Blog do Marcelão

Blog para debate sobre excelência na gestão.

E agora Bernardinho?

Posted by marcelao em julho 30, 2008


“O fracasso deveria ser nosso professor, não nosso coveiro. Fracasso é adiamento, não derrota. É um desvio temporário, não um beco sem saída. Fracasso é algo que nós só podemos evitar não dizendo nada, não fazendo nada, e não sendo nada.” Denis Waitley

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Pessoal,

               quem acompanha o voleibol masculino do Brasil deve estar agora se perguntando : O que aconteceu? Não somos os melhores do mundo mais? A medalha de ouro na olimpíada está ameaçada?

               Primeiro é preciso fazer uma avaliação muita clara da hegemonia brasileira no vôlei nos últimos sete anos. Se não me engano, o Brasil perdeu apenas 5 competições a saber :

               – Liga mundial de 2002 no Brasil para os russos;

               – Pan-americano de Santo Domingo em 2003 perdendo a semifinal para a Venezuela;

               – Copa América no Brasil para os Estados Unidos. Não me recordo o ano, mas acho que foi em 2004;

               – Copa América de 2007 nos Estados Unidos para os Estados Unidos, mas utilizando uma equipe composta em sua maioria por juniores. Mesmo assim perdeu no quinto set em um jogo que poderia ter ganho pois teve a bola para fechar o jogo;

               – Liga Mundial de 2008 no Brasil para os Estados Unidos.

               Nesse tempo, o Brasil ganhou dois mundiais, sete ligas mundias, uma olimpiada e um pan-americano, fora os titulos das copas do mundo e copas américa. São números impressionantes que podem levar a algumas pessoas a acharem que nosso time é imbatível, mas que devemos analisar com cuidado.

               Essa análise necessária foi muito bem feita pelo ex-técnico de vôlei e atual presidente do Botafogo, Bebeto de Freitas, em entrevista concedida a Juca Kfouri no programa CBN Esporte Clube da rádio CBN. Diante da preocupação apresentada pelo Juca se o favoritismo do Brasil para Pequim estava abalado em virtude das duas derrotas consecutivas, Bebeto respondeu que a derrota na liga mundial não influenciaria a jornada do Brasil na busca pelo ouro olimpico, alegando que a olimpiada não tem nada a ver com a liga mundial, mesmo que o Brasil a ganhasse, pois as dificuldades seriam as mesmas por serem fatos independentes.

               O que a derrota na liga mundial faz é revelar a verdade que a superioridade do Brasil nos últimos anos é uma superioridade de resultados, não técnica. No aspecto técnico, a diferença entre as seleções mundiais é muito pequena haja vista que muitos titulos que o Brasil ganhou foram no quinto set. Alguns podem então dizer que era tudo ilusão, mas não é. Esse fato serve para enaltecer mais ainda o valor desse grupo de jogadores, pois é nos momentos decisivos, como um quinto set, é que os grandes campeões surgem.

               Quanto ao comentário do Bebeto sobre a derrota não ter relação com a olimpiada, gostaria de discordar um pouco. A derrota tem duas consequências : uma conhecida e outra por se revelar. A conhecida é que os adversários passarão a olhar com outros olhos para a seleção brasileira como sendo possível derrotá-los, semelhante ao que hoje acontece com o tenista Roger Federer que era considerado um tenista imbatível, mas que seus últimos resultados não foram do mesmo nível de anos anteriores.

               A outra consequência por se revelar é como esse grupo de jogadores reagirá a essas derrotas. Como disse o Bebeto, a força dessa seleção está no espirito de grupo liderado por seu técnico Bernardinho. Bernardinho sabe como poucos manter uma equipe motivada em torno de objetivos e manter o grupo sempre em busca da melhoria contínua. Vale lembrar que a cada vitória do Brasil nos torneios, o discurso do Bernardinho sempre foi de que “Vencemos, mas temos que subir mais ainda o nível para que os adversários não nos alcancem”. É por essa razão que a superioridade do Brasil é com base nos resultados.

