Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Imperador deposto e o retorno do Rei

Posted by marcelao em junho 4, 2010


Pessoal,

aproveitando o momento atual de Copa do Mundo e pegando onda no dossiê “Gestão no Futebol” publicado na última edição da HSM Management, excelente por sinal, o post de hoje é uma comparação de lideranças e, é claro, a comemoração de um retorno do rei de volta a sua nação. A comparação de lideranças no campo do futebol envolve a liderança exercida pelo imperador Adriano e a liderança exercida no passado e no futuro pelo retorno do eterno rei da nação Rubro-Negra – Zico – ao Flamengo como diretor executivo de futebol do Flamengo.

Adriano, conhecida pela alcunha de Imperador obtida em campos italianos junto a torcida da Internazionale de Milão, voltou ao Flamengo em meados de 2009. Voltou após um pequeno período em que pensou desistir do futebol. Retornou em meio a muita festa e badalação e, principalmente, contando com muitos privilégios dentro do grupo como faltar a treinamentos e a escolha de não participar de jogos, notadamente, os jogos da Sul-Americana em 2009.

No entanto, apesar dos privilégios, o pacote comprado pelo Flamengo estava dando resultados, pois o Flamengo saiu da décima-quarta posição do campeonato brasileiro para ser hexa-campeão brasileiro, apesar de dar uma escorregada no final do campeonato quando apareceu com uma bolha inexplicada que o tirou do penúltimo jogo do campeonato. Os resultados compensavam a parte negativa do pacote que Adriano trazia para o Flamengo. Durante esse período, ele era adorado e defendido por todos no grupo de jogadores, aumentando ainda mais sua fama de imperador. Adriano exercia uma liderança dentro do grupo.

Veio o ano de 2010 e começaram a aparecer mais o lado negativo do pacote com a frequência maior de faltas aos treinos no Flamengo, ausência em jogos de menor importância do campeonato carioca  e em jogos importantes da Copa Libertadores, que era a principal competição do clube no ano. Aparentemente, Adriano começou a deixar de se considerar como um Imperador e começou a adotar a postura de um Semi-Deus. Resultado : eliminação precoce na taça guanabara (primeiro turno do campeonato carioca), perda do segundo turno do campeonato carioca dando o título ao Botafogo e uma classificação na bacia das almas na fase de grupos da taça Libertadores da América.

Paralelo a isso, Adriano começou também a frequentar mais as páginas policiais dos jornais com envolvimento em confusões nas comunidades onde ele nasceu, relacionamento com traficantes, briga com a noiva e outras coisas mais, sendo que algumas ele estava em companhia de alguns de seus colegas do Flamengo. Além disso, foi vaiado em alguns jogos pela torcida e resolveu não comemorar seus gols junto a torcida. Vale lembrar que muitos presidentes do Flamengo sempre afirmaram que a torcida do Flamengo é o maior ativo do clube.

Após a desclassificação do Flamengo na libertadores, decidiu não treinar e não jogar mais pelo Flamengo, mesmo tendo contrato em vigor. Negociou sua volta a Itália sendo contratado pela Roma.

Uma pausa deve ser feita no texto agora para elogiar a postura da Presidente do Flamengo que descontou os dias não trabalhados pelo jogador com a falta a treinos e jogos após a eliminação na taça libertadores. 

Após todos esses acontecimentos, a torcida do Flamengo começou a se preocupar com o futuro do time no Brasileiro em meio a notícias de desmonte. Eis que no dia 30.05, vem a notícia via Twitter: @ziconarede: “Zico: “Sou o novo executivo do futebol do Flamengo. Conversei hj cerca de 3 horas com a Patrícia e acertamos tudo” Em breve detalhes no ZNR”

Essa simples mensagem foi o suficiente para criar um verdadeiro alvoroço no Twitter com várias manifestações de flamenguistas e até de não-flamenguistas felizes com a volta de seu ídolo maior ao clube no qual construiu a maior parte de sua história como jogador profissional. História que envolve uma liderança positiva ao grupo de jogadores do Flamengo com quem trabalhou, nunca exigindo privilégios mesmo sabendo de sua condição de ídolo maior, sendo que quase sempre era o último a deixar o treino na gávea após treinar várias cobranças de falta mirando uma camisa que era colocada na junção da trave.

Trajetória que envolve, no primeiro período de profissional no Flamengo, três títulos de campeonato brasileiro (80, 82 e 83) sendo que a decisão de 1980, ele não jogou o primeiro jogo da final contra o Atlético Mineiro, mas mesmo contundido jogou a partida decisiva no Maracanã, pois sabia da sua importância para o time naquele momento decisivo, sendo autor de um dos gols e do passe para o primeiro gol do Flamengo. Em 1983, na decisão do campeonato contra o Santos, já estava vendido para a Udinese da Itália, mesmo assim jogou as partidas finais sem tirar o pé das divididas.

