Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

Mini-Safári de Inovação

Posted by marcelao em julho 4, 2009


Blog do Marcelão

↑ Grab this Headline Animator

Pessoal,

muito tem se falado sobre inovação, mas o principal foco da mídia tem sido a inovação em produto. Ocorre que a inovação não se restringe a inovar em produtos, mas também deve ser considerada como um importante fator no desenvolvimento da estratégia de negócios da empresa. Diferentes autores como Peter Drucker, Gary Hamel e Clayton Christensen, entre outros, vêm destacando que a inovação não pode ficar restrita a novos produtos, processos e serviços.

A inovação tem um significado maior, especialmente relacionado à inovação do modelo de negócios e na gestão e, mais recentemente, à inovação de valor. Para demonstrar as diferentes dimensões da inovação e sua capacidade de criar riqueza, e inspirado no livro “Safári de Estratégia” do professor Henry Mintzberg, resolvi escrever esse post como um mini-safári sobre o conceito de inovação de alguns grandes autores iniciando com Schumpeter com sua visão da destruição criativa, passando por Drucker e Christensen com suas visão sobre inovação como valor agregado e sobre o dilema da inovação, finalizando com Hammel com sua visão de inovação na estratégia e no modelo de gestão.

O ponto de partida para a análise da inovação nos foi dado por Joseph Schumpeter, ao cunhar a expressão destruição criativa em seu clássico livro, Capitalismo, Socialismo e Democracia, publicado em 1942. De acordo com ele, “a abertura de novos mercados – estrangeiros ou domésticos – e o desenvolvimento organizacional, da oficina artesanal aos conglomerados, ilustram o mesmo processo de mutação industrial que incessantemente revoluciona a estrutura econômica, a partir de dentro, incessantemente destruindo a velha, incessantemente criando a nova. Esse processo de destruição criativa é o fato essencial acerca do capitalismo”.

Schumpeter também descreve a importância da criação no processo de formulação da estratégia. Para ele, “todos os elementos da estratégia de negócios só adquirem sua verdadeira significação contra o pano de fundo desse processo e dentro da situação por ele criada. Devem ser vistos como em seu papel, sob o vento perene da destruição criativa; não podem ser compreendidos a despeito dele ou, na verdade, sob a hipótese de que existe eterna calmaria”.

Para Schumpeter, a inovação é o processo de criação do novo e destruição do que está se tornando obsoleto. Inovação é a capacidade da empresa de superar a concorrência perfeita, estabelecendo uma situação de monopólio temporário ao criar um novo mercado para seus produtos.

Seguindo essa linha de raciocínio, Peter Drucker afirmava (em 1969) que “atualmente nos defrontamos com uma época de descontinuidade da economia e da tecnologia” provocando profundas mudanças nas estruturas industriais, na teoria econômica e no conhecimento necessário à gestão das empresas e do governo. Nesse ambiente em constante mudança, somente as atividades de marketing e a inovação seriam capazes de criar um consumidor e um valor para a empresa.

De acordo com Peter Drucker, “a inovação mais produtiva é um produto ou serviço diferente, criando um novo tipo de satisfação, ao invés de uma simples melhoria”. Dessa forma, a inovação está associada à geração de valor econômico e é diferente da invenção, que tem um significado tipicamente tecnológico. A inovação não é restrita aos aspectos tecnológicos e econômicos. As inovações sociais e as inovações na forma de gerenciar uma empresa são tão relevantes quanto as econômicas. O senso de inovação de uma organização tem que possibilitar o abandono sistêmico do que já é antigo.

Para Drucker, a inovação é a tarefa de dotar os recursos humanos e materiais de nova e maior capacidade de produzir riqueza. Inovação é a capacidade de uma empresa criar um consumidor. Inovação significa supor que todos os produtos, processos e mercados da empresa estão se tornando rapidamente obsoletos.

Já Clayton Christensen apresenta o conceito de tecnologias disruptivas em seu clássico livro, O dilema da Inovação, de 1997. Christensen propôs que as empresas dominantes em seus mercados atuais que ouvem seus clientes, promovem melhoria contínua de produtos e buscam aumento do crescimento e lucratividade, perderam sua posição de liderança e fracassaram porque não investiram, ou não tiveram interesse em adotar as emergentes tecnologias de ruptura de seu setor.

Para Christensen, uma empresa bem administrada (que é um importante fator para o sucesso) também corre riscos de sobrevivência, porque a administração está comprometida com formas tradicionais de fazer negócios e não percebe o valor potencial de uma tecnologia disruptiva. Isso acontece porque as “tecnologias disruptivas mudam a proposição de valor de um mercado. Quando aparecem, elas quase sempre oferecem menor desempenho em termos dos atributos que os consumidores tradicionais estão habituados”.

Os executivos, pressionados pelos resultados de curto prazo e utilizando as habituais medidas de desempenho, não percebem quando uma inovação irá revolucionar o setor atividade. Quando percebem, já é tarde, um inesperado entrante já tem o domínio dos melhores segmentos do mercado.

