Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

A Metaformose da Gestão

Posted by marcelao em junho 10, 2010


Pessoal,

meus colegas da comunicação interna do Banco do Brasil fizeram uma entrevista comigo onde batemos um papo sobre quais as tendências no campo da gestão e as transformações que estão ocorrendo no mundo da gestão empresarial. Segue abaixo o conteúdo da entrevista :

BB – Como você vê a gestão nos dias atuais?
Marcelo Bastos – Acredito que vivenciamos uma época de fortes mudanças. Tão forte quanto a primeira Revolução Industrial. Em 2007, na palestra que o Walter Longo fez em nossa Jornada de Tecnologia, ele lembrou que, durante a Revolução Industrial, nenhum veículo de comunicação noticiava o fenômeno pelo qual passava o planeta. Entendo que a principal diferença entre aquela época e hoje é que, atualmente, temos teóricos que abordam a revolução que estamos vivendo.

BB – E como é vista a revolução atual por esses teóricos?
MB
– O pilar dessa revolução é a inovação. O grande diferencial neste novo mundo que se apresenta é a capacidade de inovar. Veja que os serviços bancários, por exemplo, são cada vez mais iguais. Todos os bancos oferecem crédito, seguros, serviços de previdência, títulos de capitalização. Assim, o que vai diferenciar uma instituição financeira da outra é a capacidade de inovar, de se antecipar, de oferecer primeiro ao cliente algo que ele ainda não tem e até mesmo se humanizar, principalmente no que diz respeito ao atendimento. E inovação não é somente a criação de novos produtos. Olha que caso interessante que Adriana Salles Gomes, editora da revista HSM Management nos contou na última jornada de tecnologia do BB: “A escola de informática “Happy Computers” precisava encontrar uma maneira de enfrentar os novos desafios em seu mercado de treinamentos em curso de informática. Sabe o que ela fez? Inovou em seu modelo de gestão, valorizando mais do que nenhuma outra empresa os seus funcionários. Os gestores passaram a ser escolhidos pela equipe. Ou seja, o processo seletivo foi conduzido pelos próprios funcionários. Hoje, essa empresa cobra o dobro do preço da concorrência. Mesmo assim, tem o maior faturamento no segmento na Inglaterra, com uma receita 100% maior do que a da segunda colocada, apesar de o mercado, como um todo, ter perdido em média 30% do faturamento. Além disso, ela ganhou no Reino Unido todos os prêmios na sua área.”
Sabe por que a “Happy Computers” fez isso? Porque há um deslocamento do centro de poder dentro das empresas. Cada vez mais o poder está migrando do centro para as bordas, pois é esse segmento que tem contato e conhece a realidade do cliente. E não podemos nos esquecer que o cliente sempre foi, é e será a verdadeira razão da existência das empresas, e que as pessoas são o ponto de partida e de chegada de qualquer corporação.

BB – Dentro desse contexto, como fica a Tecnologia da Informação nas grandes corporações? Muito se fala na TI como parte do negócio…
MB – Acho que já nem é mais uma questão da TI ser parte do negócio. Na verdade, TI e Negócios praticamente precisam ser uma coisa só. É necessário um modelo de negócio que utilize a TI como instrumento. O Google, por exemplo, é uma empresa de software ou uma empresa de mídia? Na verdade, ele é as duas coisas. O Google é uma instituição que utiliza as novas potencialidades da TI para realizar negócios em que a publicidade é o foco. Fez isso tão bem e tão rapidamente que será muito difícil uma outra corporação ocupar o espaço que o Google ocupa atualmente.

BB – O Google é uma empresa que vem quebrando uma série de paradigmas, tanto no relacionamento com seus funcionários como no relacionamento com seus usuários. Como você vê a geração atual, conhecida como geração Y? Você entende que as empresas estão prontas para trabalhar com essas pessoas?
MB – A geração Y cresceu com a Internet. Para eles, a rede mundial é como se fosse o sistema operacional da vida deles. Então, eles chegam nas empresas com um conhecimento tecnológico muito grande. A tecnologia que eles conhecem lá fora é maior do que o estágio tecnológico que as empresas podem oferecer a eles. E isso é muito diferente do que acontecia nas gerações anteriores. Eu, por exemplo, fui ter contato com telefone fixo aos 14 anos, em 1986, quando entrei no Banco. Hoje, esse pessoal está trazendo a tecnologia para dentro das empresas. E isso vai mudar o ambiente do trabalho.