               A chave do sucesso estará no seu lider Bernardinho e na força do seu grupo. Em como ele irá trabalhar a motivação desse grupo a treinar mais do que estava previsto inicialmente para as olimpíadas, porque o sinal de alerta foi ligado. Aquele a mais que o Bernardinho sempre comentou após as vitórias, dessa vez não serão suficientes, será necessário agora um grande salto para alcançar o que sempre foi o objetivo desse grupo, que é ganhar a segunda medalha de ouro em duas olimpíadas consecutivas.

              Eu acredito piamente no sucesso desse grupo, pois as ações após os últimos eventos me levam a acreditar nisso, além do fato de considera-los meus colegas devido ao patrocínio do Banco do Brasil. Em Primeiro lugar porque Bernardinho assumiu a responsabilidade por não ter conseguido motivar o grupo para o jogo que decidiu o terceiro lugar, o que mostra a sua humildade em assumir erros, procurar corrigi-los e saber que ele também precisará dar o salto evolutivo na sua liderança. Em segundo lugar, pela reação dos jogadores que estão mordidos e estão loucos para treinar. Querem mostrar, mais do que nunca, que podem superar as adversidades e provar que são verdadeiros campeões.

              Afinal de contas, como diria Epicuro, filósofo Grego do período helenístico :

“Os grandes navegadores devem sua reputação às grandes tormentas e tempestades”

Um abraço.

P.S : Se eu pudesse dar minha contribuição para essa jornada da seleção, diria a eles para estudarem bastante a equipe dos Estados Unidos. Não porque considero eles os favoritos ao ouro olimpico, mas por serem a seleção que mais nos derrotou na era Bernardinho. Acho que a chave será aprimorar o passe, pois esse é o principal ponto atacado pelos americanos que possuem uma verdadeiro equipe de estatisticos analisando cada aspecto e cada detalhe do passe da equipe brasileira.

Leia também os seguintes posts :

– Livro : transformando suor em ouro – > Clique aqui para ler;

– O que é liderar? – > Clique aqui para ler

– Questionar é preciso : liderando equipes talentosas – > Clique aqui para ler;

– Liderança do Futuro – Lider 2.0 – > Clique aqui para ler;

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– Competências dos lideres do futuro – Parte I – > Clique aqui para ler;

– Competências dos lideres do futuro – Parte II – > Clique aqui para ler;

– Leia o resumo do livro “O livro do futuro” de John Naisbitt – > clique aqui para ler;

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3 Respostas to “E agora Bernardinho?”

  1. Washington Ramos Barbosa said

    Olá Marcelo,
    Ótimos comentários sobre o momento atual da seleção de vôlei, mas gostaria de pontuar que o Bernardinho apesar dos ótimos resultados alcançados ainda tem a saída do levantador Ricardinho como um problema de gestão da equipe que ele comanda, e esta saída pode estar afetando a equipe atualmente, o retorno do Ricardinho mostraria a humildade e a superação das diferenças entre o treinador e seu levantador e passaria uma grande lição de aprendizado para todos que estudam liderança e vêem a seleção brasileira de vôlei como um case concreto de gestão.
    Sds a todos,

  2. marcelao said

    Olá Washington,

    obrigado pelos comentários.

    Quanto a saída do Ricardinho, após sua saída o Bernardinho deu entrevistas onde admitiu que nesse episódio ele falhou como lider.

    Pouco tempo depois, Bernardinho fez uma pré-convocação que incluia o Ricardinho na lista como um sinal de que as portas estavam abertas e que eles precisavam apenas conversar, mas Ricardinho não atendeu a convocação.

    Esse ato de abertura mais o reconhecimento de que falhou como lider no episódio mostram a humildade do técnico da seleção e a tentativa de superar as diferenças com o seu levantador.

    Além disso, Ricardinho joga no campeonato italiano onde muitos dos seus companheiros também jogam. No entanto, ele se fechou e nem conversa com eles.

    Agora não se trata mais do Bernardinho convoca-lo, mas sim que o grupo de jogadores o está rejeitando devido as suas atitudes de isolamento.

    Um abraço.

  3. […] E agora Bernardinho? – > Clique aqui para ler; […]

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