Para Christensen, inovação é a mudança nas tecnologias para transformar mão-de-obra, capital, materiais e informação em produtos e serviços de grande valor agregado. Inovação é a capacidade de transformar o baixo desempenho de uma nova proposta de valor, baseada numa tecnologia disruptiva, em desempenho superior, o mais rápido possível.

Gary Hamel apresenta o tema da revolução da inovação em que somente a inovação radical possibilita um crescimento lucrativo, sendo impossível criar riqueza sem a inovação. Uma empresa somente conseguirá se diferenciar se inovar de uma forma que os concorrentes não consigam imitar no curto prazo. Caso contrário, cairão na armadilha da convergência estratégica, na qual os clientes não conseguem perceber diferenças nas propostas de valor das principais empresas que atuam no setor.

De acordo com Hamel, a inovação deve começar logo pela definição da missão da empresa, que deve ser nitidamente distinta da missão de outras empresas do setor. Para Hamel, a unidade de análise de inovação não é o produto, o serviço ou a tecnologia, mas sim o conceito de negócio, que pode ser definido como “a capacidade de imaginar conceitos de negócio drasticamente diferentes ou maneiras completamente novas de diferenciar conceitos de negócio já existentes”. Somente com conceitos de negócio radicais a empresa conseguirá superar as limitações da melhoria contínua e dar saltos radicais de inovação.

Hamel entende que a inovação significa inventar modelos de gestão inteiramente novos ou efetuar mudanças radicais nos existentes. A inovação radical tem origem na criação de um destino futuro coletivo, que estimula a imaginação das pessoas da organização na busca de oportunidades não-convencionais.

Opinião do blogueiro

Todos os autores ressaltam que as empresas devem romper com o passado se desejam crescer e se manterem competitivas no mundo atual. Para romper com o passado, as empresas devem investir no desenvolvimento orgânico, em aprendizado organizacional e na valorização das pessoas. Para inovar é preciso que as pessoas tenham um ambiente favorável a criatividade.

Outro ponto em comum entre os autores é que as empresas devem investir no novo, em criar mercados novos. A abordagem que cada um utilizou é que foi diferenciada.

Schumpeter argumenta que as empresas devem destruir o que está obsoleto, obsolescência que é cada vez mais comum e chega cada vez mais rápido e para isso as empresas devem estar atentas as suas estratégias.

Já Drucker aposta que as atividades de marketing e inovação são essenciais para geração de riquezas. Nesse caso, as pessoas passam a ser fortemente o centro do processo, uma vez que o marketing coloca o cliente – que é uma pessoa – no centro e a partir dele são identificadas novas necessidades, o que pode nos levar a pensar se as técnicas de gestão de pessoas não poderiam ser aplicadas na identificação das necessidades dos clientes das empresas. Com relação a inovação, mais uma vez as pessoas passam a ser o centro do processo.

Christensen mostra preocupação com o conservadorismo dos executivos o que pode levar as empresas a perderem mercado. Esse conservadorismo é causado pela pressão exercida sobre eles por resultados a curto prazo o que faz com que durante o processo as idéias inovadoras não encontrem espaço para serem desenvolvidas e implementadas.

Gary hamel aposta que somente a inovação radical pode fazer com que as empresas se diferenciem das demais e obtenha vantagem competitiva no mundo atual. A empresa deve se descolar da convergência estratégia e passar a mensagem de inovadora para os seus clientes já a partir do estabelecimento da missão.

Como foi possível observar, todos os autores, com abordagens diferentes, pregam o desvinculo com o passado e com os antigos paradigmas. Ocorre que essa mudança de atitude requer também uma mudança cultural das organizações e uma mudança no modelo de gestão das empresas, talvez por essa razão a inovação ainda seja uma realidade muito longe das empresas brasileiras.

Um abraço.

P.S : Citando as fontes

Balanced Scorecard e a Gestão Estratégica – Emilio Herrero Filho

Desafios Gerencias do Século XXI – Peter Drucker

O Dilema da Inovação – Clayton Christensen

O Futuro da Administração – Gary Hammel

10 Faces da Inovação – Tom Kelley

FNQ – Fundação Nacional da Qualidade

Bookmark and Share

Leia também os seguintes posts :

– O dilema da inovação na gestão – > Clique aqui para ler;

– Gestão 2.0 : Fortaleça os incomodados – > Clique aqui para ler;

– Palestra : Planejamento estratégico pessoal – > Clique aqui para ler;

– Enxergue de forma mais abrangente – > Clique aqui para ler;

– Google – Modelo de inovação na Gestão – > Clique aqui para ler;

– Ostra feliz não faz pérola – > Clique aqui para ler;

– Por quê é tão dificil mudar? – > Clique aqui para ler;

– Não existe planejamento perfeito – > Clique aqui para ler;

– Autoconhecimento : O conhecimento mais importante – > Clique aqui para ler;

– Chegou a hora da administração? – > Clique aqui para ler;

– Questionar é preciso : liderando equipes talentosas – > Clique aqui para ler;

– Gestão e inovação é com o lado direito do cérebro – > Clique aqui para ler;

– Livro : O futuro da administração – > Clique aqui para ler;

– Dica de video – Conheça a cultura corporativa do Google – > Clique aqui para ler;

– Google – Modelo de inovação na Gestão – > Clique aqui para ler;

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: