Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Twitter, Blogs e Google: Emburrecem ou Libertam?

Posted by marcelao em junho 25, 2010


Pessoal,

é mais do que chover no molhado que estamos vivendo em uma era em que o acesso a informação é cada vez mais fácil e rápido do que em outras épocas. Também é chover no molhado dizer que essa facilidade de acesso a informação traz diversas transformações para a sociedade como um todo. Mas o que quero compartilhar aqui nesse texto é uma certa angústia que toma conta de mim, de tempos em tempos, diante desse flood(para usar um termo do Twitter que quer dizer inundação) de informação a que somos substituídos no nosso cotidiano.

Essa angústia me leva muitas vezes a me questionar se não estou perdendo a minha editorial dos meus textos que é provocar a reflexão, pois muitas vezes eu tenho acesso a informação tão importantes e, premido pelo tempo, sou forçado a apenas reproduzi-las.

Recentemente, o ex-editor da revista Harvard Business Review, Nichollas Carr, escreveu um artigo com o seguinte título: “O Google está nos tornando estúpidos?” Segundo o autor, o Google impossibilita uma leitura profunda dada a facilidade de busca rápida que ele nos proporciona. Carr escreve que essa não é a primeira vez que esse tipo de reflexão vem a tona, pois Sócrates também temia o impacto da escrita sobre a capacidade de pensar do homem e que também o advento da impressão mecânica despertou temores semelhantes.

Na opinião de Nicholas Carr, a Internet traz uma cultura de brevidade e fragmentação que emburrece, pois ninguém mais lê textos longos e nem vídeos longos.Segundo o autor, a Internet, pela sua própria natureza, é contrária a profundidade. E onde não existe profundidade também não pode existir inteligência.

Na minha opinião, acho que a coisa pode ser mais ampla do que isso. O que ocorre, e é isso que vem assustando cada vez mais as agências de publicidade, é que o recurso que se torna cada vez mais escassos chama-se ATENÇÃO.

A revista Wired uma vez abordou sobre a chamada SNACK CULTURE, que traduzindo significa “Cultura em pedaços”. A revista chama a atenção para o entretenimento de consumo rápido ter virado uma tendência da sociedade contemporânea, através dos Ipods, blogs, youtube, etc. Tudo isso é apreciado por nós da mesma forma que apreciamos doces e as batatas chips – em pequenos formatos e convenientemente empacatados e feitos para serem facilmente desgustados com a máxima freqüência e velocidade. Ou seja, a quantidade de coisas em formatos pequenos e de acesso rápido e freqüente estão cada vez mais fragmentando e pulverizando nossa atenção, evitando que nos aprofundemos mais nos conteúdos disponíveis na Internet.

Agora somem a tudo isso uma ferramenta de comunicação chamada Twitter que, por ter uma limitação de 140 caracteres, torna a comunicação extremamente objetiva e rápida.

Mas, voltando ao texto questionador do Nicholas Carr, eu diria que, assim como em outros campos, o problema não está na ferramenta ou  no instrumento utilizado, no caso a Internet e as diversas redes sociais existentes, mas sim no uso que fazemos dela.

Há um tempo atrás, eu escrevi um post que falava em dois conceitos importantes para não sermos inundados por essa profusão continua de informação a que somos expostos todos os dias. Esses dois conceitos são: Exploitation e Exploration.

O artigo apresenta o conceito de “Exploitation” de conhecimento como o processo de desenvolvimento de competências já existentes dentro da organização, enquanto que o conceito de “Exploration” é apresentado como o processo de busca de novas competências. O processo de “Exploitation” gera conhecimentos incrementais, com retornos moderados, mas certos e imediatos. “Exploration”, em contrapartida, é um processo altamente incerto e imprevisível, refletindo a capacidade de uma empresa para adquirir novos conhecimentos e não apenas aprender como utilizar o conhecimento atual de forma mais eficiente.

