Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Dr. House e o modelo de Mintzberg

Posted by marcelao em maio 2, 2010


Pessoal,

um dos artigos que mais gostei de ler nos últimos tempos foi o do professor Henry Mintzberg cujo título é “Primeiro Pense, Primeiro Veja, Primeiro Faça”(veja mais aqui). Nesse artigo, o professor Mintzberg que identifica três modelos de tomada de decisão e em que situações usar cada um deles, o modelo primeiro pense, primeiro faça e primeira veja, que são baseados, respectivamente, na lógica racional, na intuição e na ação. O modelo proposto pelo autor vai além do modelo de tomada de decisão mundialmente conhecido (“Primeiro Pense”) que envolve primeiramente definir o problema; depois diagnosticar a causa; em seguida, formule as soluções possíveis; e, finalmente, decida-se pela melhor delas – e, obviamente, coloque-as em prática.

O artigo apresenta como fundamento a tese do professor  James Marche que caracteriza o processo de tomada de decisão como uma “séries de soluções à procura de problemas, questões e impressões à procura de situações decisivas nas quais possam se manifestar, soluções à procura de questões às quais possam ser uma resposta e tomadores de decisão à procura de trabalho”. É como se as soluções estivesse armazenadas no nosso inconsciente a espera apenas de uma situação que dispare o gatilho e as desperte o que pode justificar o porque de algumas decisões, que tomamos de forma repentina, darem mais certo do que algumas que tomamos com calma e sem pressa.

A teoria do “Primeiro faça” foi popularizada por Karl Weick, professor de comportamento organizacional, resume-se a “realização, seleção e retenção”. Significa fazer várias coisas, descobrir quais funcionam, entender a razão, repetir os comportamentos mais eficientes e descartar o restante. As pessoas bem-sucedidas sabem que, quando estão entaladas, devem experimentar. O pensamento pode levar à ação, mas esta, certamente, também pode direcioná-lo. Simplesmente, não pensamos para agir; agimos para pensar.

Pode parecer um pouco confuso, mas uma maneira de exemplificar esse modelo é assistindo a série de televisão “House” exibida pelo canal “Universal Chanel” da Net. House é como uma espécie de Sherlock Holmes da medicina – o autor da série é fã do personagem de Sir Arthur Conan Doyle – que se notabiliza por elaborar excelentes diagnósticos em situações extremamente complexas.

O modelo “primeiro pense” é utilizado no começo do processo de diagnóstico quando os sintomas conhecidos são enunciados e escritos no quadro branco em que no mesmo são deliberadas várias doenças ou outros sintomas que vão surgindo. Como House gosta de mostrar aos outros que tem razão, recorre muitas vezes ao método Socrático que consiste em uma abordagem para geração e validação de idéias e conceitos baseada em mais perguntas.

Ocorre que muitas vezes os sintomas não são bem definidos porque os pacientes escondem ou simplesmente mentem, ou seja, as informações não são completas e não são totalmente verdadeiras, o que leva a procedimentos sem sucesso. Em muitas situações, os médicos da equipe do Dr. House são orientados a visitar a residência do paciente a procura de evidências que possam solucionar o  problema. Um verdadeiro trabalho investigativo para levantar dados aleatórios, que são combinados pelo Dr. House que muitas vezes tem o insight que leva a identificar a verdadeira causa da doença visualizando a situação, no melhor estilo “Primeiro Veja”.

Existem situações em que os métodos acima são ineficazes, o que leva o Dr. House a receitar procedimentos médicos para ver qual será a reação do organismo do cliente em um verdadeiro processo de experimentação, no estilo “Primeiro Faça”.

A série evidencia a importância de se adotar metodologias e técnicas de acordo com o contexto e não ficar engessado em apenas uma ferramenta para solução dos problemas. Outro aspecto importante é a questão da intuição. Entenda-se intuição não como algo mágico ou mistico, mas sim como resultado da combinação de estudo, pesquisa, técnica e repertório de soluções acumulados ao longo da sua vida profissional. Esses são os combustíveis de excelência do profissional que consegue se adaptar a qualquer contexto.

Um abraço.

“Keep The Faith”

(Twitter : @blogdomarcelao)

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