Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Mais que a simples soma das partes

Posted by marcelao em dezembro 14, 2009


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Pessoal,

participei na semana passada de um encontro nacional de administradores da vice-presidência de tecnologia e logistica do Banco do Brasil e o desafio colocado para o próximo ano é fazer com que a tecnologia e a logistica da empresa faça parte do negócio, na verdade, fazer com que aumente a percepção de que essas duas áreas fazem realmente parte do negócio, ou seja, não basta SER, tem que PARECER SER.

Já escrevi em vários posts nesse espaço sobre a mudança que se faz necessária dentro das áreas de tecnologia das empresas (Clique aqui para ler), mas essa mudança passa por vários aspectos e muitos deles estão ligados a parte cultural da área de tecnologia (Clique aqui para ler). Esses são alguns dos aspectos que precisarão ser debatidos e resolvidos pelas áreas de tecnologia das empresas, mas o objetivo desse post é ampliar um pouco mais essa discussão e tratar dessa questão sob a perspectiva dos modelos de gestão atuais.

Na minha opinião, o problema de não enxergar a área de tecnologia como parte do negócio e, consequentemente, como uma parceria para desenvolvimento de novos negócios(Clique aqui para ler), tendência que está sendo adotada pelas empresas mais inovadoras, não se resume apenas a essa área, mas sim a todos as áreas existentes dentro das empresas. Isso deve ao modelo de gestão atualmente vingente na maioria das empresas que privelegia a competição ao invés da colaboração.

Se resgatarmos a história, o primeiro modelo de gestão era baseado na revolução agrícola, baseado fundamentalmente no conceito de família, onde você participava de todo o processo, desde a plantação, passando pelo cuidar da terra e a colheita dos alimentos, e finalizando com a venda dos produtos no comércio, onde você tinha o feedback direto do cliente. Utilizando uma metáfora, o presidente botava a mão na massa e participava de todo o processo e percebia com muita facilidade o que precisava ser mudado no processo para atender o cliente. Falar com o presidente não precisava de site ou de um número de telefone, o contato era direto e pessoal.

Ocorre que esse modelo mostrou-se improdutivo e não atendia a demanda cada vez maior da população o que levou a necessidade da adoção de máquinas para tornar mais eficiente o processo produtivo, aumentando a produção e atendendo a demanda cada vez mais crescente da população. Para isso, o processo começou a ser dividido em várias partes e especializações e surgiu a figura do supervisor que, com o tempo, passou a exigir a presença de um gerente, que exigiu um diretor, um vice-presidente e um presidente. Em paralelo a tudo isso, vieram os modelos de gestão dessa época, baseados na metáfora da máquina, propostos por Taylor (administração científica), Fayol (estruturas verticalizadas) e Henry Ford (linha de produção.

Vale dizer que a propostas desses modelos de gestão foram bastante inovadoras para a época e, portanto, não cabe nenhuma crítica a eles para a época em que foram aplicados, afinal de contas, se você tem dois carros na garagem, uma televisão em cada quarto e um aparelho digital em cada bolso, foram esses modelos os responsáveis por vários desses produtos que utilizamos atualmente, mas como toda ferramenta de gestão, com o tempo ela vai se deteriorando, tornando-se obsoleta e, devido as mudanças que ocorrem na sociedade e o avanço da tecnologia, tornam-se inaplicáveis, fazendo com que o lado negativo supere os benefícios dos lados positivos. No caso, o estímulo a competição dos modelos verticalizados passa a sufocar o lado colaborativo e, consequente, mina a capacidade de inovação das empresas. Inovação que surge com maior facilidade quando você reune equipes multifuncionais ou multidisciplinares, reunindo vários pontos de vista e profissões diferentes a serviço de uma causa comum. Características essas dificeis de serem reunidas nos modelos de gestão atualmente adotados.

Mudanças abruptas, vantagens fugazes, inovações tecnológicas, concorrentes indisciplinados, mercados fragmentados, clientes poderosos, acionistas rebeldes – são desafios do século XXI que estão pondo a prova os limites das estruturas das organizações em todo o mundo, e expondo as limitações desse modelo de gestão que não conseguiu acompanhar essa mudança, afinal de contas, mais do que uma época de mudança, vivemos na verdade uma mudança de época. Uma mudança de época que exige que a comunicação corporativa deixa de ser unilateral (de cima para baixo) e passe a ser multilateral, ou seja, deixando de ser uma relação desigul (comunicação 1 para N) e passando a ser uma relação de iguais (comunicação N para N), deixando de ser um modelo de gestão instrumental (baseado no controle), típico de estruturas verticalizadas, e passando a adotar um modelo construtivista em que impera a relação em redes, daí a importância enorme que as redes sociais deveriam ter dentro de nossas empresas.

O problema da falta de visão de parceria entre as diversas áreas de uma empresa não está no modelo de negócio, no modelo processual ou no modelo operacional, mas sim no modelo de gestão, pois gestão é a capacidade mobilizar recursos, traçar planos, programar o trabalho e estimular esforços, tornando-se fundamental para a realização dos objetivos do ser humano e quando ela é menos eficaz do que poderia ser, ou precisa ser, todos pagamos o preço.

A mudança no modelo de gestão pode ser o início para grandes mudanças nas empresas visando uma maior colaboração entre as diversas áreas que as compõem e o ponto de partida para três grandes mudanças, mesmo que lentas e graduais : uma transformação individual através da reavaliação e substituição de velhos padrões comportamentais; a redefinição das características básicas (e reconstrução) do ambiente corporativo ao qual almejamos pertencer; e.como consequência, o início de um movimento mais abrangente de transformação das relações funcionário-empresa em nossas empresas, fazendo acordar aqueles que exercem cargos de chefia e liderança de que a sobrevivência dos negócios da empresa já depende – e cresce cada vez mais – do grau de comprometimento, satisfação e capacidade de inovação de seus funcionários.

Não se trata mais de dizer o que os funcionários devem fazer, mas sim de deixar uma abertura para o feedback a respeito de outras e novas maneiras de se fazer as coisas passando a utilizar um discurso persuasivo que conquiste e aproxime as pessoas e as organizações. Um modelo que se assemelhe ao modelo da Internet devido as suas características de adaptabilidade, envolvimento e inovação onde todos têm o direito de opinar, a capacidade conta mais do que cargos e credenciais, o compromentimento é voluntário, quase tudo é descentralizado, as idéias competem em pé de igualdade e onde as decisões são tomadas entre os usuários.

É claro que essa mudança não se dará da noite para o dia, pois ninguém passa da posição de expectador para a de co-autor de forma rápida e fácil, pois sua perspectiva muda, suas expectativas mudam, as responsabilidades são outras e seus anseios também. Não sei como conseguir essa mudança, pois, repetindo uma frase que o Walter longo me disse em uma conversa, vivemos em uma época em que sabemos o que já era, mas não sabemos o que vai funcionar a partir de agora, mas eu tenho um sonho em que chegará o dia em que os renegados sobrepujem os reacionários, que as empresas realmente mereçam a paixão e a criatividade de seus funcionários, que extraiam com naturalidade o melhor que as pessoas têm a oferecer e que o drama da mudança não se faça acompanhar do trauma violento da transformação. Somente a partir dessa mudança é que todos passaram a se sentir mais do que parte do negócio, mas sim parte de um todo maior que a simples soma das partes, para tanto, nesse caso, mudar é um verbo IMPERATIVO.

Um abraço.

“Keep the Faith”

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