Esses dois conceitos são relativos a disciplina de aprendizagem organizacional que serve para utilizar conhecimentos existentes e incorporar novos conhecimentos a base de conhecimentos das organizações, através da qual as competências das organizações sejam melhoradas e novas sejam desenvolvidos. No entanto, a aprendizagem pode ser uma faca de dois gumes quando há um desequilíbrio entre os dois conceitos acima apresentados, ou seja, “Exploitation” ou “Exploration” em excesso geram as chamadas armadilhas de competências.

No caso de “Exploitation” em excesso, desenvolvimento de competências já existentes significa que as organizações tornam-se melhor em fazer coisas que elas fazem repetidamente e com sucesso, mas pode torná-las menos competentes nas atividades que fazem raramente e sem sucesso. Por outro lado, essa característica de auto-reforço de uma organização de aprendizagem torna-a propenso a sustentar seu foco atual e a criação de armadilhas onde determinados comportamentos são reproduzidos, tornando engessada a empresa e criando obstáculos para o desenvolvimento da inovação.

Quando o assunto é “Exploration” em excesso, presente em empresas reconhecidas pela capacidade de gerar, adquirir e integrar tanto fontes externas como fontes internas de conhecimento, a exposição a novos conhecimentos é benéfica até certo ponto, mas em excesso pode se tornar uma nova fonte de confusão e sobrecarga de informação e, consequentemente, um desempenho organizacional sofrível.

O post abordava esses conceitos em nível de organização, mas podemos aplicar no nível individual. Foi o que aconteceu comigo. Eu, freqüentemente, caia na armadilha de “Exploration” em excesso. A minha angústia era porque, ao utilizar o Twitter diariamente, eu estava adquirindo novos conhecimentos em excesso e não estava dedicando um tempo para assimilá-los devidamente. O resultado é que  eu comecei a deixar de pensar de forma criativa os meus posts.

Esse post não é uma critica ao excesso de informação a que temos contato no cotidiano, muito pelo contrário, até porque eu continuo acessando e recomendo a utilização da Internet e das redes sociais para adquirir e compartilhar conhecimento, mas, assim como qualquer ferramenta de colaboração, é a utilização dela que faz a diferença. O que precisamos é que, assim como nas empresas, nós busquemos esse equilíbrio entre desenvolver as nossas competências atuais e adquirir novas competências.

Além disso, é sempre bom nos afastarmos um pouco dessa realidade para permitir que possamos observar e refletir melhor sobre o que fazemos. Essa foi uma das razões porque me afastei do blog nos últimos dias. A outra razão, e mais importante, é que na semana passada iniciei o curso de formação de educadores corporativos do Banco do Brasil e, devido a importância desse cursos para mim e para a instituição, decidi dedicar-me integralmente a esse curso que utiliza essencialmente o método construtivista como principio para formação de educadores do BB.

Voltando a pergunta do título desse post, a analogia que podemos fazer é com os remédios. Qualquer remédio que você tome pode cura-lo da doença ou pode matá-lo. A diferença entre a cura e a morte é a dosagem, ou seja, concluindo, Twitter, Internet, Google e as redes sociais são excelentes para adquirir novos conhecimentos, mas consuma com moderação.

Um abraço.

“Keep the Faith”

Twitter: @blogdomarcelao

4 Respostas to “Twitter, Blogs e Google: Emburrecem ou Libertam?”

  1. ERICO said

    Concordo. Creio que diante de tanta informação temos que ligar o auto filtro. Dessa forma estaríamos escolhendo as informações que nos agregue valor.

  2. […] ERICO em Twitter, Blogs e Google: Embur…Henrique em Livro : Transformando Suor em…Fábio Assumpção em As sete leis […]

  3. […] post – sobre se o Google, as redes sociais e a Internet emburrecem ou libertam as pessoas(clique aqui para ler) – rendeu frutos e discussões além desse espaço. Ele teve ecos no blog do meu amigo Cavallini […]

  4. […] https://marcelao.wordpress.com/2010/06/25/twitter-blogs-e-google-emburrecem-ou-libertam/ […]

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