Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Tenha coragem e Assuma Riscos

Posted by marcelao em fevereiro 21, 2010


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Pessoal,

acabei de ler na última HSM Management a excelente entrevista do meu amigo Ricardo Cavallini, realizada pelos meus também grandes amigos Adriana Salles Gomes e Jorge Carvalho, sobre as mudanças que a tecnologia e a web 2.0 estão trazendo para o mundo dos negócios e oferecendo oportunidades de novos modelos de negócio e até novos conceitos como a evolução dos 4 Ps do marketing(Preço, praça, promoção e produto) para os 4 Es (Exchange(troca) em vez de preço, Experiência em vez de produto, Engajamento em vez de promoção, Everywhere (onipresença) em vez de praça).

Dentro os vários ensinamentos contidos na entrevista, gostaria de destacar a parte final da entrevista em que é abordada a questão do empreendedorismo no Brasil, mais precisamente, quanto a necessidade de assumir uma cultura pró-riscos em nossas empresas. Cavallini disse que precisamos entender riscos de outra maneira. Ao invés de analisarmos apenas pelo lado negativo, devemos encara-lo também pelo lado positivo, como  nos investimentos financeiros. Concordo em gênero, número e grau com o Cavallini, ainda mais no ambiente atual em que é preciso inovar cada vez mais e assumir riscos não rima, mas vai muito vem com inovação.

A minha experiência como consultor e mentor de vários líderes de projeto mostrou que quase 100% dos líderes preocupam-se apenas em identificar riscos para os projetos apenas pelo lado negativo, eventos que podem significar atrasos para o projeto. Esquecem-se que risco é apenas um número  resultado de uma equação simples : probabilidade X impacto. Se o impacto negativo, o que temos é uma hipótese de perigo para o seu projeto, se ele é positivo, temos uma oportunidade para o projeto. O resultado dessa equação, para cada evento de risco, é que determina nossas ações, ou seja, se negativo, devemos trabalhar para diminuir a probabilidade de que esse risco torne-se um perigo, se positivo, devemos trabalhar para aumentar a probabilidade de que esse risco torne-se uma oportunidade, ou seja, temos que tomar decisões no presente que só se concretizarão no futuro e que estarão sujeitas a situações também futuras. Com isso, estamos, a todo o momento, assumindo riscos.

Ocorre que para aumentarmos a probabilidade de um risco, que pode se tornar uma oportunidade, temos que sair de nossa zona de conforto. Pode parecer lugar comum falarmos em zona de conforto e que se não sairmos da zona de conforto, nós não estamos inovando. Cabe aqui resgatar a diferença entre criatividade e inovação. Criatividade está ligado ao PENSAR, enquanto que inovação está ligado ao FAZER. Qual é a relação entre essa diferença e a necessidade de sair da zona de conforto? Simples. É que para sair da zona de conforto, precisamos aumentar nossa zona de esforço.

No Brasil possuimos uma cultura muito arraigada de não assumirmos riscos, talvez seja por isso que o dramaturgo Nelson Rodrigues diziae que nós tinhamos “complexo de vira-latas”. Vivemos em uma cultura dentro de nossas empresas recheada de normas sociais que criam enormes barreiras a quem deseja empreender e criar novas formas de fazer negócios. No Brasil, a maioria das empresas possui ambientes de trabalho onde o conhecimento pode ser interpretado como soberba, a criatividade como uma tentativa de mudar aquilo que não precisa ser mudado, a persistência como teimosia e a personalidade como dificuldade de relacionamento.

Devido a esse ambiente, é preciso termos coragem para assumir riscos. Entenda coragem não como ausência de medo, mas sim que medo é um importante mecanismo da sobrevivência humana, pois o medo faz com que você se prepare melhor para enfrentar os desafios. O problema não está no medo, mas sim na nossa atitude de paralisia diante do medo, na acomodação de mantermos as coisas como estão “Porque aqui sempre foi assim”. Então, podemos concluir é que a maioria dos nossos medos são criados por nós mesmos e cabe a nós nos prepararmos cada vez mais para aumentar nossa zona de conforto e enfrentá-los.

Coragem é uma habilidade essencial a ser desenvolvida para o pleno exercício da liderança diante das normas sociais existentes no ambiente de trabalho da maioria das empresas. É preciso ter coragem para ser o que somos apesar das controvérsias, como bem disse o consultor de carreiras, Robert Wong, em uma palestra que realizou no Banco do Brasil, em que ele resgatava o conceito de liberdade como sendo o direito de você ser aquilo que você é. Isso é algo quase uma utopia nas empresas brasileiras, mesmo com seus discursos de democratização e humanização das relações trabalhistas.

Atualmente, ter coragem é fazer diferença, uma vez que as regras, as normas e as técnicas funcionam como geradoras de padrões comportamentais voltados para a segurança e a tranqüilidade. Essa universalidade faz com a maior parte das empresas tenham um perfil assemelhado, uma vez que a lógica e a razão são anônimas e universais e, portanto, quem foge desses padrões, estará consequentemente inovando.

Não estou aqui querendo que todos nós nos transformemos em heróis (Escrevi sobre isso aqui), que se caracterizam pela ausência de medo, mas sim admitirmos nossos medos e receios e termos coragem de enfrentá-los. Coragem não só para agir, mas também para pensar. Pensamento e, principalmente, reflexão gerando uma eterna luta contra nós mesmos e contra as ilusões tranqüilizadoras e as mentiras confortáveis.

Precisamos trabalhar para criar estruturas e ambientes organizacionais em nossas empresas que favoreçam e permitam que possamos exercer plenamente nossas potencialidades, sermos quem nós realmente somos e, consequentente, nos tornarmos verdadeiramente livres. Somente assim é que nossas empresas adotarão a postura de enxergarem os riscos pelo lado positivo como afirmou o Cavallini na entrevista.

Para finalizar, deixo uma frase de Pierre Corneille, célebre dramaturgo considerado o fundador da tragédia francesa ao lado de Molière e Racine, que disse:

“Vencer sem riscos é triunfar sem glória“.

Um abraço.

“Keep the Faith”

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7 Respostas to “Tenha coragem e Assuma Riscos”

  1. Alby said

    Como um dia te falei Marcelão. Larguei tudo para assumir riscos. Nunca me arrependi e hoje vivo um momento shangri-lá em minha vida por ter tido coragem. Um dos maiores empreendimentos na área médica barsileira está para começar com nosso querido amigo em comum e não existe riscos para quem tem coragem e fé em vencer. Adorei o post. Abs. Alberto (Alby)

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  7. […] Inovação organizacional exige habilidade de gestão de risco e gestão de portfolio : A Adriana já havia comentado sobre isso no post acima citado (Clique aqui para acessar), Inovação vem de risco. Ela pode levar a empresa ao sucessso ou a fracasso. Por isso a importância de se ter empreendedores corporativos dentro da empresa, pois são pessoas que sentem-se a vontade para lidar com riscos(Leia mais sobre isso aqui); […]

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