Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Archive for 30 de agosto de 2010

Gestão 2.0: Evoluindo do T.E.A para o T.E.A.R

Posted by Marcelão em agosto 30, 2010


Pessoal,

na última semana acompanhei o Fórum HSM de Estratégia e a palestra que mais gostei sem dúvida foi a do professor Silvio Meira. Já havia assistido a alguns vídeos do professor Silvio Meira no youtube e já tive a honra de ter sua presença no nossa jornada de tecnologia do Banco do Brasil no ano passado. Suas palestras são tão ricas de conhecimento e conteúdo que nós o convidamos novamente para a jornada de tecnologia desse ano e dessa vez para fazer a abertura.

O que mais se ressalta nas palestras do professor Silvio Meira é a importância de exercitarmos o aprendizado nas empresas. O professor sempre ressalta que precisamos estar permanentemente atentos ao contexto e que temos que ter uma base conceitual, além de capacidade, curiosidade e confiança. Para isso temos que estar sempre prontos a aprender, desaprender e reaprender.

Na sua palestra no Fórum da HSM sobre estratégia, Silvio Meira citou o acronimo T.E.A que vem de Tentar, Errar e Aprender. Não se trata de tentar para errar e depois aprender, mas sim de tentar e, se errar, aprender com o erro. O erro deve ser considerado um instrumento pedagógico e não como instrumento de punição. Não existe inovação sem assumir riscos e assumir riscos é saber que erros podem acontecer, a diferença está em como aprendemos com nossos erros. Nesse sentido, o papel do líder é de criar ambiente propício para que as pessoas sintam-se confiantes para arriscar e orientar os membros da equipe a aprender com os erros cometidos.

Vivemos em um mundo cada vez mais complexo e, devido a essa alta complexidade, existem muitas variáveis a serem consideradas em qualquer processo. Portanto, é impossível termos todas as informações disponíveis para tomar a decisão 100% perfeita. Isso aumenta mais ainda a chance de erro nas nossas decisões, mas isso não pode ser justificativa para tornar o processo decisório vagaroso e retardar a ação. Uma coisa é certa, nenhuma decisão considerará todas as variáveis e nenhuma decisão conseguirá agradar a todos, mas a ausência de decisão e ação é meio caminho andado para o fracasso de um projeto ou de uma empresa.

Diante de toda essa complexidade, peço licença ao professor Silvio Meira e gostaria de acrescentar mais uma letra ao seu acronimo T.E.A. (Tentar, Errar e Aprender). Gostaria de incluir a letra “R” de Reflexão. Reflexão significa perguntar, sondar, analisar, sintetizar, conectar – ou seja, ponderar cuidadosa e persistentemente o significado de uma experiência. Em Latim, refletir significa mudar de direção(retroceder, recuar) sugerindo que a atenção é direcionada ao interior para que depois seja voltada para o exterior, permitindo que vejamos um objeto familiar de modo diferente.

Ao escrever essa definição do verbo “Refletir”, lembrei da definição de “Inteligência” que o headhunter Robert Wong apresentou-nos na jornada de tecnologia do Banco do Brasil de 2008. Ele disse que “Inteligência” é a combinação de três palavras: “Inter”(interior, no caso conhecimento interior), Lego(ligar/conectar, daí o nome do brinquedo LEGO) e ciência(Conhecimento externo). Resumindo, inteligência significa conectar o conhecimento interior com o conhecimento exterior.

Muitas pessoas sentem-se angustiadas porque tem a percepção de que nossas vidas estão muito corridas. Mas precisamos desesperadamente, afastarmos um pouco para refletir com calma sobre nossas próprias experiências. Afinal de contas, ninguém entende o significado de suas experiências sem reflexão. Além do mais, vivemos cada vez mais em um universo de contexto onde eu tenho que entender o que está ao meu redor para entender o que eu significo.

Pessoas criativas são altamente reflexivas. Elas sabem como aprender com a própria experiência, exploram diversas opções e dão meia volta e tentam outra quando a primeira não funciona. O desenvolvimento criativo trata de conseguir atribuir sentido à experiência, o que significa fazer com que as pessoas, mesmo ocupadas, parem um pouco, deem um passo para trás e reflitam conscientemente sobre sua própria experiência.

Para finalizar, se acrescentarmos o “R” de reflexão, teremos o acrônimo T.E.A.R. que fica mais próximo da nossa realidade de sociedade em rede. Um TEAR é um aparelho mecânico ou eletromecânico empregado para fins de tecelagem, ele tece REDES. No contexto desse texto, TEAR para tecer redes de conhecimento, principalmente nas empresas que precisam entender que uma empresa saudável não é um conjunto de pessoas soltas, cada um cuidando apenas do próprio território, mas sim uma comunidade de seres humanos responsáveis, que se importam com o sistema como um todo e com sua sustentabilidade no longo prazo.

Como disse o professor Mintzberg no seu livro “Managing”, a gestão é uma tapeçaria tecida a partir dos fios da reflexão, análise, visão de mundo, colaboração e proatividade, todos unidos pelo fio da integridade social. Afinal de contas, empresas são abstrações. O que vale, de verdade, são as pessoas dentro delas. Empresas são redes interativas, não hierarquias verticais. Empresas são redes sociais tecidas e integradas pelos fios do conhecimento.

Um abraço.

“Keep the Faith”

Twitter: @blogdomarcelao

Anúncios

Posted in Colaboração, Gestão 2.0, Gestão de pessoas, Gestão do Conhecimento, Inovação, liderança, Planejamento Estratégico | Etiquetado: , , , , , , , , , , | 6 Comments »

 
%d blogueiros gostam disto: