Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Gestão 2.0 : Google – Eleita a Melhor Empresa para Trabalhar em 2010

Posted by marcelao em agosto 22, 2010


Pessoal,

foi publicada na edição dessa semana na revista Época a lista das 100 melhores empresas para trabalhar no Brasil segundo o instituto Great Place to Work relação. Segundo a revista, eu concordo com isso totalmente, o universo do trabalho tem atravessado transformações espetaculares nos últimos anos e passará por muitas ainda(Veja mais sobre isso aqui). Enquanto no passado, a economia estava baseado na produção de bens materiais, prosperaram nas empresas as estruturas hierárquicas, que funcionavam com base em rígidas cadeias de comando e controle.

Ocorre que devido as transformações que aconteceram na sociedade – como o crescimento do poder do consumidor, crescimento das redes sociais e o aumento da qualificação do trabalhor fazendo surgir o trabalhador do crescimento(Veja mais sobre isso aqui) – produtos com qualidade passaram a virar comodities. Qualidade hoje é apenas o preço que você paga para poder entrar no jogo. Nada mais que isso. O que manda hoje é o valor percebido pelo seu cliente e isso você somente consegue sendo inovador na sua empresa.

Passamos de uma economia baseada em produtos para uma economia baseada em serviços, do marketing de massa para o marketing de nicho, da transferência de poder do centro para as bordas. Toda essa mudança porque passamos é, na verdade, uma mudança de força motrix da economia, onde a criatividade e a inovação passaram a ser energia que move a economia para frente. Sem criatividade e inovação a empresa, no máximo, fica com seu crescimento estagnado, sendo que a chance de diminuição do seu faturamento é muito maior.

Portanto, a partir do momento que a economia do conhecimento e da inovação vai se impondo, as empresas, que perceberam essa mudança mais cedo que seus concorrentes, sairam na frente e colheram os resultados, pois se deram conta que a sustentabilidade de seus negócios dependiam de criatividade e inovação, e esses elementos só são possíveis de serem encontrados no ser-humano. Perceberam também que não basta saber que o ser-humano passou a ser a força motrix da economia novamente, elas também identificaram que é preciso um ambiente de trabalho aberto, flexível e adaptado às necessidades individuais dos seus funcionários. É preciso um ambiente onde as pessoas tenham liberdade. Liberdade essa segundo o conceito que o headhunter Robert Wong discursou em uma palestra que ele realizou para a Diretoria de Tecnologia do Banco do Brasil em 2008: “Liberdade é o direito de você ser quem você é”.

Portanto, as pessoas são o ponto de partida e de chegada de qualquer empresa(Veja mais sobre isso aqui)

E talvez nenhuma empresa tenha implantado esse ambiente de colaboração voltado ao ser-humano de forma tão eficiente quanto o Google, eleita a melhor empresa para se trabalhar em 2010 pelo Great Place to Work. Segunda a revista, o Google oferece um ambiente que funciona com um clima semelhante ao de um campus universitário e que oferece benefícios como quadras de vôlei e até comida de graça. Nada disso é por puro romantismo, mas sim para gerar cada vez mais resultados e fazer a empresa crescer cada vez mais. Trabalhar no Google exige disposição para o debate e para ouvir críticas. No Google não existe o Lord Voldemort(Veja mais sobre isso aqui).

Abaixo segue uma lista de práticas do Google que foram publicadas na revista com alguns comentários meus:

– Expostos – > O Google não admite feudos de informação, embora possa haver grupos “competindo”pelo mesmo objetivo. Cada funcionário e cada equipe precisam mostrar a todos o que estão fazendo. Por e-mail ou em páginas pessoais na Intranet, cada um apresenta os projetos em que está envolvido e seu processo no último mês ou semana, em poucos slides de powerpoint. A informação pode ser avaliada por qualquer um. Um dos pilares do modelo de gestão do Google é o fluxo contínuo de informação. O Google investiu pesado na formação de uma rede de comunicação horizontal que torna fácil para os funcionários trocarem idéias, fazer pesquisas de opinião entre os colegas, recrutar voluntários e formar grupos de mudança;

