Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

O custo de transação

Posted by marcelao em março 23, 2010


Pessoal,

assisti ontem a entrevista do professor Silvio Meira (disponível aqui) no programa “Canal Livre” da Band, além de ler a entrevista que ele concedeu para a HSM management de mar/abr, e gostaria de destacar o que o professor chamou de “Custo de transação”. O professor Silvio Meira comentou que o custo da transação para uma pessoa ir de onde mora para onde trabalha é astronômico, tanto em preço absoluto, por conta dos preços de estacionamento, combustível, etc, como em preço de tempo.

Como a maioria deve saber, eu trabalho na área de tecnologia do Banco do Brasil em Brasília. A área de tecnologia do BB fica em um prédio no final da Asa Norte e lá trabalham mais de 2000 pessoas. Pessoas que moram nos mais diversos setores da cidade e que se deslocam quase todos de carro para o trabalho. Além desse prédio, o BB tem mais 4 prédios sendo 3 no centro da cidade (setor bancário sul), com média de 2o andares, e um mais afastado onde se localiza o nosso centro de treinamento. Imaginem vocês como é  a concentração de carros nesses lugares? Além disso, perto do setor bancário sul, fica o setor de autarquias onde funcionam a receita federal, INSS, Banco Central, … Volta e meia eu participo de reuniões no andar mais alto(24 andar) do edificio sede do Banco e de lá é possível ter uma panorâmica desse cenário e vocês não conseguiriam imaginar a quantidade de carros estacionados nessa região.

Brasília tem um problema com o sistema de transporte público que é a falta de rodízio de passageiros dentro do ônibus. Normalmente, na grande maioria das cidades, quando o ônibus chega a uma parada de ônibus, algumas pessoas sobem e outras descem, o que de certa forma, acaba por diminuir o preço da passagem. Ocorre que em Brasília esse rodízio não acontece, porque, uma vez que o trabalho é concentrado na área governamental, e ele se localiza principalmente na esplanada de ministérios, as pessoas sobem em todos os pontos de ônibus, mas descem quase todos no mesmo ponto final.

Imaginem se nós conseguissemos reduzir em mais de 50% a necessidade de deslocamento para o trabalho? Qual seria o impacto quanto a emissão de gases nocivos ao meio-ambiente? Quanto diminuiria o nível de stress das pessoas no trânsito? E o impacto que isso teria na qualidade de vida das pessoas? Quanto isso representaria em termos de diminuição de custos com a manutenção dos carros? O tempo que passaríamos a ter disponível para passar com nossas famílias?

É necessário desafiar os pressupostos vingentes na definição da arquitetura das cidades. Lembro-me de um documentário da Discovery que apresentava conceitos de carros do futuro e entre eles havia um projeto da GM chamado “7 de 2030”. Tratava-se de 7 designers que foram selecionados pela GM para conceberem o que seria o conceito de carro para 2030. Um dos pressupostos colocados como desafio para esses designer era inverter a lógica de que as cidades eram construídas em função dos carros e passar a construir os carros em função das cidades. Um dos conceitos desenvolvidos eram carros que poderiam estacionar em cima de outros carros, passando a estacionar de forma vertical e, dessa forma, ocupando menos espaços nas cidades.

Diante desse desafio que nos é colocado de repensar as cidades, entendo que a tecnologia tem um importante papel a desempenhar e aumentar as possibilidades de melhoria desse cenário. O desenvolvimento do conceito de cloud computing, aliado ao aumento da velocidade da Internet banda larga, já nos permite trabalhar a distância, ainda que com um custo alto. Outra tecnologia que permitirá outras possibilidades é a video-conferência que vem evoluindo para o conceito de tele-presença. Quem já teve contato com esse tipo de tecnologia fica espantado com o ambiente criado em que parece que as pessoas estão realmente ao seu lado. Aliás, vale lembrar que um dos objetivos da tecnologia era possibilitar que as pessoas tivessem maior tempo de lazer.

O mundo está em constante mudança e muitos dos pressupostos adotados foram modificados, o que requer de nós aquilo que o professor Silvio Meira sempre diz em suas entrevistas : “É preciso aprender, desaprender e reaprender”

Um abraço.

“Keep the Faith”

9 Respostas to “O custo de transação”

  1. Alby said

    Fantástica essa matéria. Eu vivi pessoalmente a questão de reuniões a distância. Durante 3 anos fui responsável pelo e-learning de uma sociedade brasileira da área médica na qual nunca sequer estive com os membros da associação. As reuniões eram feitas em tele-presença com membros espalhados pelo Brasil. Funcionou redondo. Somente fui conhecê-los pessoalmente num congresso em recife anos depois. Parecíamos velhos amigos.

  2. […] eu estava acompanhando via twitter alguns comentários sobre a edição do TED Sudeste quando apareceu um comentário que teremos 50 bilhões de carros transitando pelo planeta. Imaginem o impacto que isso teria para a nossa qualidade de vida não só do ponto de vista ecológico, mas também com relação ao tempo gasto no trânsito das grandes cidades, aumentando o nosso custo de transação (veja mais aqui). […]

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