BB – Mas as empresas estão prontas para essa nova realidade?
MB – A maior parte das empresas não está preparada nem para trabalhar com os funcionários atuais. Os funcionários, hoje, têm uma formação muito maior do que havia nas gerações passadas. Para motivá-los as empresas precisam confiar mais neles. Dar mais poder. E entender que já não têm mais controle sobre a informação. O gestor precisa atuar mais no sentido de direcionar e ser um agente social da mudança. Não querer centralizar e controlar tudo. Quer um bom exemplo? O jogo da final do campeonato paulista. Quando o técnico do Santos quis tirar o craque do time, Paulo Henrique Ganso, o jogador reagiu e disse que não deveria ser ele a sair. Mas ele não fez isso por insubordinação e sim por espírito de equipe, pois dentro do campo percebia que, no momento, sua importância para o time era muito grande. O gestor, no caso o técnico, teve a grandeza de ouvi-lo e alterar a substituição. O jogador substituído também entendeu que naquelas circunstâncias o melhor era ele ser substituído. Todos ganharam com isso. Agora… você enxerga algo parecido nas empresas hoje em dia? Não. As pessoas querem ser ouvidas, mas como isso não acontece, a tendência é elas ficarem desmotivadas.

BB – E isso algum dia vai mudar?
MB – Uma das características das revoluções é que, primeiro, o velho acabe para então o novo ocupar o seu lugar. Hoje, temos as perguntas, mas ainda não temos as respostas. Temos é que construir o novo e não nos deixar levar pela inércia. Os modelos fordista e taylorista também não foram implantados com facilidade. Foi preciso convencer o ser humano de que ele não tinha inteligência o suficiente e por isso teria que se comportar como extensão de uma máquina. A realidade mudou e está na hora de revertermos esse modelo, revendo os conceitos que estão por trás de nossas ações e identificando o porquê deles, para saber o que devemos ou não mudar. Não tenha dúvida de que isso vai acontecer. E como diz um ditado antigo: quem chegar na frente, beberá a melhor água.

BB – Em meio a tantas mudanças, como fica o papel do profissional de TI?
MB – Cada vez mais as linguagens e as técnicas de programação vão ficar acessíveis e exigir menos especialização. Para o profissional de TI restará seguir um dos dois caminhos: ou trabalhar na indústria de software, em empresas como IBM ou Microsoft, ou trabalhar na área de TI de uma grande corporação, como o Banco do Brasil. Porém, no segundo caso, ele vai precisar desenvolver muito mais o talento negocial do que o técnico. Vai ser indispensável para esse profissional conhecimentos de disciplinas como marketing, design e estratégia.

BB – Um dos seus prazeres é escrever. Como tem sido sua experiência de blogueiro?
MB – Sabe que começam a acontecer algumas coisas interessantes. Um dia desses, estava em um evento em São Paulo e conheci uma pessoa. Depois de algum tempo de conversa ela exclamou: – Você é o Marcelão! Ela já me conhecia do blog. E não é a primeira vez que isso acontece. É essa nova realidade do universo virtual que está encurtando distâncias. Você passa a ter contato com pessoas que você nunca havia imaginado que teria oportunidade. Escrever no blog da HSM era algo que eu considerava distante e, no entanto, hoje é uma realidade.

BB – Como você enxerga essa nova realidade em que todos podemos ser emissores no processo de comunicação?
MB – Acredito que os meios de comunicação terão que se reinventar. Não vejo mais motivos para as pessoas comprarem jornais por causa das notícias. Entendo que sobrará para esses veículos a opção de oferecer opinião, com perspectivas diferentes, e análises sobre os assuntos e não mais notícias. Por outro lado, com as novas ferramentas que a internet nos dá, todos iremos produzir conteúdo, o que será uma revolução que irá democratizar o processo de comunicação. Hoje a comunicação não é mais unidirecional (uma pessoa para N pessoas), ela é multidirecional (N pessoas gerando conteúdo para N pessoas) e esse conceito também se aplica à gestão nas empresas. Escrever em um blog é uma experiência fascinante.

*Esta entrevista foi realizada pela comunicação interna do Banco do Brasil.

Um abraço.

“Keep the Faith”

Twitter : @blogdomarcelao

2 Respostas to “A Metaformose da Gestão”

  1. […] virada do século XX para o século XXI testemunhou uma transição contínua da gestão(Leia mais sobre isso aqui), enquanto controle, para a gestão enquanto envolvimento. Junto a tudo isso, houve uma […]

  2. […] virada do século XX para o século XXI testemunhou uma transição contínua da gestão(Leia mais sobre isso aqui), enquanto controle, para a gestão enquanto envolvimento. Junto a tudo isso, houve uma […]

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