Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Continuando e Não Encerrando: Emburrece ou liberta?

Posted by marcelao em julho 1, 2010


Pessoal,

meu post – sobre se o Google, as redes sociais e a Internet emburrecem ou libertam as pessoas(clique aqui para ler) – rendeu frutos e discussões além desse espaço. Ele teve ecos no blog do meu amigo Cavallini (acesse aqui para ler na integra) e posteriormente foi complementado pelo texto da minha também amiga Adriana Salles Gomes no blogo do Update or die (acesse aqui para ler na integra).

Resumindo os dois textos, na opinião do Cavallini, as pessoas não ficaram mais idiotas com o Orkut, Twitter, Facebook e afins. As pessoas que eram idiotas continuaram a ser idiotas, a diferença é que, com as redes sociais e a Internet, elas apenas amplificaram essa idiotice, ou seja, passou a ser mais fácil perceber essa idiotice. Já a Adriana faz uma critica àqueles que, partindo da premissa que está tudo no Google e que isso leva as pessoas a se acomodarem, acham  que já temos todas as respostas para todas as perguntas. A Adriana lembra que ainda temos muitos problemas ainda a resolver, do dark flow à impotência sexual masculina, passando pelo enorme desafio climático, o político e o de inclusão socioeconômica que vivemos. Apenas para ilustrar, cadê a solução para o problema de vazamento de petróleo no Golfo do México?

Pessoas que se acomodaram com a premissa de está tudo no Google e que só é preciso uma busca, são pessoas que cederam ao lado negro da força, pois, afinal de contas, para tudo há um lado positivo ou negativo. Nas palavras do mestre Yoda : “Em balanço sempre está a força. A Escuridão e a Luz. Sem um, não há o outro. O Lado Negro tentador é. Rápido, fácil no início, mas uma armadilha é o Lado Negro.”

Mas qual seria o lado da luz da força nessa discussão? O lado libertador da Internet e das Redes Sociais?

Voltando um pouco no tempo, essa discussão sobre se as novas tecnologias nos tornam acomodados não é nova e não se resume aos textos do Nicholas Carr ou ao livro citado pela Adriana do professor Mark Bauerlein, da univerdade de Emory. Em 1963, o educador brasileiro Anísio Teixeira (1900-1971), em “Mestres de Amanhã”, convocava os educadores a superar seus mais caros preconceitos para fazer frente à complexidade social que se descortinava em seu tempo. Ele observava o avanço da mídia globalizando o homem comum ainda despreparado, em sua cultura local, para a avalanche de informações trazido de todo o mundo.

Já naquela época, ele se mostrava preocupado com a criação de estratégias educacionais sensíveis ao fato que “subitamente o homem comum não é apenas o habitante de sua rua, sua cidade, seu estado, sua nação, mas literalmente de todo o planeta e participante de uma cultura não apenas local e nacional, mas mundial.” Na visão do professor Anísio Teixeira, seria necessário expor aos estudantes uma diversidade de abordagens sobre conteúdos de aprendizagem e convidá-los a apreciar, sentir, rever, discutir, motivando a análise e a humildade diante dos conhecimentos já sistematizados e de problemas que defrontam a civilização impactada pelas mídias.

Imaginem se o professor Anísio Teixeira tivesse conhecido a Internet? Como estaria a preocupação dele?

Citando um educador do nosso tempo, o professor Silvio Meira, ele diz que “pela primeira vez, nós começamos a ter a disponibilidade de um conjunto de tecnologias, infra-estruturas, serviços e aplicativos que tornaram possível, para uma parte cada vez maior da humanidade, um modo de relacionamento pessoa a pessoa de maneira colaborativa e não intermediada por terceiros.” A consequência disso é que o conhecimento está sempre em transformação gerando um mundo em transformação constante. Como disse o professor Silvio Meira : “Vivemos em um mundo BETA onde muita coisa é funcional, mas não está totalmente completo”.

A Internet rompe com o modelo centralizador de transmissão de informação da TV, pois ela oferece ferramentas que permitem a colaboração entre as pessoas, deixando de ser um modelo 1 para N passando a ser um modelo N para N onde todos nós podemos participar e construir uma nova perspectiva de mundo, ou seja, passamos de um esquema “um-todos” para às redes interagentes que se configuram como “todos-todos”e como “faça-você-mesmo”.

Nesse sentido, é preciso resgatar mestres valorosos como Paulo Freire que enfatizava a participação colaborativa, dialógica e a multidisciplinaridade como fundamentos da educação e da aprendizagem. Nesse sentido, as redes sociais tem papel potencializador da visão de Paulo Freire, pois ela ajuda a reinventar o conceito de sala de aula, uma vez que a aprendizagem não precisa necessariamente se encerrar no espaço físico da sala, mas também se extender através dos fóruns na Internet, blogs e comentários, Wiki e outras redes sociais como o Twitter e o poder de Retuitar, ou seja, de multiplicar o conhecimento.

As redes sociais criam a nova ambiência informacional e dão o tom da nova lógica comunicacional que toma o lugar da distribuição em massa, própria da fábrica, da escola e da mídia clássica(rádio, imprensa e TV) até então símbolos societários. Nas redes sociais, a produção para a massa cede espaço à produção operacionalizada em redes multidisciplinares definidas por comunidades de interesses.

Diante dessa nova realidade, há a emergência de um novo leitor. Não mais aquele que segue as páginas do livro de modo unitário e contínuo, mas o que salta de um ponto a outro fazendo seu próprio roteiro de leitura muldisciplinar. Não mais aquele paciente que se submete a ser um ator passivo da emissão de informação, mas aquele que, não se identificando apenas como receptor, interfere, manipula, modifica e assim, reinventa a mensagem.

Esse texto é um exemplo dessa nova realidade, a realidade de construção colaborativa, multidisciplinar e que se expande por diversos canais. Tudo começou com um tweetie do também amigo e Updater Jorge Carvalho sobre o livro do Nichollas Carr, a partir dele escrevi meu post sobre se a Internet emburrece ou liberta as pessoas, eu que sou de formação em ciências da Computação (TI), seguiu com a visão do Cavallini que é profissional de comunicação e professor de Marketing, passou pelo texto da Adriana Salles Gomes que é jornalista, e não se encerra com esse texto, pois quanto mais ele for discutido, seja através de comentários ou através de novos textos, estaremos contribuindo para melhorar e aprofundar cada vez mais essa discussão.

Um abraço.

“Keep the Faith”

Twitter: @blogdomarcelao

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