– Entrevistadores – > Quem passa pela rigorosa entrevista do RH vira tema de um dossiê que chega aos olhos do comitê global, instância que inclui os conselheiros nos Estados Unidos e os fundadores, Larry Page e Sergei Brin. Além da análise no exterior, o interessado é entrevistado pelo futuro chefe e por futuros colegas de equipe, do mesmo nível ou abaixo – todo mundo no Google tem de saber entrevistar e ter disposição para vetar candidatos;

– Metas – > A equipe de vendas tem metas trimestrais. As outras áreas, como a programação, recebem objetivos diários, semanais, mensais ou trimestrais, que se sobrepõem. Os horários são flexíveis, mas a tecnologia torna possível trabalhar de casa. Todo funcionário deve se acostumar a atuar em projetos paralelos e, quando necessário, oferecer ajuda a alguma equipe. O funcionário não trabalha em uma área – e sim para o Google;

Sem rodeios – > Qualquer funcionário pode procurar o chefe do chefe sem se preocupar com ritos corporativos. Ninguém deve se incomodar porque o subordinado apresentou uma boa idéia diretamente a um escalão superior. Além de avaliações vindas dos iguais, dos superiores e dos subordinados, o funcionário tem de estar preparado para ser alvo de um eventual “unsolicited feedback” – um relatório feito por qualquer um que vai direto para o chefe do avaliado. É a transparência interna do Google e o feedback continuo entre colegas e não um quadro enorme de gerentes de nível médio, que mantém as iniciativas díspares da empresa no caminho certo;

Alarme de Segurança – > Parece brincadeira, mas não é. O funcionário é incentivado a chamar a atenção do colega que sai da mesa e deixa o computador desprotegido. Isso pode ser feito com uma ferramenta chamada “Cheese this fool“, ou “pregue uma peça neste bobo”. A tela do descuidado se ilumina com musiquinha e animações. A empresa mapeia as áreas em que o descuido ocorre com mais frequência e treina os esquecidos.

Os fundadores sabem que em um mundo de descontinuidade, o que mais importa não é a vantagem competitiva de uma empresa em um dado momento, mas sua vantagem ao longo do tempo. Para isso, era necessário criar um modelo de gestão que acompanhasse a evolução da própria WEB, ou seja, era necessário agilidade para adaptar-se as frequentes mudanças desse século.

O Google sabe que a única maneira de “administrar” nesse contexto é aplicar o talento coletivo da organização às pequenas e grandes decisões – e isso exige franqueza, transparência e muita comunicação horizontal.

Se o ser-humano passou novamente a ser a força-motrix da economia, e dessa vez por causa do seu conhecimento e não pela sua força física, as empresas devem passar a mudar o seu modelo de gestão de forma a colocar o ser-humano no centro. Afinal de contas, para ser uma das empresas eleitas pelo Great place to Work, não se deve promover ações de mudança movidas pelo desejo de estar na lista das 100 melhores, mas sim QUERER ser uma das melhores empresas para se trabalhar, independente de listas divulgadas por institutos. Essa é uma diferença sutil, mas que faz toda a diferença.

Um abraço.

“Keep the Faith”

Twitter: @blogdomarcelao

P. S : Nos dias 24 e 25 de agosto, estarei no Fórum Mundial de Estratégia organizado pela HSM em São Paulo. Farei a cobertura real-time do evento pelo twitter. Portanto para acompanhar as últimas novidades e insights sobre estratégia, basta me seguir no twitter, OK?

Uma resposta to “Gestão 2.0 : Google – Eleita a Melhor Empresa para Trabalhar em 2010”

  1. Francisco Pinheiro said

    Olá meu amigo Marcelo, tudo bem? espero q sim!!! rapaz em primeiro lugar quero te parabénizar pelo seu blog, cada dia q passa visito seu blog e admiro mais seu trabalho e suas ideías, se pelo menos 1% dos empresário desse país tivessem essas ideías, concerteza nosso país estaria muito mais desenvolvido, tanto economicamente, como também, os funcionarios estariam muito mais preparados e felizes no seu ambiente de trabalho, infelizmente a maioria dos empresários só pensam neles, nunca nos funcionarios, eles criam uma barreira entre patrão, gerente e empregado q não deixa brecha nem dos funcionarios questionarem seus proprios direitos, é ai q está o erro!!! se seu funcionario não está satisfeito, como ele pode render bem no seu ambiente de trabalho? agora quando o empregado está satisfeito c seu trabalho ele vai render muito, pelo menos é o q eu penso!!! um abraço fique c deus.

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