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Fórum Mundial de Liderança – Síntese

Posted by marcelao em junho 6, 2009


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Pessoal,

o objetivo desse post é tentar identificar qual a linha de raciocínio comum entre todas as palestras realizadas no fórum mundial de liderança organizado pela HSM nos dia 02 e 03.06. Portanto, esse post não é o resumo de cada palestra, pois essa tarefa já foi realizada durante o fórum e já está disponível no portal da HSM (Clique aqui para acessar).

O que percebi de comum em todas as palestras foram 4 tópicos :

– Mudança de modelos;

– Sustentabilidade;

– Importância dos valores;

– Construção de significado;

Entendo que ficou muito explícito que o modelo econômico exploratório do século XX, e ainda presente no início desse século, foi derrubado e que a atual crise financeira foi a gota que faltava para transbordar o copo.

Na palestra do professor Jeffrey Pfeffer, alguns mitos desse modelo foram derrubados como noções convencionais sobre as causas de sucesso de uma empresa citanto, por exemplo, a onda de fusões e aquisições porque era importante ser grande ou as ações de downsizing e redução de custos de mão de obra que seriam importantes para aumentar os lucros.

A influência dos modelos mentais também foi outro tema abordado pelos palestrantes, mais especificamente pelo pensador Peter Senge. “Vemos aquilo que queremos ver”, no caso da crise financeira, havia a visão de quem estava dentro da bolha, que ignorava alguns números e fatos que demonstravam qual seriam as consequências futuras, e a visão de quem estava fora da bolha e alertava sobre os perigos que esse modelo apresentava.

Essa crise mostrou algumas verdades como o fato de que o discurso de responsabilidade sócio-ambiental de muitas empresas era apenas motivado pela moda e não uma adoção da causa, uma vez que, quando a crise se agravou, a primeira medida foi corte de pessoas nas empresas ao invés de diminuir lucratividade, ou seja, o valor para o acionista continou sendo a prioridade dos CEOs das empresas.

Os números apresentados pelo colunista da HSM, César Souza, foram, como ele mesmo disse, interessantes, reveladores e surpreendentes. Mostraram a contradição entre o discurso e a prática das empresas, uma vez que entre os sonhos dos CEOS relacionados a vida pessoal, 62% disseram que queriam ser líderes melhores e mais inspiradores, mas quando perguntados sobre os principais desafios da gestão para 2009 colocaram a formação de líderes em quarto lugar, sendo que os três primeiros eram relacionados a aumento da lucratividade de suas empresas.

Quando assunto é desalinhamento entre discurso e prática, o que vem a tona é a questão dos valores. Como disse o professor David Ulrich : “O que fazemos como líderes é refletido no comportamento que nossos funcionários terão no relacionamento com nossos clientes”. Se lembrarmos os números que o professor Jeffrey Pfeffer apresentou de que 50% dos funcionários não acreditam no que a alta administração de suas empresas diz, essa afirmação do professor David Ulrich torna-se bastante preocupante.

Fica clara a necessidade de mudança do modelo de comando e controle para um modelo que atribua aos líderes o papel de facilitadores e desenvolvedores do capital humano nas empresas. Um modelo que não foque apenas o profissional, mas também a formação de seus funcionários como cidadãos, que vivem dentro de uma comunidade e que o resultado de seus comportamentos afetam a vida de outras pessoas.

Para atingir esse objetivo, é preciso investir na formação de novos líderes nas empresas. Líderes que desenvolvam visão estratégica e que saibam contar o significado da estratégia, que equilibrem os objetivos de curto prazo com os de longo prazo, que promovam o entendimento comum dos objetivos a serem alcançados e, que promovam o alinhamento entre os objetivos pessoais de seus funcionários e os objetivos da empresa, estabelecendo assim não só o compromisso de seus funcionários para com ele, mas também o compromisso do líder com seus funcionários.

O compromisso de todos fará com que as pessoas tenham orgulho e prazer ao trabalhar para suas respectivas organizações, pois criará o senso de construção de uma obra, de um legado a ser deixado para as demais gerações. Gerações que exigirão maior autenticidade e maior integridade de seus líderes. Exigirá que os líderes sejam menos superficiais e encarem a realidade de frente como afirmou o professor Bill George.

A sustentabilidade passa por mudarmos o conceito atual de trabalho para o conceito de uma obra a ser construída, como diz o título do livro do professor Mário Sergio Cortella : “Qual é a tua obra?” . A nossa obra deve ser muito mais ampla do que qualquer atividade que realizamos e o papel do lider na construção dessa obra deve ser o de inspirar, animar as pessoas tornando o ambiente de trabalho mais alegre e a se sentirem bem com o que fazem e, a se sentirem integradas à obra para a qual nasceram.

Se o conceito de sustentabilidade é prover o melhor para as pessoas e para o ambiente, tanto agora como no futuro, o líder tem papel fundamental como condutor das mudanças necessárias para a construção de um novo modelo, um modelo mais focado na colaboração do que na competição, mais focado no equilibrio entre o curto e o longo prazo, mais calcado no conhecimento do que no financeiro e que alinhe a estratégia de negócios com a evolução do corpo social como afirmou o headhunter Luiz Carlos Cabrera.

Para concluir, afirmo que não estamos passando por uma época de mudanças, mas sim por uma mudança de época. Uma época mais voltada para o social. Uma época em que as pessoas possam ter maior controle sobre seus futuros, que tenham mais acesso a oportunidades e desafios. Uma época em que o senso de comunidade e colaboração esteja presente não só nas pessoas, mas, principalmente, nas empresas e nos governos.

Um abraço.

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4 Respostas to “Fórum Mundial de Liderança – Síntese”

  1. Derli said

    maravilhoso!……., gosto muito dessa síntese que Marcelo faz.

  2. […] https://marcelao.wordpress.com/2009/06/06/forum-mundial-de-lideranca-sintese/ […]

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