Livro elaborado pelo consultor em estratégias Don Tapscott que aborda temas relacionados a mudança que a colaboração vem trazendo e que revoluciona os relacionamentos entre empresas com os vários públicos interessados (stakeholders) como, por exemplo, seus clientes, colaboradores e fornecedores. Temas como redes e sociais, inovação com clientes e relacionamentos com comunidades pelo mundo são abordados com muita profundidade e com apresentação de vários cases que comprovam as teorias apresentadas pelo autor. São apresentados casos de colaboração como o Linux, Wikipedia, youtube, Second Life e o projeto Genoma Humano.
O livro aborda casos de muitas empresas inteligentes que, ao invés de combater, estão estimulando o crescimento vertiginoso de enormes comunidades on-line levando até mesmo concorrentes ferrenhos colaborarem em parceria em iniciativas cientificas revolucionarias que aceleram a descoberta em seus campos de atuação. O motivo para construção dessas parcerias vem da consciência que as empresas precisam inovar para continuar existindo, sendo que para inovar é preciso investir em pesquisas que envolvem riscos altos e quando há parceria, esses riscos são compartilhados e no caso de haver prejuízos devido a inovações que não deram certo, os prejuízos também são divididos. Além disso, a colaboração em massa traz outros benefícios como redução de custos, inovação com mais rapidez, parcerias com clientes e sócios, além de colocar a empresa no ambiente empresarial do século XXI.

No passado, a colaboração era de pequena escala, pois uma quantidade excessiva de pessoas era excluída da circulação de conhecimento, poder e capital, e portanto, participava das margens da economia. Ela ficava restrita em pequenos territórios como comunidades, locais de trabalho e acontecia apenas entre amigos, parentes e sócios nesses locais. Com o advento da Internet e da WEB 2.0 tudo mudou, pois torna o acesso dessas pessoas a apenas um click no mouse o que coloca todas essas pessoas para participarem da inovação e da criação de riqueza em cada setor da economia.
Um dos exemplos apresentados no livro é de uma pequena firma de mineração de ouro com sede em Toronto chamada Goldcorp que estava lutando para sobreviver, sitiada por greves, dividas prolongadas e um custo de produção excessivamente alto, o que havia provocado a interrupção das operações de mineração. Para completar o cenário, o mercado estava em recessão e não havia indicios de novos depósitos significativos de ouro. Tudo isso levava a crer que a GoldCorp iria a falência.
A salvação veio após os geólogos da empresa encontrarem outra propriedade onde foi feita uma descoberta importante : perfurações de teste sugeriam novas e grandes jazidas de ouro, com uma quantidade trinta vezes superior à que a GoldCorp estava extraindo até aquele momento, mas após anos de explorações, os geólogos tinham dificuldade em fornecer uma estimativa precisa do valor e da localização exata do ouro.
Com o futuro ainda incerto, o presidente da empresa, Rob McEwen, tirou uma licença para desenvolvimento pessoal quando esteve em uma conferência sobre Linux onde ouviu atentamente a história de como Linus Torvalds e uma turma de voluntários de programadores de software haviam montado, através da Internet, um sistema operacional de primeira classe com a ajuda e contribuição de milhares de programadores anônimos ao redor do mundo.
McEwen ponderou sobre esse fenômeno e teve um insight. Se os funcionários da GoldCorp não conseguiam achar o ouro, talvez outra pessoas pudesse conseguir e a chave para achar essas pessoas seria abrir o processo de exploração da mesma maneira que Torvalds “abriu o código” do Linux. Tal idéia representava uma quebra de paradigma para a empresa, uma vez que a indústria da mineração é muito fechada e os dados geológicos são os recursos mais preciosos e bem guardados.
Em março de 2000 foi lançado o “Desafio GoldCorp” com um prêmio de U$575.000,00 para os participantes que tivessem os melhores métodos e estimativas. As notícias do concurso se espalharam rapidamente pela Internet à medida que mais de mil prospectores virtuais se ocupavam em analisar os dados. Vieram contribuições de várias fontes, entre elas alunos de pós-graduação, consultores, matemáticos e oficiais militares, todos querendo uma parte do prêmio. No final, foram identificados 110 alvos de exploração, dos quais 50% não haviam sido identificados previamente pela empresa e mais de 80% dos novos alvos produziram quantidades significativas de ouro. Resultado de tudo isso, a empresa saltou de um faturamento de U$100 milhões para U$ 9 bilhões e suas ações saltaram de cem dólares em 1993 para mais de U$ 3 mil hoje.

Esse é um exemplo de busca de novos talentos fora do limite da organização e da exploração da genialidade e de competências coletivas através do compartilhamento de propriedade intelectual. Um exemplo de que a colaboração em massa pode transformar todas as instituições em sociedades.
Como já havia colocado em posts anteriores (Você pode acessar aqui, aqui e aqui), essas tranformações apresentadas pelo autor exigirão uma nova postura dos lideres empresariais, uma nova maneira de pensar sobre competitividade em virtude das mudanças profundas que estão ocorrendo na economia do século XXI que modificam as estruturas e modus operandi das empresas, mudanças baseadas em abertura, transparência, relação de confiança, compartilhamento e ação global. Toda essa mudança só foi possível com a expansão cada vez mais frequente da internet e o avanço da WEB 2.0, pois com isso bilhões de individuos conectados podem agora participar ativamente da inovação, da criação de riqueza e do desenvolvimento social de uma maneira que antes era apenas um sonho. Esse é um mundo sem volta, onde as pessoas participam da economia como nunca antes.
Essas mudanças fazem com que as corporações tranformem-se em instituições sociais – como comunidades. Passando a funcionar melhor quando seres humanos comprometidos trabalham em relações cooperativas, sob condições de respeito e confiança. Se essa transformação não ocorrer, a instituição empresarial como um todo poderá entrar em colapso. Diante disso, Os presidentes das empresas devem adotar uma nova postura, uma postura que estimule o trabalho em equipe e a saúde corporativa a longo prazo, e que passando a enxergar os seres humanos como sendo os “maiores ativos” das empresas.
Só quando entendermos que as empresas trabalham como comunidades para chegar a grandeza, e que as sociedades combinam necessidades sociais e econômicas para atingir o equilíbrio, é que as empresas entrarão, realmente, no ambiente empresarial do século XXI.
Um abraço
P.S : Leia o resumo de outros livros que recomendo nesse link.
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