empresas. Gestão é a tecnologia da potencialização do ser-humano. É uma tecnologia social. Por essa razão é que a jornada aborda tecnologia, gestão e inovação, porque são conceitos inteiramente conectados.

Para romper com essa realidade, é preciso entender que são os funcionários que geram riquezas para empresas. Você só é inovador se inspirar pessoas diariamente no trabalho. Trate bem seus funcionários e eles irão tratar bem seus clientes. Para isso é preciso ser ousado, é preciso ser diferenciado em relação a sua concorrência e não tentar copiá-los. Entenda que é preciso desafiar dogmas e paradigmas diariamente nas empresas, pois eles são como papel de parede que estão sempre lá e chega um tempo que você já não os percebe mais, mas eles continuam lá.

Procure aprender a partir do futuro. Temos que aprender com a revolução social da Internet, onde liberdade e disciplina não são conceitos excludentes. É preciso aprender com a Internet como um modelo de criação onde são formadas comunidades em torno de objetivos comuns e onde o que importa são as suas contribuições e não a posição que você ocupa na hierarquia da sua empresa. Afinal de contas, se você quiser fazer a diferença, você tem que estar disposto a desafiar o tradicional e o raciocínio convencional.

Concluo essa síntese afirmando que é preciso perceber que a revolução porque passamos é uma revolução social. Pela primeira vez na história da humanidade, o ser-humano passa receber a importância realmente devida no processo econômico, algo que lhe foi negado durante séculos. Diante dessa realidade, é preciso desenvolver novas estratégias, conceitos e organizações que atendam a necessidades sociais – desde condições de trabalho e educação até desenvolvimento comunitário e saúde – ampliando e fortalecendo a sociedade civil. Como sempre diz meu amigo Gil Giardelli: “São precisos novos mapas para navegar nesse novo mundo”.

Não se trata de uma questão de puro romantismo. É preciso entender que lucratividade e sustentabilidade não são conceitos antagônicos, pelo contrário, entendo que empresas que conseguirem conciliar esses dois conceitos terão uma vantagem competitiva muito grande em relação a seus concorrentes.

Repito: As pessoas estão no centro do universo dos negócios. Entender essa premissa básica é o primeiro passo para estabelecer conexões, principalmente as emocionais. O papel dos líderes nas empresas é estabelecer essas conexões entre pessoas(funcionários, clientes, fornecedores, parceiros e sociedade), processos e sistemas.

Um abraço.

“Keep the Faith”

Twitter: @blogdomarcelao

 

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