Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Gestão por decreto = Números torturados = Estimulo ao não ético

Posted by marcelao em julho 16, 2009


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Pessoal,

muito já foi escrito e comentado que a crise financeira pela qual o mundo vem passando é na verdade uma crise de ética. Eu gostaria de ampliar um pouco mais essa questão, indo além do lado financeiro, e refletir se os modelos de gestão e a postura dos administradores não acabam por estimular um comportamento não ético nos colaboradores da empresa.

Não se faz gestão e nem se alcança a excelência por decreto. Mas o que vemos, na maioria das vezes, é que as metas  da empresa são definidas sem seguir um método, sem identificar quais os pontos que devem ser melhorados, focando apenas a definição de um número mágico, que deve ser alcançado no curto prazo, ao invés de definir as causas, estabelecer um plano de ação com metas intermediárias para alcançar o resultado no longo prazo.

Como escrevi, o que ocorre é justamente o contrário. E, como na maioria das vezes, essas metas sempre estão atreladas ao recebimento de bônus, é aqui que mora o perigo, pois, uma vez que isso mexe no bolso dos colaboradores da empresa, isso acaba por estimular que sejam feitas as chamadas contas de chegada, ou seja, se eu tenho que alcançar um número X em um determinado objetivo, a preocupação passa a ser como faço para que os números cheguem a X, privilegiando o curto prazo, ao invés de focar quais as ações que eu devo estabelecer para alcançar a meta e manter esse desempenho sustentável.

Desempenho sustentável que é um dos desafios criado pelo auto denomininado “Brigada de renegados” (leia mais aqui). Os sistemas atuais de desempenho têm muitas falhas. Valorizam demais o atingimento de objetivos de certos objetivos – atingir metas de lucro no curto prazo, por exemplo – e dão pouca atenção a outras metas importantes, como erguer novas plataformas de crescimento. Em geral, não levam em conta fatores sutis, porém críticos, do sucesso competitivo, como o valor da inovação movida pelo cliente. Para superar essas limitações a empresa terá de criar sistemas de mensuração do desempenho mais holísticos. A atual fragmentação dos objetivos, e dos desafios da gestão, por função deixam os administradores sem uma visão holística dos desafios que ele enfrenta no cotidiano.

As escolas de administração já estão tomando providências nesse sentido. Na edição de junho/2009 da Harvard Business School foi publicado artigo com o título “Responsabilidade termina (e começa) na faculdade de administração”. Segundo o autor, Joel M. Podolny, após o colapso da Enron, a faculdade de Harvard instituiu uma disciplina obrigatória sobre liderança e responsabilidade empresarial, mas mesmo assim, diante da crise financeira atual, não foi feito o bastante  para equipar os alunos a tomar boas decisões. Diante desse cenário, eles cogitam promover mais mudanças na grade curricular do curso e nos seus métodos de ensino. O autor sugere que seja criado um código de conduta para os administrados e cassar o diploma de quem violar as normas.

Nesse mesmo artigo, o autor argumenta que as falhas no atual sistema de ensino da administração, eximindo-se de ensinar valores e ética, parece ter convencido os alunos de que, uma vez instalados em postos de destaque, sua única responsabilidade era definir a visão, formular uma estratégia e traçar uma pauta. Aos subordinados caberiam definir os detalhes. O líder só teria que se preocupar se os resultados forem piores do que o esperado e houver necessidade de mudança, não cabendo a ele ter conhecimento dos meios utilizados para alcançar os resultados, afinal de contas, eram apenas detalhes.

Está mais do que na hora de uma revisão ampla nos sistemas de gestão empresarial, que passe a dar tanta importância a valores – como transparência, integridade, colaboração e sustentabilidade – quanto à capacidade analítica e foco no retorno financeiro, passando a incentivar que todos encararem os desafios da gestão com uma visão mais holística, de forma a evitar que comportamentos não éticos sejam estimulados nos colaboradores da empresa.

Um abraço.

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9 Respostas to “Gestão por decreto = Números torturados = Estimulo ao não ético”

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