Muitos jogadores do Flamengo que conviveram com Zico essa época afirmam que não havia como não treinar, pois eles olhavam para o ídolo maior dando o exemplo nos treinos e eles não poderiam fazer menos do que ele.

Alguns, como um amigo meu, podem afirmar que o Zico não vai mais entrar em campo. Correto. Mas a volta dele ao Flamengo como diretor de futebol tem uma importância muito grande para o clube. Com ele no comando do Futebol, fica dificil qualquer jogador do Flamengo, como o goleiro e capitão do time Bruno, dirigir-se a sua torcida com declarações ou atitudes de desprezo, desrespeitando o que os próprios dirigentes do Flamengo afirmam ser seu maior patrimônio.

Seu nome dentro do Flamengo é indiscutível devido a sua postura sempre profissional durante seus tempos de jogador e também por ter mantido distância de administrações anteriores. Zico representa uma conexão entre todas as correntes políticas existentes dentro do clube.

Além disso, ele representa o retorno ao Flamengo de algo que já escrevi aqui várias vezes, que é CREDIBILIDADE. O retorno dele é uma grande comoção, gera grandes oportunidades de Marketing, abre portas de parcerias e facilita muitas coisas. Se você duvida disso, pergunte aos mais de 70 mil torcedores, representantes de todas as gerações (Baby boomers, X, Y, Z, …), que foram ao Maracanã no final do ano passado para o jogo das estrelas organizado por ele, ou seja, mesmo passados vinte anos desde sua despedida em 1990, não há como falar do Flamengo sem o Zico, ou do Zico sem o Flamengo. É por isso que o seu retorno está sendo tão festejado pelos rubro-negros.

Mesmo com toda essa identificação, Zico retornou sem assumir ares de salvador da pátria, ou de um Deus, pedindo a torcida para deixar de lado as cobranças de falta precisas, as arrancadas do meio-de-campo até o gol e os dribles geniais e passassem a se concentrar em seu futuro como dirigente. Chega afirmando que nem tudo estava errado, pois ninguém ganha tanto com tudo errado (1 campeonato brasileiro e Copa do Brasil mais 7 campeonatos cariocas em 11 disputados), mas que chega para somar com sua visão de profissionalismo que, entre outras coisas, ajudou a revolucionar o futebol no Japão.

Diante disso, pergunto : Dá para comparar a liderança do Adriano com a liderança do Zico?

Foi-se o imperador, retorna o REI. Quem sabe daqui a alguns anos, seja feito um novo dossiê sobre gestão no futebol e o Flamengo seja o exemplo, que, aliás, já foi para o futebol brasileiro quando um grupo político de rubro-negros idealistas, chamado “Frente Ampla pelo Flamengo, reuniu-se em 1977 e apresentou um programa de gestão realista e exequível, calcado nos ventos da democracia e do profissionalismo, palavras que na naquela época soavam como novidade e apresentando conceitos revolucionários para a época como, por exemplo, Marketing esportivo. O resultado disso foi a geração de maior sucesso do clube capitaneado pelo seu ídolo maior : o grande ZICO.(leia mais sobre isso aqui)

Um abraço.

“Keep the Faith”

Twitter: @blogdomarcelao

2 Respostas to “Imperador deposto e o retorno do Rei”

  1. […] Bastou um título para que jogadores passassem a se considerar acima do bem e do mal. Felizmente, tivemos a volta do maior ídolo como diretor de futebol. Ídolo que ganhou muito mais títulos que esse grupo, que colocou a marca do Flamengo em outro patamar com os títulos conquistados na década de 80 e que, mais importante que isso, nunca se colocou acima do clube e da instituição Flamengo. A partir de agora, creio eu, será muito difícil um jogador não se dedicar ao Flamengo sabendo que ele está de olho. É a liderança baseada no exemplo. (clique aqui para ler mais) […]

  2. […] Bastou um título para que jogadores passassem a se considerar acima do bem e do mal. Felizmente, tivemos a volta do maior ídolo como diretor de futebol. Ídolo que ganhou muito mais títulos que esse grupo, que colocou a marca do Flamengo em outro patamar com os títulos conquistados na década de 80 e que, mais importante que isso, nunca se colocou acima do clube e da instituição Flamengo. A partir de agora, creio eu, será muito difícil um jogador não se dedicar ao Flamengo sabendo que ele está de olho. É a liderança baseada no exemplo. (clique aqui para ler mais) […]

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