Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Resultados não sustentáveis

Posted by marcelao em julho 15, 2010


Pessoal,

toda empresa deve buscar apresentar excelentes resultados financeiros, até porque é cobrada por isso pelos seus acionistas, mas deve-se ter cuidado com a sustentabilidade dos resultados obtidos, ou seja, qual o custo que a empresa pagará no futuro para obter os resultados obtidos no presente.

Querem um exemplo disso? Ontem, terça-feira, o novo diretor de futebol do Flamengo, o Sr. Arthur Antunes Coimbra, mais conhecido como ZICO, deu uma entrevista coletiva onde ele comentava sobre a situação atual do Flamengo em meio a todos os encandalos em que o nome do Flamengo vem sendo envolvido nos últimos meses. Zico deu a seguinte declaração:

– “Não é porque o Flamengo teve um título que poderia se fazer o que quisesse no Flamengo. Esse título acabou sendo ruim, porque as coisas que estão acontecendo e que vem acontecendo só denegriram a imagem do clube. É preferível não ganhar um título e ter um clube intacto, um clube limpo, do que ganhar um título e acontecer o que nós estamos vendo aí.”

É claro que como torcedor do Flamengo, eu vibrei com o hexacampeonato brasileiro. Vibrei com os gols do Adriano e tudo mais, mas o preço, que o clube Flamengo vem pagando nos últimos meses, por esse título foi imenso. Não vou entrar em maiores exemplos, pois isso é conhecido e vem sendo noticiado pela imprensa, até certo ponto exageradamente. Vou ficar apenas no caso em que o goleiro disse após um jogo que estava se lixando para a torcida, torcida essa que é reconhecida pelo próprio clube como sendo o seu maior patrimônio. Imagine se não fosse.

Bastou um título para que jogadores passassem a se considerar acima do bem e do mal. Felizmente, tivemos a volta do maior ídolo como diretor de futebol. Ídolo que ganhou muito mais títulos que esse grupo, que colocou a marca do Flamengo em outro patamar com os títulos conquistados na década de 80 e que, mais importante que isso, nunca se colocou acima do clube e da instituição Flamengo. A partir de agora, creio eu, será muito difícil um jogador não se dedicar ao Flamengo sabendo que ele está de olho. É a liderança baseada no exemplo. (clique aqui para ler mais)

E quanto a nossas empresas? Qual a analogia que podemos fazer com esse caso acima? Qual a relação que podemos fazer entre resultados e sustentabilidade?

Vejo muitas empresas que, ao menor sinal de queda nos lucros, mandam cortar orçamento, cortar investimentos em treinamento e formação das pessoas. Criam programas de incentivo a aposentadoria e depois contratam essas mesmas pessoas como consultores. São empresas que sacam contra o futuro da empresa para garantir o presente.

Aí eu pergunto: Onde está a criatividade desses administradores? Será que a única solução que eles conseguem enxergar é cortar investimentos? Cadê a capacidade de inovação e de diferenciação cantada em versa e prosa por muitas delas?

Empresas e organizações devem ser administradas para se tornarem perenes, mas o que mais encontramos é a predominância da visão de curto prazo(Leiam mais sobre isso aqui). Deixam de evoluir em gestão e organização, ajustando-se, adaptando-se e com foco no cliente em evolução. Sustentabilidade trata-se de um processo de respeito às expectativas de clientes e da sociedade. Afinal de contas, é impossível falar em sustentabilidade sem falarmos em adaptabilidade e transformação. Tudo isso deve ser alcançado sem esquecer valores organizacionais importantes como ética(Leia mais sobre isso aqui), transparência e valorização ser humano, do contrário, o preço a ser pago será muito maior que os resultados obtidos.

Um abraço.

“Keep the Faith”

Twitter: @blogdomarcelao

3 Respostas to “Resultados não sustentáveis”

  1. ericoak said

    Otimo post. Coloca em discussao um ponto interessante resumido em uma so palavra “Sustentabilidade”. Vejo muitas empresas com o discurso de foco no cliente, nos negocios, mas sem atencao nos aspectos que suportam os processos de negocios. A imagem que tenho de uma empresa nessa situacao e aquela focada nas acoes reativas, corre-corre, apagadora de incendios, enfim, um caos. Lembrando que o caos organizado proporciona beneficios de inovacao e criatividade. Parabens.

  2. José Augusto said

    Grande Marcelo,

    … então o Galinho de Quintino diz que “É preferível não ganhar um título e ter um clube intacto, um clube limpo, do que ganhar um título e acontecer o que nós estamos vendo aí”… pena que nem todos pensem assim. Para você que fala em sustentabilidade, perpetuidade, perenidade… e ao mesmo tempo em mudanças, adaptações, sair do lugar comum, veja esses dois aspectos no link abaixo. O primeiro, ganhar agora… e muito. O segundo, novas tecnologias, novos mercados, etc.

    http://altamiroborges.blogspot.com/2010/07/morte-do-jb-e-crise-da-midia.html

    Nota: Seu email que eu tinha cadastrado não está funcionando mais. Se você capturou o meu aí e puder me enviar o novo, agradeço. E se for passar por aqui, avise. Eu te pago um cafezinho… sem açucar ou com adoçante…

    Um abraço,

    José Augusto

  3. Tato de Macedo said

    Marcelão,
    talvez você não concorde comigo, mas tenho pra mim que o problema central desta questão esteja no umbigo. Sim, no umbigo. Explico-me: li uma twittada extraída de um blog cujo comentário deve ser familiar a muita gente no meio organizacional, e que se encaixa perfeitamente à questão que você levanta. Senão confira:

    “O UMBIGO

    Dizem que um dia o homem acordou e, nú, percebeu que seu umbigo havia crescido. Duas semanas depois, o umbigo o devorou.

    O umbigo, então, tomou a carreira do homem, sua esposa, seus filhos e seus amigos. Fez três MBAs e abriu uma consultoria. Criou uma nova rede de contatos e perfis em sites de relacionamentos. Pagou jornalistas e jornais para publicarem seus textos.

    O umbigo ficou famoso. Contratou mais duas empregadas, três babás e uma secretária particular. Ele deu palestras motivacionais e entrevistas para programas de TV. Passou a frequentar festas de celebridades e celebrava contratos milionários. Fez amigos em Brasília, Nova Iorque, Londres, Paris e Roma.

    Para as férias, construiu uma mansão na região da toscana, Itália, e outra em Campos do Jordão. Todavia, um ano depois, o umbigo implodiu. Hoje, o homem foi completamente esquecido por família, filhos e amigos.

    Por outro lado, embora o umbigo tenha prosperado, nunca passou de um umbigo.” (autor: Marconi Brasil)

    Moral da história: O texto cabe como uma luva a certos tipos que não conseguem enxergar um palmo além da linha que vai do nariz ao umbigo, você não acha?

    Abraços

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